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18/11/2017

Rotina


Não há coisa tão preciosa, e tão útil, que continuada não enfade.
Padre António Vieira, Sermões (citador)

15/04/2017

"formoso dia"

Porque os importunamos?


Os coelhos estão escondidos nas tocas. Os ovos da Páscoa ainda não chegaram por isso é com este olhar de peixe que desejo a todos uma
Páscoa Feliz!



Amanheceu o sol neste formoso dia mais arraiado que nunca, acrescentando tantos raios a seus naturais resplendores, quantos tinha eclipsado e escondido no dia da Paixão: e que é o que achou no mundo o mesmo sol, ou quando nasceu no Oriente, ou quando se foi pôr no Ocaso? Quando nasceu achou a terra orvalhada das lágrimas da Madalena, como se ela fora a aurora daquele dia: Mulier, quid ploras?


Trecho do Sermão da Primeira Oitava da Páscoa, na Igreja Matriz da Cidade de Belém, do Grão-Pará, 1656, de Padre António Vieira. (cap.I).


16/03/2017

O riso do Astro-Rei

« (…) O riso é o final do racional; o pranto é o uso da razão (…) 
Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso:
 chorar com lágrimas é sinal de dor moderada, 
chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva...»

O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito
Discurso integral do Padre António Vieira, 
em Roma no ano de 1674, a convite da Rainha Cristina da Suécia

Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Padre António Vieira, Alfragide: Casa das Letras, 2010, p. 30.

O riso do Astro-Rei

Nasce a levante o Astro-Rei,
não há ruído senão o som da Natureza,
como o marulhar do mar que não está presente.

Contraste de cores, preto, amarelo - ocre,
paleta quase fauve com traço naturalista 
desenha-se no horizonte visível.

O livro aberto, as páginas escolhidas,
as letras sublinhadas resultam da leitura obrigatória,
esquecimento do sonho risível,
do diálogo entre o choro e o riso.

O choro dos tolos é fácil de brotar,
o riso dos fracos fortalece o pensamento,
constrói uma torre de Babel...
Chorar com riso é sinal que se vive sem viver.



07/06/2016

A mentira e a verdade


Jules Joseph Lefebvre, Bras croisés sur la poitrine,
retirado do Pinterest

A verdade e a mentira: a verdade do pregador e a mentira dos ouvintes. As tres especies de mentiras com que os escribas e fariseos hoje contradisseram, caluniaram e quizeram afrontar e deshonrar o Filho de Deos.
(...)
No Maranhão até o sol e os céus mentem porque no Maranhão não há verdade.

Sermoens do Padre Antonio Vieyra da Companhia de Iesu, Prégador de Sua Magestade Quarta Parte,  Lisboa: Na officina de Miguel Deslandes, MDCLXXXIII, - Sermam da Quinta Dominga da Quaresma: Na Igreja da Cidade de São Luis  do Maranhão. Anno 1654, fls (291 a 317), 292 



A mentira e a verdade

A mentira dos amantes e a verdade dos amigos
são como os céus do Maranhão,
vislumbrados por Vieira:
os primeiros são doces e amargos
e os segundos dolorosos.

A mentira dos amantes que pregam o amor e a sedução.
A verdade dos ouvintes que tudo ouvem e nada crêem.
A mentira sob a égide do poder  frágil e breve.
A verdade sob o escudo da amizade.

A mentira do fogo que arde e se volatiliza.
A verdade da água que brota da nascente.
A mentira do amor que se dissipa
e a verdade do afecto consolidado.

A raiva e o ódio do primeiro.
A estima e o apreço do segundo.
A mentira abismo.
A verdade cubo gelado.

Qual é melhor?
A verdade ou a mentira?
A mentira ou a verdade?
Verdade.

ana

Radiohead - duas canções Creep e Fake Plastic Trees, duas músicas da banda que mais gosto.

19/12/2015

Religiosidade

Sagrada Família


A figura mais perfeita e mais capaz de quantas inventou a natureza e conhece a geometria é o círculo. Circular é o globo da terra, circulares as esferas celestes, circular toda esta máquina do universo, que por isso se chama orbe, e até o mesmo Deus, se sendo espírito pudera ter figura, não havia de ter outra, senão a circular.

Padre António Vieira, "Sermão de Nossa Senhora do Ó Na Igreja de Nosssa Senhora da Ajuda, Bahia (1640)", in Obras Completas, Sermões, vol. II - tomos IV, V e VI, Porto, Lello &; Irmão, 1959, págs. 435 – 450.

15/04/2015

"O ladrão que furta para comer..."

Quiche

«O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno: Non est intelligendum fures esse solum bursarum incisores, vel latrocinantes in balneis; sed et qui duces legionum statuti, vel qui, commisso sibi regimine civitatum aut gentium, hoc quidem furtim tollunt, hoc vero vi, et publice exigunt. Não são só ladrões, diz o Santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.»

Padre António Vieira, Sermão do Bom Ladrão VI, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, no ano de 1655. Versão digitalizada, sublinhado meu.


Aqui fica um pequeno-almoço especial. 
Homenagem a Audrey Hepburn que revisitei há pouco tempo

11/12/2014

Todos os dias e não chega...








Foi ontem o Dia Internacional dos Direitos do Homem
 mas pode ser hoje e amanhã num relógio sem ponteiros. 

























Rogier van der Weyden - Descent from the Cross (detail) c. 1435, Prado Museum.
Cortesia do Google.

 

22/06/2013

"Coro illustre de Sabios"

O meu agradecimento ao amigo João Menéres que sabe desta minha paixão, .


HE PERSEGUIDO EM
seus escritos
CLXII Hum Coro illustre de Sabios recebe aqui, como companheiro de sua fortuna, ao sapientissimo Vieyra. Não escapárão á maledicencia os mayores homens do Mundo. Aquellas óbras cheyas de luz, parto felices de engenhos sublimes, quiz a inveja offuscálas, e o ódio deprimillas. Padeceo esta tormenta S. Jeronymo, e em tanto gráo, que quiz retrahir a sua penna, fechando todas as azas o Serafim, e não voar mais, para evitar inimigos. Chegava nesta tempestade a exclamar: Domine, libera animam meam à labiis iniquis, à lingua dolosa. Padeceo-a Santo Agostinho, Aguia dos Doutores, a quem não só fizerão tiro os Hereges, senão tambem muitos Bispos Catholicos em França, os quaes Celestino Papa I sevéra, e fortemente refreou.

Trecho retirado do fl. 602. do livro do padre André de Barros sobre a Vida de Padre António Vieira.



04/04/2013

Cartas Selectas

Um presente especialíssimo que me fez humedecer a vista.
Uma pérola 
arranjada pela Cláudia da Livraria Lumière.

Cartas Selectas do padre António Vieira (1608-1697).
Como amante deste jesuíta, que escreveu dos mais belos sermões do Barroco Português, estas cartas são rosas e pérolas - o tesouro dos tesouros.

A foto não está bem mas tirei-a depois de vir de uma palestra sobre O Espaço 
no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho e não podia esperar para agradecer 

A quem mo ofereceu muito obrigada.


15/03/2013

"A figura mais perfeita"

  A harmonia das formas, Lisboa, Parque das Nações

A figura mais perfeita e mais capaz de quantas inventou a natureza e conhece a geometria é o círculo. Circular é o globo da terra, circulares as esferas celestes, circular toda esta máquina do universo, que por isso se chama orbe, e até o mesmo Deus, se sendo espírito pudera ter figura, não havia de ter outra, senão a circular.

Padre António Vieira, "Sermão de Nossa Senhora do Ó Na Igreja de Nosssa Senhora da Ajuda, Bahia (1640)", in Obras Completas, Sermões, vol. II - tomos IV, V e VI, Porto, Lello &; Irmão, 1959, págs. 435 – 450.

Após o anúncio do novo Papa, Francisco, apeteceu-me ler um outro jesuíta, célebre na sua oratória. Deixo um trecho do padre António Vieira associado a esta fotografia na qual a água se movimenta como se da terra brotasse naturalmente, sem mão humana, como o novo Papa.


08/12/2011

Maravilhada!

Do Porto, da Livraria Lumière trouxe estas miniaturas que a Cláudia encontrou. Muito obrigada!


Maravilhou-me.


"O livro é um mudo que fala, um surdo que responde,


um cego que guia, um morto que vive."


Padre António Vieira (retirado do citador)

Buda, Zaratrusta e Ali Babá e os 40 Ladrões


Medem 3,2 cm


Pormenor da escultura de Soares dos Reis, Viscondessa de Vinhó e Almedina, 1882,


Rosas para a Cláudia e a Alexandra


Museu Soares dos Reis, Porto

18/12/2010

Chorar

Dino Valls, Antiphone, 1994
( dinovalls.com)

Há chorar com lágrimas e chorar com riso: chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.

Padre António Vieira in Lágrimas de Heráclito (O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito, Discurso integral do Padre António Vieira, em Roma no ano de 1674, a convite da Rainha Cristina da Suécia)

Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Padre António Vieira, Alfragide: Casa das Letras, 2010, p. 30.

Corelli - Sarabande



02/07/2010

Vinheta 4 - Rainha Santa Isabel de Portugal

Esta semana o mote da vinheta vai ser a Rainha Santa Isabel de Portugal.
A festa de Coimbra e da Rainha Santa celebra-se no dia 4 de Julho, dia em que morreu D. Isabel.
Santa Isabel de Portugal era filha do rei D. Pere III, de Aragão, e D. Constança, de Navarra, e casou-se com o rei D Dinis, em 1282. Terá nascido em 1269(?) e morreu a 4 Julho de 1336 em Estremoz. Recebeu o nome da tia-avó, Santa Isabel da Hungria.
O episódio sobejamente conhecido sobre a Rainha é o milagre das rosas. Todavia, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e a mesma bondade perdura a ideia do milagre. Foi canonizada em 1626 pelo Papa Urbano VIII.

Notas retiradas do Dicionário de Santos Donald Attwater Pub Europa América 1983


Túmulo antigo mandado construir pela Rainha Santa onde esteve sepultada muito tempo. Hoje o seu corpo incorrupto encontra-se num túmulo relicário de prata e cristal no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

Excerto do Sermão Panegírico da Rainha Santa, do Padre António Vieira


Impresso em Lisboa na Oficina Miguel Deslandes em 1682.

Arquivo