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30/10/2017

Esqueço-me...

O trabalho, as viagens e a rotina levam ao esquecimento de mim.
Daí estar em falta com todos, daí estar ausente...
Até o livro que estou a reler se ressente. Um livro que li há muito tempo, e que na nova leitura está a despertar momentos diferentes. Um livro que fala de amor, da vida e da morte.

Tokuriki Tomikichiro, Fuji e Sakura
https://www.etsy.com/listing/484502397/japanese-art-mountain-fuji-and-sakura

O título é a Montanha Mágica de Thomas Mann. Deixo um excerto para louvar a vida.

Oh, o amor  nada é, se não é loucura, uma coisa insensata, proibida, uma aventura no mal. De outro modo seria banalidade agradável, que só prestaria para sobre ela se fazerem cançõezinhas pacíficas nas planícies.

Thomas Mann, Montanha Mágica ( Tradução de Herbert Caro).Lisboa: Edição Livros do Brasil, s.d.,  p. 358.

07/10/2017

Montanha Má[G]ica

Regresso à Montanha Magica.

G de garfo


«dilema da alma humana»a (...) Uma alma sem corpo é tão desumana e atroz como um corpo sem alma. O primeiro é, aliás uma rara excepção, e o segundo é regra. Regra geral é o corpo que tem supremacia, açambarca toda a vida, toda a importância, e emancipa-se da maneira mais repugnante.

Thomas Mann, A Montanha Mágica, ( Tradução de Herbert Caro). Lisboa: Livros do Brasil, s.d. p.106.




26/02/2014

Cinema e leituras...

Saving Mr Banks (de John Lee Hancock) ficou aquém das minhas expectativas. Emma Thompson é perfeita no papel de Pamela Travers. Liguei a película ao livro que ando a ler. Quem viu o filme ou quem for ver perceberá o porquê.

«Sabe, meu caro senhor, o que é a desilusão?» perguntou, num tom baixo e apressado, agarrando a bengala com ambas as mãos. «Não o mau êxito em pequenos assuntos insignificantes, mas a desilusão grande, geral, que engloba tudo, o que faz parte da vida? Não, claro, não sabe. Mas eu tenho sido acompanhado por ela desde a juventude; ela tornou-me solitário, infeliz, e, não o nego, um pouco excêntrico.»

Thomas Mann, "Desilusão" in Os Melhores contos de Thomas Mann. (Selecção de Manuel de Seabra, prefácio de Domingos Monteiro, desenhos de Júlio Gil). Lisboa: Arcádia, 1958, p. 117. [Um livro que me é caro]

Pamela Lyndon Travers (anos cinquenta). Fotografia: Popperfoto/Getty Images
PL Travers, wrote Mary Poppins series of books

Julie Andrews em Mary Poppins, um filme genial. (wikipedia)


Julie Andrews continua linda.

07/07/2013

Gustav Mahler , uma homenagem

Rodin, Gustav Mahler, Museu Rodin, Paris

Click!

Mahler de Rodin, fotografia de Reanaud Camus
Le Jour ni l’Heure 7552 : Auguste Rodin, 1840-1917, buste, 1909, de Gustav Mahler, 1860-1911, plâtre, villa des Brillants, demeure du sculpteur à Meudon, Hauts-de-Seine, Île-de-France, dimanche 12 août 2012, 17:

Hélène Bouchet eThiago Bordin, a minha escolha para homenagear Gustav Mahler que nasceu a 7 de Julho, de 1860, em Kaliště (Praga) na República Checa. 
Adagietto, um movimento, da Sinfonia nº 5, foi escrito por Gustav Mahler em 1901 e 1902. (Wikipedia)



Adagietto de Mahler foi utilizado no filme: Morte em Veneza de Visconti, baseado no livro de Thomas Mann com o mesmo título. Foi com este filme que conheci Mahler, daí o registo.
(Imagem cortesia do google)

A solidão produz a originalidade, a beleza ousada e singular, o poema. Mas também será a fonte de tudo quanto for errado, desproporcionado, absurdo, ilícito. 

Thomas Mann, in A Morte em Veneza

13/07/2012

Coincidências

Ontem ao descer uma das escadas da cidade encontrei um barquinho de papel. apanhei-o, sorri, e guardei-o.
Um barquinho para nos levar a viajar. Sonhei com a ida a Veneza, agora um sonho adiado. Da Biblioteca Municipal havia trazido o livro de Steve Berry, A Traição Veneziana. O cenário veneziano entrara assim, nas minhas leituras.
À tarde, tinha em casa um presente que era a oferta de uma viagem a Veneza. A minha amiga Cláudia Ribeiro, da Livraria Lumière, enviou-me o roteiro de Veneza, ofereceu-me a viagem sonhada. Obrigada Cláudia por Veneza ter entrado em minha casa. Há quem diga que não há coincidências!

Jane Gatti deixou-me roubar este poema que casa muito bem com este presente, pois abriu a minha janela de par em par para ver a poesia de VENEZA. 


Emergência 


Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mário Quintana daqui

Praceta San Marco, Fotografias do roteiro são do Archivio Plurigraf*.
O barquinho, a sua base mede 2 cm (eu não conseguiria fazer um tão pequenino)


Vista do Canal Graad da Riva del Vin*


Roteiro de Veneza e o livro de Steeve Berry


Vista panorâmica sobre a punta della Doganae sobre a Igreja da Salute, Veneza*


Morte em Veneza revisitado, revisitado... pois é um dos filmes (e livro) da minha vida


Flores para a Cláudia. :)

30/12/2011

O espelho, a beleza... Balanços!

Acerca da beleza Oscar Wilde em O Retrato de Dorian Gray afirma: O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível...

Da beleza o que importa: é o que reflete o espelho? ou o que está do outro lado do espelho?



Montra junto ao Chiado

Thomas Mann vê deste modo a beleza:

A Beleza Maior é a que não se Vê
- Hoje, durante o meu passeio matinal, vi uma linda mulher... Meu Deus, que linda que ela era! (...)
- Sério, sr. Spinell? Descreva-ma então.
- Não, não posso! Dar-lhe-ia uma imagem imperfeita dela. Ao passar, mal a vi; na verdade, não a vi. Apercebi-me, porém, da sua sombra esfumada, e isso bastou para me excitar a imaginação e guardar dela uma imagem de beleza. Meu Deus, que linda imagem!
A mulher do sr. Klöterjahn sorriu.
- É essa a sua maneira de olhar para as mulheres bonitas, senhor Spinell?
- Sim, minha senhora, é; é muito melhor do que olhá-las fixamente na cara, com uma grosseira avidez da realidade, para no fim ficarmos com uma impressão falsa...
Thomas Mann, in "Tristão" (retirado do citador)

Pergunto eu:

- Qual deles está mais de acordo com a realidade?

Balanços de 2011.

21/07/2011

Da Beleza II e evocação conjunta

Acerca da beleza, num post anterior, Gustav Aschenbach, personagem principal de "A Morte em Veneza" de Thomas Mann, afirmava:
«- A criação da beleza e da pureza é um acto espiritual».
Alfred, amigo e compositor de Gustav, retorquiu:
«- Não, Gustav. Não! A beleza pertence aos sentidos».

No blogue Memórias e Imagens, Margarida Elias transcreveu a noção de beleza do arquitecto Raúl Lino, do qual retirei este pequeno trecho:

« (...) beleza é o próprio sol, e se o queremos fitar, temos de fazer uso de um vidro fumado para que não fiquemos cegos com o deslumbramento dos seus raios. (...) é apenas para nosso uso particular (...); pelo menos, quando nós conhecermos a fórmula absoluta que revela a nudez deslumbrante da ideia de beleza (...) nunca nós publicaríamos o seu retracto; pelo contrário, guardá-lo-íamos no mais recôndito escaninho da casa-forte das nossas emoções (...)». Raúl Lino (1933).

Os dois trechos entrelaçam-se numa noção dicotómica de beleza: a do campo das emoções, dos sentidos, e a intelectual do campo espiritual. Isto é, a particular e a universal; a primeira, pelo que depreendo, segundo Raúl Lino, deve estar resguardada no mais íntimo de nós. O arquitecto previne que o intelecto deve olhar a beleza controlando as emoções provavelmente, para na sua análise não se imiscuir o afecto. Poderá este conceito entrar em comunhão com a filosofia da sua arquitectura inconfundível, o espírito prático conservando a cultura de um povo.
Obrigada Margarida por ter atendido ao meu pedido.

«Feche os olhos e veja com a alma, se gostar ... é belo.
Ver as vezes atrapalha, as vezes define, como a beleza, ou cega ou desanuvia.» Cozinha dos Vurdóns
O comentário da Cozinha dos Vurdóns comunga dos dois sentidos do conceito e alia-se com excelência ao acima transcrito.

Hoje aproveito para focar ainda a beleza da escrita em evocação a Hemingway que nasceu a 21 de Julho de 1899. Conviveu em Paris com pintores de vanguarda: Picasso, Miró, Masson e Gris, grupo que ficou conhecido pela "Geração Perdida". O escritor apreciava arte por isso na minha homenagem dedico-lhe um prémio que ganhei num desafio de Verão: O Ratinho e a pintura de MJ Falcão do blogue O Falcão de Jade. Agradeço os três prémios que ganhei e vou guardar na galeria das minhas fotografias.

MJ Falcão, Portalegre, uma cidade especial para mim


Pintura e fotografia de MJ Falcão


Advice to a son

Never trust a white man,
Never kill a Jew,
Never sign a contract,
Never rent a pew.
Don't enlist in armies;
Nor marry many wives;
Never write for magazines;
Never scratch your hives.
Always put paper on the seat
Don't believe in wars,
Keep yourself both clean and neat,
Never marry whores.
Never pay a blackmailer,
Never go to law,
Never trust a publisher,
Or you'll sleep on straw.
All your friends will leave you
All your friends will die
So lead a clean and wholesome life
And join them in the sky.

Ernest Hemingway




Da música: passado mais remoto, a beleza dos sentidos



Um passado mais recente, a beleza da alma



Grata a MJ Falcão, Margarida Elias e Cozinha dos Vurdóns e a todos que me falaram de beleza.

18/07/2011

Da Beleza

A beleza na ausência de imagem e de som.

A beleza ou a busca do sublime.

Visconti revisitado.

(...)
Aschenbach notou com espanto que o rapaz era de uma beleza perfeita. (...) a expressão de seriedade afável, digna de um deus, lembravam uma escultura grega do período áureo, sendo que à mais pura perfeição da forma aliava-se um encanto pessoal tão exclusivo que o observador acreditava jamais ter encontrado, quer na natureza, quer nas artes plásticas, algo que se aproximasse de um acabamento tão feliz.
(...)
Gustav Aschenbach: A criação da beleza e da pureza é um ato espiritual.
Alfred*
: Não, Gustav. Não! A beleza pertence aos sentidos. Somente aos sentidos!
Gustav: Você não tem como alcançar o espírito... Você não tem como alcançar o espírito através dos sentidos. É somente através do absoluto controle dos sentidos que se pode,algum dia, alcançar sabedoria, verdade e dignidade humana.


Thomas Mann, A Morte em Veneza


Adaptado ao filme de Visconti, trecho retirado daqui.


*Amigo e compositor no filme de Visconti.


O que é a beleza?...

06/06/2011

Tédio - Thomas Mann

Thomas Mann nasceu a 6 de Junho de 1875 em Lübeck. Entre os livros que escreveu escolho a Montanha Mágica para hoje o homenagear. Para além deste livro, houve outro que me tocou imensamente: A Morte em Veneza, um dos mais belos livros que li e que aqui trarei em altura oportuna.

O tédio foi o mote que me levou a registar este trecho. Tédio esmaga e mata.


Max Oppenheimer, Thomas Mann, 1926



Óleo sobre tela, 59 x 49,2 cm, Wien Museum Karlsplatz, Vienna, Austria


Crê-se em geral que a novidade e o carácter interessante do seu conteúdo "fazem passar" o tempo, quer dizer, abreviam-no, ao passo que a monotonia e o vazio estorvam e retardam o seu curso. Mas não é absolutamente verdade. O vazio e a monotonia alargam por vezes o instante ou a hora e tornam-nos "aborrecidos"; porém, as grandes quantidades de tempo são por elas abreviadas e aceleradas, a ponto de se tornarem um quase nada. Um conteúdo rico e interessante é, pelo contrário, capaz de abreviar uma hora ou até mesmo o dia, mas, considerado sob o ponto de vista do conjunto, confere amplitude, peso e solidez ao curso do tempo, de tal maneira que os anos ricos em acontecimentos passam muito mais devagar do que aqueles outros, pobres, vazios, leves, que são varridos pelo vento e voam. Portanto, o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos. O hábito é uma sonolência, ou, pelo menos, um enfraquecimento do senso do tempo, e o facto dos anos de infância serem vividos vagarosamente, ao passo que a vida posterior se desenrola e foge cada vez mais depressa, esse facto também se baseia no hábito.



Thomas Mann, A Montanha Mágica, Lisboa: Livros do Brasil, p. 110-111. (Trad. Herbert Caro)

22/08/2010

A beleza da Morte em Veneza... movimento.

A beleza é a razão de viver. Ela aguça-nos o espírito, faz-nos esquecer a tristeza e eleva-nos até às nuvens! Assim, foi o que me aconteceu quando há uns anos li "A Morte em Veneza", vi o filme de Visconti e, quando no youtube, vi este bailado com o mesmo tema.
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"Pois só a beleza, meu Fedro, e só ela, é digna de ser amada e visível ao mesmo tempo: ela é — nota bem! — a única forma do espiritual que recebemos através dos sentidos e que podemos suportar pelos sentidos. Ou então, o que seria de nós se, por outro lado, o divino, a razão, a virtude e a verdade se nos quisessem revelar através dos sentidos? Acaso não morreríamos e nos consumiríamos de amor, como outrora Sémele perante Zeus? Assim, a beleza é o caminho do homem sensível para o espírito — só o caminho, um meio apenas, pequeno Fedro..."
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Thomas Mann - Morte em Veneza, Lisboa: Círculo dos Leitores, 1990, p.84

Jorge Donn performs Adagietto by Bejart in St.Petersburg, Russia; 5ª Sinfonia de Gustav Mahler (Adagietto).

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