Aqui fica uma tela que me faz lembrar o livro da Maria João.
As memórias como a tela são feéricas, tranquilas e belas.
Recordo o dia em que me "separaram" da minha irmã mais velha. Devia eu ter cinco anos e ela um ano mais. Adoecera com tosse convulsa e, para eu não ser contagiada, o meu pai foi levar-me a casa da tia da minha mãe, a tia Mariquinhas. Maria João Falcão, Os Figos de Setembro e outras Histórias.R. G.Livreiros, 2018, p. 47.
Pierre-Auguste Renoir, As duas Irmãs, ou no Terraço 1881,
na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. mas irão estar sempre aqui. na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco.
José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas, Vila Nova de Famalicão. Quasi, 2007.
Depois de ter visto o filme de Gilles Bourdos: "Renoir" sobre Pierre Auguste Renoir tive vontade de conhecer a casa onde ele viveu os últimos anos de vida. Foi, pois, com emoção que visitei a propriedade, tentando imaginar quanto possível a vivência de um dos mentores do impressionismo.
Na subida... ao encontro de Renoir
- Casa - Museu Pierre Auguste Renoir, Cagnes - Sur- Mer ou Domaine des Collettes
A flora é luxuriante. O azul do mar no horizonte enche os olhos e apazigua a alma. A paisagem humana é diferente da do início do século XX, tal como, provavelmente, parte de algumas plantas mas dá para nos encontrarmos com o ambiente em que o pintor viveu e com as cores que conviveu. Encontramos as oliveiras centenárias e os caminhos sinuosos.
Mais próximo da casa de Renoir, ela recebe-nos de portas e janelas abertas
Renoir, Coco lising, 1905; Cópia de Albert André, La petite fille au cerceau de P.A. Renoir
Casa-museu Renoir, Caignes Sur Mer
A sala de jantar e a sala de estar. Não sei se estaria assim quando Renoir a habitava mas tem muitas fotografias que testemunham o seu quotidiano.
O mar, as cores, os cheiros eram provavelmente ingredientes para os temas escolhidos.
A cozinha
O atelier foi a sala que mais me emocionou.
Perspectiva do quarto de Renoir
A cadeira onde era transportado para o atelier do jardim
Pierre-Auguste Renoir. Natureza Morta. (sd)
O atelier no jardim
Escultura de Renoir representando Aline, sua mulher.
A chegada constante de refugiados, a morte de crianças e adultos, a destruição de escolas, as guerras, a fome, a falta de liberdade e tanta violência em nome do poder económico, político e religioso, torna o homem do começo do século XXI tão parecido ao homem do início do século XX e dos seus ancestrais.
Qual foi a evolução? O que se aprendeu com o passado?
Nada...
Renoir esculpiu um hino à vida. Um hino que me reconfortou quando visitei a sua
casa-museu em Cagnes-Sur-Mer.
Pierre Auguste Renoir e Richard Guino - Modelo de pêndulo: Hino à Vida
Gesso com patine
Entrada para a Casa-Museu de Pierre Auguste Renoir em Cagnes-Sur-Mer
La douleur passe, la beauté reste, Pierre-Auguste Renoir no filme: Renoir de Gilles Bourdos (dito a Matisse; citado em
"Cahiers de l'Université" - Ed. 15-17, Página 166, de Université de Pau et des pays de l'Adour, Groupe de recherche en sociologie de la littérature, Université de Pau et des pays de l'Adour, 1988)
Pierre-Auguste Renoir, A Ingénua, 1877,
Gallery Sterling and Francine Clark Art Institute at Williamstown, MA, USA
Cena do filme Renoir, de Gilles Bourdos, Christa Théret em primeiro plano.
Festival de Cannes 2012. Fotografia retirada de Rotten Tomatoes.
Auto-retrato, fonte Wikipaintings, s.d.
A minha colecção de Cd's sobre pintores.
Perdi o Moinho e a Cruz sobre Brueghel, o Velho.
Pierre-Auguste Renoir, Detalhe de Children's Afternoon in Wargemont, 1884
Oil on canvas, Nationalgalerie, Berlin, Germany
Cada dia é mais evidente que partimos
Cada dia é mais evidente que partimos Sem nenhum possível regresso no que fomos, Cada dia as horas se despem mais do alimento: Não há saudades nem terror que baste.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Antologia Círculo de Poesia, Moraes Editores, 1975