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29/12/2014

2 versos do O'neill

Sabes por que se diz
                             «gemem os prelos?»
não penses que é por ti.

Dois versos de Aexandre O'neill de «A um poeta que deixou de comparecer nas antologias»
Poesias Completas, 1954-1984.
Impresso na Biblioteca Nacional no dia 14  de Novembro de 2014.
Edizioni Troppe Inchiostro

Agradeço os versos enviados por MR.

Duas imagens que caso com os dois versos de O'neill:
o Sol de Inverno
que parte muito rapidamente.

 Sábado 16:30 horas

Sábado, 17:10 horas

A brochura é muito bonita.

E um dos poemas de O'neill cantado por Mariza.

09/08/2013

Motete

As motocicletas, o fado e os livros
Escultura de Celestino Alves André, oferecida pela Junta de freguesia de Almedina

MOTETE

TOMA A MOTA MONTA. ARRANCA: AÍ VAIS TRAQUEJANDO.
QUE TARA. QUE PONTA.QUE TARAPONTA. ESTÁS NA MONTRA
MAS NÃO PARTAS A TONTA. RÁPIDO Ó PÁ DERRAPA. ACELERA
JÁ. OLHA O TARADO TRAVA. LEVANTA-TE. ESTÁ NA HORA.
PAGA.

Alexandre O'Neill, ANOS 70, poemas dispersos. Lisboa: Assírio e Alvim, 2009,  (2ª edição), p. 22.


16/02/2011

Entre pedras palavras...

As lutas travadas no Irão levaram-me a pensar que, apesar da primeira década do século XXI já ter sido vivida, os problemas de fundo do século XX mantêm-se inalteráveis. A tirania, o fundamentalismo, a falta de liberdade, a falta de democracia e as assimetrias imperam num mundo cada vez mais desumanizado, despojado de idealismos e couraçados de um economicismo constrangedor. Será que a coragem vencerá? Será que algum dia o sol nascerá para todos?

Os pensamentos e o cansaço levaram-me à poesia de O'Neill e à pintura de Spyker: Medo, Coragem, Santuário.
Boa noite!
x
David Jay Spyker Fear, Courage, Sanctuary,1996


Acrylics on Panel,12 x 9 in., Private Collection: Holland, Michigan

Teerão, Imagem daqui


ENTRE PEDRAS PALAVRAS

Que estupidez o sangue nas calçadas!
O sangue fez-se para ter dois olhos,
um lépido pé, um braço agente,
uma industriosa mão tocante.

Que estupidez o sangue entre as palavras!
O sangue fez-se para outras flores
menos fáceis de dizer que estas
agora derramadas.

Alexandre O' Neill,In
Feira Cabisbaixa

15/05/2010

A colagem na Arte - Max Ernst

A queda de um anjo é uma colagem de Max Ernst. O que me atraiu neste trabalho de Ernst foi o conceito e o tema, mais do que a beleza da tela.

Max Ernst, The Fall of an Angel

Collage and oil on paper. 44 x 34 cm. Private collection

"Cai ao anjo a pena,
ao rato o pelame.
Um regressa ao seu enxame,
o outro à sua caverna".

Versos retirados do poema: O Rato e o Anjo de Alexandre O'Neill

07/03/2010

Há palavras que nos beijam, Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

Arquivo