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08/10/2015

"E a magia do azul..."

Marc Chagall, Adam e Eve chassés du paradis, 1961,

Musée National Méssage Biblique, Marc Chagall Nice

No princípio era o azul

No princípio era o azul
sem marcas nem fronteira
tudo fluía sem regra ou maneira
num imenso manto de tule

Reza um escrito muito antigo
quando ainda escrita não havia
que no dia que se fez dia
criou Deus a Eva cor de trigo

E a magia do azul fez-se em dois
sublimando diferente o céu do mar
e fixou Deus a ordem primeira: amar
Só então surgiu Adão, depois



Agostinho daqui ( O Mundo é Grande)


27/04/2015

Chagall e leituras

Um livro já focado anteriormente, Deslumbra-me, serviu de intermediário entre mim e a ópera Garnier, em particular, renovou o encontro com Chagall. Estive em frente à ópera, fotografei-a mas não pude entrar; ficará, pois, para uma futura visita a Paris.

Palais Garnier, Paris (fotografia minha)


Chagall,  Palais Garnier, Ópera, 1963-64, link


Ópera Garnier (arquitecto Charles Garnier)


Fevereiro de 1973 - Paris

Joan ajoelha num camarote às escuras do terceiro balcão do Palais Garnier, a Ópera, espreitando pela balaustrada d e veludo vermelho. Junto dela há três frágeis cadeiras que sabe que estalarão e tem o cuidado de não as perturbar. As luzes estão apagadas mas o brilho do palco mostra uma profusão de douradas figuras de gesso: divindades serenas, anjos com trombetas. liras, grinaldas, flores, folhas de carvalho, máscaras, colunas coríntias, tudo isto imerso numa profunda sombra, empilhado em redor do proscénio e entre caixas, como muros de uma gruta escarpada e dourada, subindo ao teto redondo pintado por Chagall. com anjos nus e voluptuosas bailarinas e cabras e galinhas e amantes e a Torre Eiffel azul e uma imagem manchada de vermelho do próprio Palais. No centro de tudo isso pende o grande lustre adormecido: um enorme cardo de vidro pendurado ao contrário para secar, obscuramente cintilante.

Maggie Shipstead, Deslumbra-me. (Tradução de Carmo Vasconcelos Romão). Lisboa: Editorial Presença, 2015, p. 95.

Detalhe do tecto de Chagall, fotografia de Johan Framhoul


Na história Joan, a protagonista, encontra Arslan (bailarino russo) a dançar Giselle na ópera Garnier.


Adolphe Charles Adam (1803 - 1856) compôs várias óperas e balaidos, o mais famoso: Giselle.

Roberto Bolle nasceu em 1975 na região de Piemonte, Itália, e é primeiro bailarino no American Ballet Theatre tendo pertencido ao Corpo di ballo del Teatro alla Scala.
(Wikipedia)

27/05/2014

As coisas vulgares

As coisas vulgares que há na vida 
Não deixam saudades 
Só as lembranças que doem 
ou fazem sorrir

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Para lá do vidro
em verdes tons
insinuam-se as árvores
símbolos maiores.

Marc Chagall, Janela no Campo, 1915,
 The Tretyakov Gallery, Moscow
(Imagem retirada de Olga's Gallery)
Marc Chagall. Window in the Country. (Fenêtre à la campagne).

Mais uma vez em reposição 

06/02/2012

O Amor e a Loucura!

Marc Chagall -Sem título - cortesia do google. Intitulei:


O Amor e a Loucura

No amor tudo é mistério; as suas setas e a sua bolsa, a sua chama e a sua infância eterna.
Mas por que é cego o amor?
Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Nessa altura o amor ainda não era cego.
Entre eles emergiu um desentendimento qualquer. Solicitou então o Amor que se reunisse o conselho dos deuses, para tratarem desse assunto.
Mas a Loucura, na sua impaciência, deu-lhe uma pancada com tal violência que lhe privou da visão.
Vénus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos.
E diante de Júpiter, Némesis - a deusa da vingança - e de todos os juízes do Inferno, Vénus exigiu que aquele crime fosse reparado. O seu filho não podia ficar cego.
Depois de estudar com bastante detalhe o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia ao Amor.

Jean de La Fontaine, Loucura e Quotidiano, Lisboa: Padrões Culturais Editora, p. 13-14.

Jean de La Fontaine nasceu em Château- Thierry, Champagne, a 8 de Julho de 1621 e faleceu em Paris, a 13 de Abril de 1695.

22/06/2011

Uma janela no Verão

A minha obsessão do azul na obra de Chagall é a fuga do cansaço! É assim que vejo esta janela neste dia de Verão.

Chagall, Interior with Flowers, c.1918. (detalhe)


Tempera on paper mounted on cardboard. 46.5 x 61. Museum-Apartment of Isaak Brodsky, St. Petersburg, Russia




só é meu
o país que trago dentro da alma.
entro nele sem passaporte
como em minha casa.
ele vê a minha tristeza
e a minha solidão.
me acalanta.
me cobre com uma pedra perfumada.
dentro de mim florescem jardins.
minhas flores são inventadas.
as ruas me pertencem
mas não há casas nas ruas.
as casas foram destruídas desde a minha infância.
os seus habitantes vagueiam no espaço
à procura de um lar.
instalam-se em minha alma.
eis por que sorrio
quando mal brilha o meu sol.
ou choro
como uma chuva leve
na noite.
houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
houve tempo em que essas duas caras
se cobriam de um orvalho amoroso.
se fundiam como o perfume de uma rosa.
hoje em dia me parece
que até quando recuo
estou avançando
para uma alta portada
atrás da qual se estendem altas muralhas
onde dormem trovões extintos
e relâmpagos partidos.
só é meu
o mundo que trago dentro da alma.

Marc Chagall daqui
(Tradução: Manuel Bandeira)


Uma janela em Serpa onde o azul impera




23/05/2011

Uma questão de conceito

Vi uma andorinha em voo rasante porque passou ao meu lado. A Primavera no seu auge mostrou-se branca e negra, a cor da andorinha. Pensei: que pena não ter aqui a máquina para a eternizar! Todavia, o que nós queremos que seja eterno, eterno será porque não é a película que a retém mas sim, a memória, a ideia, o conceito. O conceito não é necessariamente a realidade.
Associei os meus pensamentos a Chagall e Lowry.

Chagall, Child with a dove,1977-78.



Oil on canvas. 65 x 54 . Private collection


A gaivota – varredora do infinito, caçadora de estrelas comestíveis – salvei-a nesse dia – era eu rapaz – quando ela, entalada numa vedação junto de um rochedo, se debatia e acabaria por morrer cega pela neve. Embora me atacasse, tirei-a sem a magoar, puxando-lhe os pés com estas mãos, e durante um momento maravilhoso, ergui-a à luz do Sol, antes que ela se desprendesse, desfraldando as asas angélicas sobre o estuário gelado.

Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão, Lisboa: Relógio de Água, 2007, p. 150



15/05/2011

O vento é ira, ira é vida - cidade de Lorca

A pensar nos habitantes de Lorca que padecem da ira da natureza


Marc Chagall, Orfeu. 1913-1914.




Óleo sobre tela, 42.5x56.2 cm. Colecção privada.

Silêncio

Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento.
O vento é ira, ira é a vida.

Clarice Lispector, Contos de Clarice Lispector, Lisboa: Relógio de Água, 2006, p. 264.

03/04/2011

"no saben que son rosas" - ou a beleza nostálgica

Não conheço Antonio Porpetta mas reparei que segue o meu blog. Ao visitá-lo encontrei este poema que teve o condão de me maravilhar. Simples e tão carregado de sentido: não saber quem se é e morrer sem o saber.
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Marc Chagall, La femme et les roses, 1929

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Museum of Fine Arts, Houston


A beleza nostálgica que me tocou esta noite!



...Y pensar que estas rosas
no saben que son rosas
entrarán en la muerte sin saberlo...

Retirado de Antonio Porpetta

25/03/2011

Um gato, um bailado, um olhar de Chagall

Este louva-a-deus
ao rastejar pelo chão
enreda-se no chão.
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Ishibashi Hideno, in O Japão no Feminino II, Haiku séculos XVII a XX, Lisboa Assírio & Alvim, (org. Luísa Freire), 2007, p. 83.
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Chagall, A Cat Costume design for Scene IV of the ballet Aleko, 1942.

Gouache, watercolor, and pencil on paper,40.6 x 30.2 cm, MOMA The Museum of Modern Art, New York

Excerpt from "Aleko" part of the piece "three spells", choreographed by Damien Jalet and Sidi Larbi Cherkaoui perfromed by Alexandra Gilbert and Damien Jalet, filmed at Aomori museum of arts, Japan

21/01/2011

"Um vento glacial sopra"

Chagall le chat et les 2 moineaux de La fontaine



Um vento glacial sopra
Os olhos dos gatos
pestanejam

Matsuo Bashô, in O gosto solidário do Orvalho seguido de O Caminho Estreito, Diário 2011 da Assírio & Alvim

13/01/2011

Uma flor, um abraço para o Rio de Janeiro!

Uma Flor, um abraço para todos os brasileiros em especial para os do Rio de Janeiro!
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Chagall, Pormenor do tecto da Ópera de Paris, Palácio Garnier, sala vermelha
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Lacrimosa
Lacrimosa dies illa
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.

Huic ergo parce, Deus
Pie Jesu Domine
Dona eis requiem, Amen.
Mozart, Lacrimosa


08/07/2010

Nina Simone e Chagall

O poema desta canção é lindo como é a paisagem azul de Chagall.
Feeling Good!


Chagall, Blue Landscape (1949)



Birds flying high
You know how I feel
Sun in the sky
You know how I feel
Reeds driftin' on by
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea
You know how I feel
River running free
You know how I feel
Blossom in the tree
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when the day is done, that's what I mean
And this old world is a new world
And a bold world
For me
Fooor me

Stars when you shine
You know how I feel
Scent of the pine
You know how I feel
Yeah freedom is mine
And I know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
hu
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
It's a new life
For me

And I'm feeling good

25/06/2010

A alegria é uma luz... Ícaro -1.

Marc Chagall, A queda de Ícaro, 1975.
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Óleo sobre tela 213 x 198 cm, Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France.

A alegria é uma luz que se devora a si própria, inesgotavelmente:
é o sol no seu começo.

E. M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Lisboa: Livraria Letra Livre, 2010, p. 108

22/06/2010

Midsummer Night's Dream!

Gosto muito desta peça de Shakespeare Sonho de uma Noite de Verão e da tela que Chagall pintou com esse tema.
Na música, Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) compôs a Abertura Op. 61, Sonho de Uma Noite de Verão em 1826.
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Marc Chagall, Midsummer Night's Dream (Songe d'une nuit d'été). 1939.

Oil on canvas. 117.1 x 88.6 cm. Musée de Peinture at de Sculpture, Grenoble, France.


Oberon: Agora , até à alvorada,
Vá pela casa cada fada
A melhor noiva escolher,
Sua cama abençoar;
E o filho que nascer
Com tudo de bom fadar.

William Shakespeare, Midsummer Night's Dream in Shakespeare o teatro do mundo, Lisboa: Quimera, 2003, p.139, (trad.Fernanda Oliveira)


Choreographed by an artistic genius, George Balanchine, Shakespeare's comedy of magic and love's delusions set to the music of Felix Mendelssohn is a guaranteed audience pleaser. The Pacific Northwest Ballet displays all the vitality, brilliance and versatility of its wonderful dancers in this award--winning production of Balanchine's first original full-length ballet. (Informação retirada do youtube).

16/03/2010

Pintura

Marc Chagall Bouquet A L'oiseaux, litograph , 1960, France


Pintura

Onde se diz espiga
leia-se narciso.
Ou leia-se jacinto.
Ou leia-se outra flor.
Que pode ser a mesma.

As flores
são formas
de que a pintura se serve
para disfarçar
a natureza. Por isso
é que
no perfil
duma flor
está também pintado
o seu perfume.

Albano Martins, in "Castália e Outros Poemas"

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