Da casa de Jorge Amado, Picasso, com um desejo de um final de dia feliz!
Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!
Jorge Amado, Nem a rosa, nem o cravo..., Folha da Manhã, 1945
Este desenho foi realizado, tanto quanto soube, por um pintor amigo do João para o livro de curso. A fotografia é do João mas eu recortei-a pois não estava em destaque; estava sim, no seu escritório antes da mudança.
Julgo que agora tem um novo espaço, onde desejo seja muito feliz e tire o melhor partido dele.
À eterna juventude!
O João é um homem generoso, de ideias convictas, com uma energia fabulosa, com bom gosto e sensibilidade. Como o seu signo refere que não gosta de bajulação aqui ficam os possíveis defeitos: poderá ser teimoso (mas qualquer ser exigente o é) e ainda, poderá não gostar de perder um debate, mas quem gosta?
Não sei qual é a fonte donde se abastece mas a água é excelente e fresca. :))
À Myra, ao João e a José Pinheiro dou os parabéns pelo livro bonito que concretizaram.
Ao receber o livro e após a sua leitura sentei-me a pensar: o que é que ele me trouxe, qual o seu impacto? Provocou-me?
As minhas escolhas recaíram nas imagens e nos versos que apresento.
Foram as imagens ou as palavras que ditaram a escolha? Foram ambas, contudo, a escrita teve importância, sim. O que me levou a lembrar o filme protagonizado por Juliette Binoche e Clive Owen: Falar de Amor. Nele conclui-se que nem é mais importante a imagem, nem a escrita mas a simbiose perfeita entre as duas.
Os versos e as imagens que escolhi provocaram o meu sentido estético. Não pude deixar de ligar o presente ao passado, a imagem como reflexo da nossa visão sensitiva e cognitiva, o espelho como reflexo de um eu mais profundo e invisível.
O PASSADO / PRESENTE, daí a escolha da tapeçaria A Dama e o Unicórnio (Visão) e o Banho, atribuído a Van Eyk, a presença do espelho como a consciência da alma para acompanhar o Reflexo.
REFLEXO
vertigem
queda sem fim
espelho de luz
confronto de mim
Myra Landau e João Menéres, Imagini, Edição www.qualquerideia.com, ( Introdução e textos de José Pinheiro) 2015, p. 17,18 e 19.
Nas imagens que se seguem vi a mulher, centro do amor e da arte.
Myra escreveu: amar demais dói...amor amor... Escolhi a tela de António Ramalho por causa da cor do atelier onde o escultor cria a mulher/amor e ainda a Eva de Memling que está presente na fotografia e nos versos. A nudez sugerida representa o amor.
MULHER
eva que fora
era eu sem ser
seria ela
sem eu saber?
Myra Landau e João Menéres, Imagini, Edição www.qualquerideia.com, ( Introdução e textos de José Pinheiro) 2015, p. 33, 34 e 35
António Monteiro Ramalho,
o escultor Alberto Nunes no seu atelier, 1887 Hans Memling, Eva, c.1485
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha Kunsthistorisches Museum, Viena
Parabéns Myra Landau, João Menéres e Jorge Pinheiro
Desejo que seja um belo acontecimento.
«Quem sabe ver vê para lá do olhar. Olha para além da vista. Quem sabe ver eterniza pessoas. Fixa lugares. Desvenda sentidos. Antes era nada. Agora são cores e formas. Curvas e rectas. Êxtase e esplendor. As imagens podem impressionar. Alegrar. Seduzir. Podem matar e ser mortas. As imagens são tudo o que se quiser. Porque elas não existem. Somos nós que as criamos.»
A ida ao Porto teve como objectivo ver esta exposição:
ecos de uma geração, o homem e a cidade, no Museu Soares dos Reis mas primeiro que tudo conhecer o João Menéres.
João Menéres um dos fotógrafos dosecos de uma geração junto das suas fotos.
Uma das fotos do João que me encantaram. Do catálogo.
A Paula Rêgo podia ter pintado uma tela inspirada nesta fotografia
Sala de exposição, panorama geral.
Um dia bem passado, um dia entre amigos.
Obrigada João, Cláudia, Alexandra e M.
Estive com as minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. Conheci a M.
A malandra da Alexandra escondeu-se. A Cláudia também tentou mas eu ainda a apanhei.:))
Livraria Lumière
Ao almoço estivemos três mulheres a saborear a deliciosa comida portuense com um copo de vinho branco verde para nos refrescarmos dos 29 graus, mas desse momento não tenho registo.
Porto, o Casario.
Quando cheguei a casa tinha uma surpresa do Amigo Henrique Antunes Ferreira
à minha espera:
Goa chegou até mim. Obrigada. Um dia destes a rã voltará aqui.
Também trarei mais apontamentos do Porto.
PORTO SENTIDO
Quem vem e atravessa o rio Junto à serra do Pilar vê um velho casario que se estende até ao mar
Quem te vê ao vir da ponte és cascata, san-joanina erigida sobre um monte no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas da Ribeira até à Foz por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério num rosto e cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria
[refrão] Ver-te assim abandonada nesse timbre pardacento nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez em cada regresso a casa rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa
O meu amigo João Menéres, do Grifo Planante, honrou-me com este convite.
Muito obrigada. Respondendo:
O mundo seria muito mais feliz se ...
o homem procurasse a maravilha.
Uma amizade é realmente importante quando ...
a verdade impera.
Paciência e tolerância são para mim ...
da primeira, tenho pouca, daí que o cúmulo da paciência é esperar com um sorriso :)); da segunda, aceitar sem reservas as diferenças.
Algo que me irrita profundamente é ...
a soberba.
Acho que as pessoas mais humildes ... estão mais receptivas à luz.
Quando o dia amanhece nublado eu ...
recordo Dom Sebastião... e sorrio porque ele trará o sol. :))
Uma qualidade indispensável nas pessoas é ...
saber escutar, observar, dar um abraço nas horas amargas.
Para concretizar a gentileza do João tenho que convidar seis amigas.
Vou fazer por ordem alfabética. À semelhança do que afirmou o meu amigo João, sintam-se à vontade para não aceitar o convite.
Inicia-se hoje uma nova rubrica: aprazíveis diálogos. Partindo do Norte, o João, do Grifo Planante, enviou a belíssima fotografia acompanhada com o texto da sua lavra.
Obrigada, João!
À(s) mãe(s) um dia feliz repleto de rosas!*
João Menéres, Noite de S. João
Tranquilamente a grande noite de S. João cai sobre a Cidade.
Nas margens o burburinho da multidão entusiasmada já se fazia sentir.
O tabuleiro superior da Ponte Luiz I enchia-se de gente, indiferente à passagem do Metro.
Eu, num rabelo transformado em barco de turismo, também indiferente ao jantar que se estava já a servir, só queria viver de forma diferente essa noite tão distinta de outra noite qualquer.
Olhava extasiado para as margens que me abraçavam.
Do lado do Porto, tinha o recorte denteado da muralha fernandina, a cúpula do Paço Episcopal...
Ao fundo, já adivinhava a clarabóia do Palácio da Bolsa e a Igreja de S. Francisco.
As gaivotas, ignorando que era a grande noite, a noite que só teria fim de madrugada quando os rapazes e as moçoilas mergulhassem nas águas da Atlântico, lá para a Foz do Douro, as gaivotas, dizia, recolhiam aos seus habituais poisos nocturnos.
A noite estava cálida : tinha dispensado o habitual orvalho.
Os ranchos cantavam Por ti meus olhos andaram Durante a noite perdidos, De manhã fui dar com eles Dentro dos teus...escondidos S. João fica contente Ao escutar as cantigas... Que são a alma da gente Na boca das raparigas...
Um dia muito feliz. :) Aqui com Robert Doisneau e Henri Cartier-Bresson
«Se ao fazer um retrato, o que se espera é captar o silêncio interior de uma vítima anuente, é muito difícil introduzir-lhe a máquina fotográfica entre a camisa e a pele...»
18-1-1996
Henri Cartier-Bresson, in O imaginário segundo a natureza. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2004, (Tradução de Renato Aguiar) p. 95.
A Casa da Música no Porto rasga a paisagem, torna-se um grito que emerge do solo ao relacionar-se com o casario que o envolve. Bela na sua magnificência, extravagante nos seus gastos, ali se ergue imponente. Não ensurdece, na sua árida pedra ouve-se a límpida melodia.
Casa da Música, Porto
Relacionando esta Casa com uma poetisa "portuense"** , dela registo as palavras que li recentemente:
«A água desempenharia um papel musical, como o acompanhamento duma sinfonia de verdura.»
Porto, 14 de Julho de 2004,
Agustina Bessa-Luís*, no livro: revelação da água, texto de Agustina Bessa-Luís, fotografia de João Menéres. Porto: Edição, João Menéres, 2005.
Este edifício não tem um ponto que dê um enfoque à água mas a música assemelha-se a essa preciosidade que «sempre foi relacionada com a fonte da vida»*.
[Um livro belíssimo em imagem e em palavras, voltarei a ele, se os autores não se importarem].
**Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã-Amarante.