Um livro já focado anteriormente, Deslumbra-me, serviu de intermediário entre mim e a ópera Garnier, em particular, renovou o encontro com Chagall. Estive em frente à ópera, fotografei-a mas não pude entrar; ficará, pois, para uma futura visita a Paris.
Joan ajoelha num camarote às escuras do terceiro balcão do Palais Garnier, a Ópera, espreitando pela balaustrada d e veludo vermelho. Junto dela há três frágeis cadeiras que sabe que estalarão e tem o cuidado de não as perturbar. As luzes estão apagadas mas o brilho do palco mostra uma profusão de douradas figuras de gesso: divindades serenas, anjos com trombetas. liras, grinaldas, flores, folhas de carvalho, máscaras, colunas coríntias, tudo isto imerso numa profunda sombra, empilhado em redor do proscénio e entre caixas, como muros de uma gruta escarpada e dourada, subindo ao teto redondo pintado por Chagall. com anjos nus e voluptuosas bailarinas e cabras e galinhas e amantes e a Torre Eiffel azul e uma imagem manchada de vermelho do próprio Palais. No centro de tudo isso pende o grande lustre adormecido: um enorme cardo de vidro pendurado ao contrário para secar, obscuramente cintilante.
Maggie Shipstead, Deslumbra-me. (Tradução de Carmo Vasconcelos Romão). Lisboa: Editorial Presença, 2015, p. 95.
Detalhe do tecto de Chagall, fotografia de Johan Framhoul
Na história Joan, a protagonista, encontra Arslan (bailarino russo) a dançar Giselle na ópera Garnier.
Adolphe Charles Adam (1803 - 1856) compôs várias óperas e balaidos, o mais famoso: Giselle.
Roberto Bolle nasceu em 1975 na região de Piemonte, Itália, e é primeiro bailarino no American Ballet Theatre tendo pertencido ao Corpo di ballo del Teatro alla Scala.
As coisas vulgares que há na vida Não deixam saudades Só as lembranças que doem ou fazem sorrir
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Para lá do vidro
em verdes tons
insinuam-se as árvores
símbolos maiores.
Marc Chagall, Janela no Campo, 1915,
The Tretyakov Gallery, Moscow
Marc Chagall -Sem título - cortesia do google. Intitulei:
O Amor e a Loucura
No amor tudo é mistério; as suas setas e a sua bolsa, a sua chama e a sua infância eterna. Mas por que é cego o amor? Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Nessa altura o amor ainda não era cego. Entre eles emergiu um desentendimento qualquer. Solicitou então o Amor que se reunisse o conselho dos deuses, para tratarem desse assunto. Mas a Loucura, na sua impaciência, deu-lhe uma pancada com tal violência que lhe privou da visão. Vénus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Némesis - a deusa da vingança - e de todos os juízes do Inferno, Vénus exigiu que aquele crime fosse reparado. O seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar com bastante detalhe o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia ao Amor.
Jean de La Fontaine, Loucura e Quotidiano, Lisboa: Padrões Culturais Editora, p. 13-14.
Jean de La Fontaine nasceu em Château- Thierry, Champagne, a 8 de Julho de 1621 e faleceu em Paris, a 13 de Abril de 1695.
A minha obsessão do azul na obra de Chagall é a fuga do cansaço! É assim que vejo esta janela neste dia de Verão.
Chagall, Interior with Flowers, c.1918. (detalhe)
Tempera on paper mounted on cardboard. 46.5 x 61. Museum-Apartment of Isaak Brodsky, St. Petersburg, Russia
só é meu o país que trago dentro da alma. entro nele sem passaporte como em minha casa. ele vê a minha tristeza e a minha solidão. me acalanta. me cobre com uma pedra perfumada. dentro de mim florescem jardins. minhas flores são inventadas. as ruas me pertencem mas não há casas nas ruas. as casas foram destruídas desde a minha infância. os seus habitantes vagueiam no espaço à procura de um lar. instalam-se em minha alma. eis por que sorrio quando mal brilha o meu sol. ou choro como uma chuva leve na noite. houve tempo em que eu tinha duas cabeças. houve tempo em que essas duas caras se cobriam de um orvalho amoroso. se fundiam como o perfume de uma rosa. hoje em dia me parece que até quando recuo estou avançando para uma alta portada atrás da qual se estendem altas muralhas onde dormem trovões extintos e relâmpagos partidos. só é meu o mundo que trago dentro da alma.
Vi uma andorinha em voo rasante porque passou ao meu lado. A Primavera no seu auge mostrou-se branca e negra, a cor da andorinha. Pensei: que pena não ter aqui a máquina para a eternizar! Todavia, o que nós queremos que seja eterno, eterno será porque não é a película que a retém mas sim, a memória, a ideia, o conceito. O conceito não é necessariamente a realidade. Associei os meus pensamentos a Chagall e Lowry.
Chagall, Child with a dove,1977-78.
Oil on canvas. 65 x 54 . Private collection
A gaivota – varredora do infinito, caçadora de estrelas comestíveis – salvei-a nesse dia – era eu rapaz – quando ela, entalada numa vedação junto de um rochedo, se debatia e acabaria por morrer cega pela neve. Embora me atacasse, tirei-a sem a magoar, puxando-lhe os pés com estas mãos, e durante um momento maravilhoso, ergui-a à luz do Sol, antes que ela se desprendesse, desfraldando as asas angélicas sobre o estuário gelado.
Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão, Lisboa: Relógio de Água, 2007, p. 150
Não conheço Antonio Porpetta mas reparei que segue o meu blog. Ao visitá-lo encontrei este poema que teve o condão de me maravilhar. Simples e tão carregado de sentido: não saber quem se é e morrer sem o saber.
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Marc Chagall, La femme et les roses, 1929
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Museum of Fine Arts, Houston
A beleza nostálgica que me tocou esta noite!
...Y pensar que estas rosas no saben que son rosas entrarán en la muerte sin saberlo...
Ishibashi Hideno, in O Japão no Feminino II, Haiku séculos XVII a XX, Lisboa Assírio & Alvim, (org. Luísa Freire), 2007, p. 83.
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Chagall, A Cat Costume design for Scene IV of the ballet Aleko, 1942.
Gouache, watercolor, and pencil on paper,40.6 x 30.2 cm, MOMA The Museum of Modern Art, New York
Excerpt from "Aleko" part of the piece "three spells", choreographed by Damien Jalet and Sidi Larbi Cherkaoui perfromed by Alexandra Gilbert and Damien Jalet, filmed at Aomori museum of arts, Japan
O poema desta canção é lindo como é a paisagem azul de Chagall.
Feeling Good!
Chagall, Blue Landscape (1949)
Birds flying high You know how I feel Sun in the sky You know how I feel Reeds driftin' on by You know how I feel It's a new dawn It's a new day It's a new life For me And I'm feeling good
Fish in the sea You know how I feel River running free You know how I feel Blossom in the tree You know how I feel It's a new dawn It's a new day It's a new life For me And I'm feeling good
Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know Butterflies all havin' fun you know what I mean Sleep in peace when the day is done, that's what I mean And this old world is a new world And a bold world For me Fooor me
Stars when you shine You know how I feel Scent of the pine You know how I feel Yeah freedom is mine And I know how I feel It's a new dawn It's a new day It's a new life hu It's a new dawn It's a new day It's a new life
It's a new dawn It's a new day It's a new life It's a new life For me
Oil on canvas. 117.1 x 88.6 cm. Musée de Peinture at de Sculpture, Grenoble, France.
Oberon: Agora , até à alvorada, Vá pela casa cada fada A melhor noiva escolher, Sua cama abençoar; E o filho que nascer Com tudo de bom fadar.
William Shakespeare, Midsummer Night's Dream in Shakespeare o teatro do mundo, Lisboa: Quimera, 2003, p.139, (trad.Fernanda Oliveira)
Choreographed by an artistic genius, George Balanchine, Shakespeare's comedy of magic and love's delusions set to the music of Felix Mendelssohn is a guaranteed audience pleaser. The Pacific Northwest Ballet displays all the vitality, brilliance and versatility of its wonderful dancers in this award--winning production of Balanchine's first original full-length ballet.(Informação retirada do youtube).