19/08/2019

Para uma amiga - Joaquín Peinado

Para a pintora, Maria Emília  os meus Parabéns 
e um dia muito feliz!

Esta mesa está em casa do pintor Joaquín Peinado,
será a minha escolha para a sua mesa de aniversário.



Jaquín nasceu a 19 de Julho de 1898, em Ronda, Espanha e faleceu em Paris, em 1975.  Foi grande amigo de Picasso e de Luís Buñuel.

Não consegui incorporar o vídeo fica aqui o link.

18/08/2019

Para uma amiga: O Mar tem as suas pérolas


Parabéns, Isabel!
Desejo que passes um dia muito feliz. 

William Henry Margetson (1861-1940), The sea hath its pearls1897,
 (O Mar tem as suas pérolas),
Art, New Gallery, London




O círculo de caranguejos esculpidos em baixo relevo no quadro desta pintura é parte integrante do seu sucesso como obra de arte. 
O tema à beira-mar oferece uma composição excessivamente aberta. A paisagem  é de uma costa inglesa, embora, Margetson tivesse na sua cabeça o Mediterrâneo.
O vestido evoca o antigo passado clássico, mas também a Inglaterra vitoriana. Margetson foi influenciado por Leighton e Poynter. 
A pérola do título é uma alusão à figura reoresentada.

Neste dia só podia haver mar. :))



Rehearsal footage from the Met's new production of Bizet's "The Pearl Fishers", directed by Penny Woolcock and starring Diana Damrau, Matthew Polenzani, and Mariusz Kwiecien.

04/08/2019

A literatura e as artes


Em Ronda, junto ao céu, vale a pena visitar o  Museu Joaquín Peinado. 

Joaquín Ruiz-Peinado Vallejo nasceu em Ronda em 1898 e morreu em Paris, em 1975. 

Os seus desenhos e aguarelas são muito bonitos.
Destaco da fase cubista D. Quixote.


Joaquín Peinado, D. Quixote,
Museo Joaquín Peinado, Ronda, España
( imagem do museu)
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Ara Malikian, de origem libanesa, vive em Espanha e tem cidadania espanhola.


27/07/2019

Eternidade (?)

Será que um parafuso agarra a eternidade?



Considero a eternidade celeste como um estado de abstração. Parece-me que se a compreendemos é através da teoria, não dos sentidos. A linguagem teúrgica pretende explicar-nos o que é, o que vale, e ficamos na mesma. Quer dizer, o nosso senso do relativo não pode abarcá-la. No fundo, repugna-nos. Que fechemos os olhos do entendimento... Pois fechemo-los, e vêem-se as almas a flutuar na eternidade como o verbo sobre o caos antes de ter sido criado o mundo. Quer dizer que não se vê nada. Nem sombras... nem sombras de penas ao vento, sequer. Mas eu quero aceitar a ideia de eternidade como sendo o oceano ilimitado em que passam à deriva, ou mesmo seguindo seus cursos, astros, asteróides, seres e coisas, a ciscalhada toda da criação.

Aquilino Ribeiro, Dom Frei BertolameuAs três desgraças teologais. Amadora: Bertrand, 1959, p. 168-69


Uma leitura de Verão que me apraz!

Cortesia do youtube

20/07/2019

Singelo


Singelo



Faz-se Luz

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca

Mário Cesariny, in "Pena Capital" (in Citador)



13/07/2019

Quando ela pôs o chapéu



Quando ela pôs o chapéu

Quando ela pôs o chapéu
Como se tudo acabasse,
Sofri de não haver véu
Que inda um pouco a demorasse.
s.d.


Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular.  (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973). p. 81.

Ivan Granatino

08/07/2019

Pisco

                                                                              Águeda, Aveiro - Street Art

O Pisco

É arisco, pica aqui e acolá,
Nunca está satisfeito.
Saltita de ramo em ramo,
À procura de um sentido…

É mais belo quando adulto.
De olhar penetrante e sentido à escuta,
Assusta com o seu peito colorido
A fêmea que o abraça.

Alegria, amor, o que é afinal?
Horas de fuga,
Sentido pleno, sonhos perdidos.

Artur Bordalo, mais conhecido como Bordalo II


Homenagem a João Gilberto (1931-2019)
Ouçam só a primeira canção. Outra ave voou... 

 

06/07/2019

Son de Maxima Calidad




O horror sórdido do que, a sós consigo,


Faz as malas para Parte Nenhuma!
Embarca para a universalidade negativa de tudo
Com um grande embandeiramento de navios fingidos
Dos navios pequenos, multicolores, da infância!
Faz as malas para o Grande Abandono!
E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,
A distância polícroma do que se não pode obter.

Faz as malas definitivamente!
Quem és tu aqui, onde existes gregário e inútil —
E quanto mais útil mais inútil —
E quanto mais verdadeiro mais falso —
Quem és tu aqui? quem és tu aqui? quem és tu aqui?
Embarca, sem malas mesmo, para ti mesmo diverso!
Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?

2-5-1933


Álvaro de Campos - Livro de Versos.  (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. p.221.




28/06/2019

Da névoa como uma dádiva

Da névoa como uma dádiva




«A cultura é cara. A incultura acaba sempre por sair mais cara. 
E a demagogia custa sempre caríssima»

(Sophia M. B. Andresen, in Expresso, 12 de Junho de 1975)

Isabel Nery, Sophia de Mello Breyner Andresen, p. 212



Hasse: "Mea tormenta, properate!", Jakub Józef Orliński & Il pomo d'oro

24/06/2019

Para os visitantes

A todos agradeço a presença e peço desculpa por não ter respondido cabalmente aos comentários.

A vida obriga-nos, por vezes, a maiores silêncios. 

Azulejo da Estação dos Caminhos de Ferro da Cúria, Será o sol ou outra estrela?


Para mim é o sol, o astro maior que nos ilumina!


Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança



Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança
Só a quem já confia!
É só à dormente, e não à morta, esperança
Que acorda o teu dia.

A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo
Todo o sonho vão,
Mas sonha sempre, só para sentir-se vivendo
E a ter coração.

A esses raias sem o dia que trazes, ou somente
Como alguém que vem
Pela rua, invisível ao nosso olhar consciente,
Por não ser-nos ninguém.

s. d.


Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995), p.101.


Gostei deste filme de Julie Gautier


Credits : Choreographer : Ophélie Longuet Music : « Rain in your black eyes », Ezio Bosso. (P) Sony Music Entertainment. Cinematographer : Jacques Ballard Editor : Jérôme Lozano Colorist : Arthur Paux @ Spark Seeker Compositing : Gregory Lafranchi @GoneFX Sound mix : Nassim El Mounabbih @Dinosaures Production : Spark Seeker/Les Films Engloutis Associated Producers : Y-40 The Deep Joy/RVZ Camera Assistant : Arthur Lauthers Electrician Romain Mostri Safety Freedivers : Anne Maury - Fouad Zarrou Making off : Jimmy Golaz Camera Rental (Red VistaVision 8K) RVZ Light&Electric Rental : TSF Cannes

15/06/2019

O homem do realejo, beatnik?


O homem do realejo, beatnik?

Os dois lados do realejo

Pelo lado de cima,
o realejo é como um altar barroco,
de colunas douradas, flores grandiosas,
conchas crespas, abraço de volutas e fitas.

Pelo lado de cima,
o realejo é um pátio mágico,
onde cantam os pássaros e jorram os repuxos,
com requebros de dança
e festas de amor.

E das altas janelas voam para o realejo
pequenas moedas cintilantes,
libélulas douradas,
borboletas de prata,
pedacinhos de sol
gravitando na musica.

Do lado de baixo, a rodar a manivela,
há um homem sem emprego,
que alegra a rua.
mas tem os olhos graves.

Uns olhos que viram rios de sangue
em redor daquelas casas.
Rios de guerra,
onde boiou sua gente fuzilada e sem culpa.


Cecília Meireles, In: Poesia Completa, Viagem (1939)
Cortesia do Google


 

08/06/2019

A dança da água



A forma e a substância não podem ser separadas na obra de arte.
Oscar Wilde, A Alma Humana. Sintra: Colares Editora, p.53.


b

18/05/2019

Para Memória e Imagens

Parabéns. Memórias e Imagens.
Uma paisagem para a Margarida.

Salgueiro com as suas folhas românticas a cheirar o rio Nabão.



Margarida aqui tem um link para visitar.

https://i2.wp.com/virusdaarte.net/wp-content/uploads/2017/08/musesos.jpg


02/05/2019

In memoriam, 500 anos sobre a morte de Leonardo da Vinci

Da Vinci detalhe de um desenho sobre o estudo de Leda
Com a gentileza do Google (BBC e Arte)

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Adoro Leonardo da Vinci.
Gostaria de ter um pedacinho de um desenho...

Tenho-o em livros mas não é a mesma coisa.

Viva Leonardo da Vinci!


26/04/2019

Árvore, cujo pomo, belo e brando


Árvore, cujo pomo, belo e brando

Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruito debuxando.

Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.

Luís Vaz de Camões


13/04/2019

O ramo

 José Alejandro Inoa Jiménez,  mural - Domingo de Ramos



O ramo de Domingo de Ramos, na minha zona, é feito com louro, oliveira e alecrim.

Um passeio pelo parque do hotel das termas da Cúria.



06/04/2019

Rio conspurcado



Tudo é encontrar qualquer coisa.

Tudo é encontrar qualquer coisa. Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida. Nada se perde; só se encontra qualquer coisa. Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade.

Sentir é buscar.
s.d.

 Fernando Pessoa, Textos Filosóficos . Vol. I.. (Estabelecidos e prefaciados por António de Pina Coelho.) Lisboa: Ática, 1968 (imp. 1993), p 228.


30/03/2019

Sob a luz do poente

Sob a luz do poente, Panteão, Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha



A um Poeta

Longe do estéril turbilhão da rua, 
Beneditino, escreve! No aconchego 
Do claustro, na paciência e no sossego, 
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! 
Mas que na forma de disfarce o emprego 
Do esforço; e a trama viva se construa 
De tal modo, que a imagem fique nua, 
Rica mas sóbria, como um templo grego. 
Não se mostre na fábrica o suplício 
Do mestre. E, natural, o efeito agrade, 
Sem lembrar os andaimes do edifício: 
Porque a Beleza, gêmea da Verdade, 
Arte pura, inimiga do artifício, 
É a força e a graça na simplicidade. 


Olavo Bilac, in "Poesias"  (poema retirado do Citador)

David Fray, Jacques Rouvier, Emmanuel Christien & Audrey Vigoureux, pianos String ensemble of the Orchestre National du Capitole de Toulouse

27/03/2019

A mentira!

Olhos mudos



Olhos mudos observam a mentira,
imutáveis... nada podem fazer.
É a verdade contra uma parede falsa.
Arbítrio: verdade ou mentira?
A verdade dos inocentes versus a mentira fria
do poder do grupo sobre o indivíduo...
...Silêncio.

*****

A nossa ânsia de verdade é grande,

A nossa ânsia de verdade é grande, e por certo o que quiséramos fora, não esta doutrina do Limiar, senão a casa e o lar que há nele.

De aí a arte, feita para entretimento dos outros e nossa ocupação, dos que somos ocupáveis desse modo. Negada a verdade, não temos com que entreter-nos senão a mentira. Com ela nos entretenhamos, dando-a porém como tal, que não como verdade; se uma hipótese metafísica nos ocorre, façamos com ela, não a mentira de um sistema (onde possa ser verdade) mas a verdade de um poema ou de uma novela - verdade em saber que é mentira, e assim não mentir. (...) e assim construí para mim esta regra de vida.

Procurei a verdade ardentemente, ora com uma atenção (…)

s.d.
Fernando Pessoa


Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, 1990, p.90.


23/03/2019

Invenções!

Uma nova forma de rega para quem gosta...


The Lent Lily
’Tis spring; come out to ramble
The hilly brakes around,
For under thorn and bramble
About the hollow ground
The primroses are found.
And there’s the windflower chilly
With all the winds at play,
And there’s the Lenten lily
That has not long to stay
And dies on Easter day.
And since till girls go maying
You find the primrose still,
And find the windflower playing
With every wind at will,
But not the daffodil,
Bring baskets now, and sally
Upon the spring’s array,
And bear from hill and valley
The daffodil away
That dies on Easter day.
 A. E. Housman (1859-1936)
https://interestingliterature.com/2018/10/15/a-short-analysis-of-a-e-housmans-the-lent-lily/

22/03/2019

Hino à Primavera!

Primavera, a minha estação preferida. O sol, a luz incidente sobre as flores, a alegria.


Renascer


Árvores ainda adormecidas ... a permanência na mudança!


Inspirar a Natureza



A beleza de Botticelli na observação da Primavera.
Sandro Botticelli, Alegoria da Primavera, detalhe, Galleria degli Uffizi Florença, (c. 1480)


Imagem relacionada


.Flora, detalhe de "A Primavera", também conhecido como Alegoria da Primavera. Criação: 1477–1482




Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos,
Embalando no anseio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que à transparência das paisagens brilha.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Antologia,  Lisboa: Círculo de Poesia Moraes Editores, 1975,
p. 19


16/03/2019

Transparência



Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.


Retirado daqui: https://www.escritas.org/pt/t/1650/plano

 

07/03/2019

Para uma amiga


Para a MR com um desejo de um dia feliz.
Parabéns!

Taça dinastia Qing, 1644, reinado de Qianlong (1736-1796), Palácio da Ajuda, A ROTA MARÍTIMA DA SEDA,Museu da Cidade Proíbida

Não é uma taça para o chá, mas achei-a tão linda que é esta a minha prenda virtual.:))


Natalia Osipova e Edward Watson - Orlando pas de deux, baseado na escrita de Virgínia Woolf, 
Mrs Dalloway

05/03/2019

To see a World in a Grain of Sand


AUGURIES OF INNOCENCE

To see a World in a Grain of Sand,
And a Heaven in a Wild Flower,
Hold Infinity in the palm of your hand,
And Eternity in an hour.


William Blake, Songs of Innocence and of Experience, 1863 (excerto)


23/02/2019

Pela noite dentro...



Pela noite dentro...


Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 

Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 

Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'  (citador)


09/02/2019

Invasivos trevos

Invasivos trevos


Se
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as cisas do amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen, DOZE POEMAS uma edição da Divani & Divani, sd


02/02/2019

Um poema em doze!

O mar monocromático

Deriva


Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flôr das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri


Sophia de Mello Breyner Andresen, DOZE POEMAS uma edição da Divani & Divani, sd

[É uma caixinha muito bonita que comprei na Livraria Lumière quando visitei a Cláudia].

05/01/2019

Saudades...

Saudades dos passeios pelos canais..., Amesterdão





...e as algas como molhados cabelos empastando o rosto morto das águas.
Um som suave de rio largo, uma indecisa frescura aquática, uma saudade audível, oculta, um amarelo morto de movimento.

Leves, leves as sombras calmas.

A noite era cheia daquelas pequenas nuvens muito brancas, que se destacam umas das outras. Vista através de uma ou outra delas, a Lua tinha em seu torno um halo azul, castanho e amarelo, com uns tons supostos de verde-vivo. Entre as árvores o céu era dum azul-negro profundíssimo, longínquo, irrevogável. As estrelas viam-se ora através das nuvens, ora, muito longe, mas entre elas. Uma saudade de coisas idas, de grandes passados da alma, talvez porque em reencarnações antigas, olhos nossos, no corpo físico, houvesse visto, este luar sobre florestas longínquas, quando selvática ainda, a alma infanta talvez pressentia, por uma memória em Deus ao contrário, no futuro das suas reencarnações, esta lua retrospectiva. E assim essas duas luas davam mãos de sombra por sobre a minha cabeça abatida.
s.d.



Bernardo Soares, Livro do Desassossego. Vol.I, (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Coimbra: Presença, 1990, p. 82.



01/01/2019

1 de janeiro: " A cura"

Um novo ano, no imaginário humano todas as esperanças e promessas se renovam, o futuro pode ressarcir o passado... tudo se torna possível no ciclo da vida.
Assim, procuro nas palavras de uma amiga a cura para a Humanidade como mote de iniciação.


(...)
Hoje o que venho pedir-te é a cura para a Humanidade. Os Homens estão doentes. Assistimos a todo o momento a guerras em praça pública e a julgamentos em busca de aplausos: "ele é mau, porque eu sou bom"; "ele não sabe, eu é que sei"; ele isto, eu aquilo... Como se pode sentir bem um homem que julga outro em busca de proveito próprio? E como podem outros aplaudir comportamentos assim? E onde fica a tão apregoada solidariedade? Todos somos imperfeitos, mas o Homem tornou-se egoísta e "apontar o dedo" é, infelizmente, mais fácil e rápido do que olhar para dentro de si. 

Proliferam atitudes como a rivalidade, a inveja, a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a má-língua, a corrupção, o oportunismo, a conveniência – uma longa lista. Durante uns dias a Humanidade irá fingir que é Carnaval, colocar as suas máscaras e engalanar-se para as festas. Vai dar-se o mundo embrulhado em laços coloridos de amizade, amor e solidariedade. 
Por isso, Menino Jesus, neste Natal, queria pedir-te que fizesses com que os homens se tornem mais conscientes e melhores, pois, se isso acontecer, o mundo poderá retomar um pouco do seu equilíbrio perdido e seremos todos muito mais felizes.

Graça Alves, Carta ao Menino Jesus

(clique no nome para ver o texto completo)

Com a cortesia do youtube, porém é uma pena estar mal filmado



Aqui fica outro vídeo onde se pode ver bem a expressão corporal do bailarino.

Arquivo