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18/05/2016

Fotografar no Museu

No Dia Internacional dos Museus recordo a
Galeria Nacional Húngara 
a quem felicito por deixar fotografar o seu espólio. 
Nem sempre é fácil comprar os guias ou colecções dos museus. 
Podermos guardar a arte que mais nos tocou, é um privilégio.

Imra Szobotka, Nu reclinado, 1921,

"Pranto sem lágrimas" seria um título para esta tela...

Boa noite!

31/03/2013

Uma passagem na rua

Budapeste, uma passagem na rua 

SEM TI

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.

 Eugénio de Andrade, In Até Amanhã (Banco de Poesia Casa Fernando Pessoa)

27/01/2013

El Jardín - lembrando o Holocausto

Sinagoga de Budapeste, em
Memória dos que pereceram


Pranta Bass  viveu no gueto de Theresienstadt e com 12 anos escreveu:

El jardín

Pequeño, pero lleno 
de rosas, el jardín 
va por el camino 
niño pequeño 
niño precioso
lindo como un pimpollo 
cuando se abra el pimpollo 
muerto estará 
el niño pequeño.

Bess P., Aquí no hay mariposas. Dibujos y poemas de los niños del gueto Theresienstadt, legado y biblioteca obrera, a través del Museo Nacional Judío de Praga, 1990. 

Pranta Bass foi assassinado dois anos depois em Auschwitz. Em sua memória e na de todos que pereceram no Holocausto.

22/11/2010

Um anjo?

De Budapeste trouxe esta memória, uma escultura que ainda hoje me atormenta: O Génio da Morte.

Em plena época da Art Noveau (ou ainda resquícios de romantismo?), o escultor criou a peça com umas grandes asas, será a morte libertadora? x

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Donáth Gyula (1850-1909), The Genius of Death




Galeria Nacional Húngara, Buda, Budapeste, Húngria




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Trouxe Liszt na bagagem - Harmonies poétiques et religieuses, S.173 - 6. Hymne de l'Enfant à son réveil

Piano Leslie Howard






E a beleza de Peste vista de Buda, Budapeste, Húngria


29/09/2010

A Janela

Aurél Bernáth foi um pintor húngaro. Combateu na 1ª Guerra Mundial e foi influencido pelos pintores expressionistas alemães.
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Bernáht Aurel, Manhã, 1927

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Galeria Nacional Hungara, Buda, Budapeste, Hungria


Um número finito de objectos está colocado estrategicamente para tirar partido da pequena mesa junto à janela. Nela estão depositados um livro aberto, uma jarra, flores em oblíquo num espaço quase sem cor do mobiliário. A janela é apenas a moldura de uma pintura, um espaço azul, verde, cinza com um leve toque de amarelo.

Entre as sombras, no parapeito da janela, surge num deslavado traço uma hipotética jarra de vidro transparente que o pintor quis apagar. Não não quis apagar..., do traço ténue fez nascer um aquário.

21/09/2010

Suspensos...o voo ou a queda?

Entre a luz e a sombra o voo ou a queda?

Suspensos como marionetas os homens dançam contra o tempo, as marés, a luz e a sombra. Rasgam os céus cobertos com tectos de opacidade branca. Ali observam os olhares curiosos e mudos nada podem dizer ao escultor que os criou.

Na dinâmica do movimento, arrastados por uma leve brisa, olham mudos para o chão vazio.

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Instalação sem título, Galeria Nacional de Budapeste, Buda, Hungria

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...a queda!

17/09/2010

Caem os sonhos... a flor perece entre a água.

Buda, Bastião dos Pescadores, Budapeste, Hungria



Caem os sonhos,
quando fecho os olhos
e as cores se perdem.
A flor perece entre a água.

16/08/2010

Das viagens... o Desassossego!

O Danúbio e Parlamento de Budapeste, Hungria


As viagens perturbam. Trago na bagagem o que Fernando Pessoa colocou no seu Livro do Desassossego:

"De qualquer viagem, ainda que pequena, regresso como de um sono cheio de sonhos - uma confusão tórpida, com as sensações coladas umas às outras, bêbado do que vi.
Para o repouso falta-me a saúde da alma. Para o movimento falta-me qualquer coisa que há entre a alma e o corpo; negam-se-me, não os movimentos, mas o desejo de os ter
".

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Assírio & Alvim, 3.ª edição, Lisboa, 2008, p. 131 (texto 122)


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Ninguém gosta de almas perturbadas, por isso vou fechar a alma!

09/08/2010

A perturbação enriquece!

No Museu de Belas Artes de Budapeste vi este busto de uma "Parca" que me perturbou, não só por causa da peça escultórica estar tão realista mas, também, pela sua falta de beleza. Infelizmente tinha pouca informação, a loja do museu estava em obras e não consegui encontrar em inglês um bom catálogo da exposição. Julgo que poderá ser uma cópia.
Esta Parca era uma das três deusas, ou moiras na mitologia grega, que determinavam o curso da vida ou o destino.
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Parca, cerca de 1600, de um mestre italiano não identificado.

Museu de Belas Artes, Budapeste, Hungria

A perturbação enriquece!

Em Roma, as Parcas (equivalentes às Moiras na mitologia grega) eram três deusas: Nona (Cloto), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos).

Determinavam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Júpiter (Zeus) podia contestar suas decisões.

Nona tecia o fio da vida, Décima cuidava de sua extensão e caminho, Morta cortava o fio. Eram também designadas fates, daí o termo em ingles "fate"(destino) é interessante notar que em Roma se tinha a estrutura de calendário solar para os anos, e lunar para os actuais meses. A gravidez humana é de nove luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio da vida no útero materno, até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o individuo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento.


Sobre o Caminho

Nada

nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra

Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença

Não colecciones dejectos o teu destino és tu

Despe-te
não há outro caminho

Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água"

08/08/2010

Um concerto em Budapeste

As torres da Basílica de Santo Estevão cortam os céus e tornam a praça, ladeada por cafés e restaurantes, num espaço muito agradável. Assisti a um concerto de órgão com o solista Gyula Pfeiffer, acompanhado pelo trompetista György Geiger, a violinista Éva Dúlfalvy e as vozes da soprano Susanna Skoff e do tenor Láslzló Honinger, foi belo!
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xBasílica Franciscana de Santo Estevão, dedicada ao santo que foi o primeiro rei da Hungria.
A construção foi iniciada em 1851.

Uma das cúpulas da Basílica
Nathan Milstein toca Massenet Thais Meditation, uma das músicas do concerto


06/08/2010

Vinheta 9 - Memorial do Holocausto

Os Justos não são vencedores mas a sua verdade é !

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O Memorial do Holocausto é uma belíssima escultura que encontrei em Budapeste. É composta por um salgueiro-chorão onde cada folha tem inscrito um nome. A beleza da peça é maior se pensarmos que o choro representa a desumanidade das políticas anti-semitas e do genocídio praticado.



Imre Varga, Memorial do Holcausto, 1991, Budapeste, Hungria.




A escultura foi criada por Imre Varga em memória dos 600 000 judeus húngaros mortos pelos nazis na II Guerra Mundial. Foi inaugurada em 1991 e foi subsidiada em parte pelo actor Tony Curtis.

A escultura encontra-se no pátio da Grande Sinagoga construída em estilo bizantino-mourisco pelo arquitecto vienense Ludwig Förster, entre 1854-1859.


Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

Jorge Luis Borges, in "A Cifra" (1981) Obras Completas III, 1975-1985, Lisboa: Teorema, 1989 (Tradução de Fernando Pinto do Amaral), p.340.

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