30/10/2017

Esqueço-me...

O trabalho, as viagens e a rotina levam ao esquecimento de mim.
Daí estar em falta com todos, daí estar ausente...
Até o livro que estou a reler se ressente. Um livro que li há muito tempo, e que na nova leitura está a despertar momentos diferentes. Um livro que fala de amor, da vida e da morte.

Tokuriki Tomikichiro, Fuji e Sakura
https://www.etsy.com/listing/484502397/japanese-art-mountain-fuji-and-sakura

O título é a Montanha Mágica de Thomas Mann. Deixo um excerto para louvar a vida.

Oh, o amor  nada é, se não é loucura, uma coisa insensata, proibida, uma aventura no mal. De outro modo seria banalidade agradável, que só prestaria para sobre ela se fazerem cançõezinhas pacíficas nas planícies.

Thomas Mann, Montanha Mágica ( Tradução de Herbert Caro).Lisboa: Edição Livros do Brasil, s.d.,  p. 358.

21/10/2017

Natureza-morta

Natureza -morta

lusão ou realidade?
Será real ou uma pintura hiper-realista?


As ilusões sustentam a alma como as asas sustentam o pássaro.
Victor Hugo


16/10/2017

Para a Maria João

Um ano atípico, este que está a correr. O relógio anda muito depressa e eu perco-me e deixo as lembranças importantes esfumarem-se.

À Maria João, uma mulher muito especial, pela sua sensiblidade, pelo seu sentido estético, pela sua vasta cultura, mas acima de tudo pela sua humanidade, deixo um beijinho de parabéns e faço votos para que tenha tido um dia muito feliz! 

Botticelli, Coragem, Galleria del Uffizi, Florença

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Para o amigo

João Menéres com o desejo de um dia muito feliz!
Um brinde à amizade, vou adiar os festejos. Está bem? 
 :))


Porque é pequenino aqui vai esta mostra da
Filmoteca da Junta de Castilla y Léon, Salamanca




14/10/2017

Ocaso

A ocaso nada de novo

Quem contempla desapaixonadamente, não contempla.

Jorge Luís Borges (citador)


12/10/2017

Velhice

João Augusto Ribeiro, O Pescador, c. 1917,
Museu Soares dos Reis, Porto


Dizem que as sociedades atuais não são para velhos...
Não queria crer, mas começo a acreditar que é verdade. 
É lamentável? 
É. 
O que fazer? 
Não sei.

Velhice

Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os pulmões viciados
E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.

Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.

O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de uma mocidade criadora.


Vinicius de Moraes, 1933


07/10/2017

Sem palavras

Sem palavras, só assim posso dedicar esta postagem à Cláudia, da Livraria Lumière, uma amiga especial de quem me esqueci. Aquela, precisamente, que não queria esquecer. Será possível?

Cláudia é com um beijinho que lhe ofereço estas obras de arte fabulosas que gostaria de poder oferecer na realidade, não hoje mas no dia 6 de Outubro. A si, como é obvio e para selar a nossa amizade, agora com a ferida de um esquecimento imperdoável, teria que lhe dar o coração da amizade.

"Codex Rotundus", c. 1480, escrito em latim e francês,
diâmetro 9 cm, Biblioteca de Hildesheim, Alemanha



Livro de Horas de Amiens, século XV

Livro de Horas com cenas da Natividade e da Ressurreição de Cristo, 
último quartel do século XVI, Copenhaga,  6,1x6,1x2,2 cm,
Pinterest
Prayer-Book with Scenes of the Nativity of Christ and the Resurrection  Last quarter of the 16th century Copenhagen  gold, cut diamonds, rubies, emeralds, paper and gouache Technique: chased, enamelled and painted Dimension: 6,1x6,1x2,2 cm

Livro de horas, Livro das horas ou ainda Livro missal é um livro de devoção criado por devotos no final da Idade Média. Em geral, continha o calendário das festas e dos Santos, as Horas da  Virgem, da Cruz, do Espírito Santo e dos mortos (Liturgia das Horas), as orações comuns e os salmos penitenciais. Estes livros eram ricamente ilustrado com iluminuras.


Montanha Má[G]ica

Regresso à Montanha Magica.

G de garfo


«dilema da alma humana»a (...) Uma alma sem corpo é tão desumana e atroz como um corpo sem alma. O primeiro é, aliás uma rara excepção, e o segundo é regra. Regra geral é o corpo que tem supremacia, açambarca toda a vida, toda a importância, e emancipa-se da maneira mais repugnante.

Thomas Mann, A Montanha Mágica, ( Tradução de Herbert Caro). Lisboa: Livros do Brasil, s.d. p.106.




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