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27/10/2018

na hora de pôr a mesa






na hora de pôr a mesa, éramos cinco

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.


José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas, Vila Nova de Famalicão. Quasi, 2007.


26/06/2016

Do fado e das entranhas da terra - corre um rio

Nas entranhas da terra sente-se com mais fervor o som do fado e entende-se a alma portuguesa.

Corre um rio
que lavra no coração
da terra lágrimas de cristal,
amor.
Faz nascer
símbolos fálicos - fertilidade.

ana

Grutas de Mira D'Aire



S. João (Lousã), 2016


Sei de um rio
sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade


Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio

Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio

Sei de um rio
até quando



08/05/2012

Almoço português com certeza!

Almoço português com certeza!



Compras carapaus ao cento

Compras carapaus ao cento,
Sardinhas ao quarteirão.
Só tenho no pensamento
Que me disseste que não.

s.d.
Fernando Pessoa,  Quadras ao Gosto Popular. . (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).p. 59. 

22/04/2012

Janelas floridas num dia com algum sol!

Mudei para o google chrome para acompanhar as novas mudanças impostas na blogosfera. Encontrei possibilidades que resolvi experimentar e é com contentamento que partilho as janelas floridas.

 

 Olhos postos na terra, 
tu virás no ritmo da própria primavera, 
 e como as flores e os animais 
 abrirás as mãos de quem te espera. 

 Eugénio de Andrade 
(cortesia do google)

22/11/2011

A janela (Pelo Fado I)

Logo de manhã, mal acordamos ouvimos falar da crise que todos sentimos. Mas nem tudo são más notícias. Recebi uma tela e um convite que veio do Instituto de Santo António dos Portugueses para visitar uma exposição em Roma. Grata pelo convite. A chuva não faz tanta tristeza quando recebemos uma janela onde o bom tempo impera.


Paolo Bigelli, La buona stagione (la finestra)





Acrilico su tela cm.100x100


A tela vai estar em exposição no Instituto de Santo António dos Portugueses no evento intitulado "Tramas coloridas" de 2 a 20 de Dezembro de 2011.

Janelas da casa Amarela, Porto
(As minhas favoritas das impressões que trouxe da cidade)

Pelo Fado, com vontade de que seja Património Imaterial da Humanidade!



04/07/2010

Sei de um rio


Sei de um rio e de um sonho. Hoje, vestiu-se o sonho nas cordas dedilhadas de uma guitarra.


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