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25/02/2026

Viajar com...

Pequenas histórias e retratos do país sob o olhar literário de Luís de Camões. A viajem começa na companhia do Professor Doutor José Carlos Seabra Pereira que relaciona a obra poética de Camões com o Norte de Portugal.
Assim, encontramos a alma portuguesa: ligada à terra, marcada pela história e inspirada pelo desejo de ir sempre mais longe.



Para mim a literatura de viagens reaviva as memórias, reacende o gosto pelo país e o encontro, neste caso, com a poesia camoniana. 

Olha estoutra bandeira, e vê pintado
O grão progenitor dos Reis primeiros.
Nós Húngaro o fazemos, porém nado
Crem ser em Lotaríngia os estrangeiros.
Depois de ter, os Mouros, superado
Galegos e Leoneses, cavaleiros,
À CasaSanta passao o santo Henrique,
Por que o tronco dos Reis se santifique.

(in Lusíadas, Canto VIII, estância 9)

Viajar com... Luís de Camões, os caminhos da Literatura.Guimarães, Opera Omnia, p.29.

Erik Satie, Gymnopédie nº1



24/08/2025

Livro- Leituras de Verão!

Adquiri o livro: O Pensamento Esotérico de Fernando Pessoa, ensaio de Yvette Centeno, da Coleção &etc na Livraria Lumière.
Admiro a inteligência de Yvette Centeno e sempre me atraiu e fascinou o esoterismo de Fernando Pessoa. Não é um assunto que domine, no entanto, desperta a minha curiosidade. 

Capa e ilustração de Carlos Ferreiro. 
Adoro a capa do livro. Para mim, ela leva-me até ao Cais das Colunas. (foto minha)

Assim a Lei é (1) descobrir o que somos, para que saibamos o que é que intima e verdadeiramente queremos,  independentemente do que suppomos que queremos ou do que julgamos que devemos querer; (2) confornar todos os nossos pensamentos, emoções e impulsos com essa nossa intima e verdadeira vontade, por agradáveis que nos sejam,ou úteis que nos parecem, por isso que não são nossos, mas somente agradáveis e talvez úteis; (3),  feito isso, recusar systematicamente toda a acção externa que não sirva os fins d'essa  nossa verdadeira vontade, recusando-nos a ceder ás solicitações do chamado dever, ás chamadas da humanidade e aos receios do ridiculo e do maguante".

Yvette Centeno, O Pensamento Esotérico de Fernando Pessoa, Lisboa: &etc, 1990, p. 31

O livro foi editado em 1990 e teve uma tiragem de 500 exemplares. Congratulo-me por ter um deles. 

Yvette Centeno faz uma leitura profunda e simbólica da obra de Pessoa, colocando em diálogo a poesia com tradições herméticas e iniciáticas. Desvenda a dimensão mística e transformadora na escrita pessoana. O poema Do Vale à Montanha está referenciado na página 30 do livro em epígrafe.

                                                                                                    
Do vale à montanha,

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

24-10-1932


Fernando Pessoa,  Poesias. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). p.146. (Arquivo Pessoa)

13/02/2022

Para uma amiga...

 Parabéns Alexandra!

Desejo que viva muitos anos feliz e que o dia 10 Fevereiro se multiplique por muitos.

Como se está a aproximar o Valentine's Day, escolho esta dança para o homenagear.

Auguste Renoir, Danse à la campagne, En 1883, Musée D'Orsay



© Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Patrice Schmidt

Um tango -La Cumparsita composta por Gerardo Matos Rodriguez.



31/12/2021

Feliz Ano Novo! Muita gratidão...



Feliz Ano Novo!

Graças mil
a quantos me fizeram chegar estes momentos de alegria.
E
a todos os que me visitam
um ano de 2022 cheio de vida, saúde, graças e beleza!


Aguarelas, presente criado pela minha tia Ivone Mendes

Presentes de amigas/o
MR, Isabel, E.I., Cláudia e Alexandra da Livraria Lumière


Virei mais tarde falar de cada um deles.

A primeira aguarela da minha tia intitulei-a: 
Para além da curva da estrada, o belíssimo poema de Alberto Caieiro que serve para um início de ano...


Para além da curva da estrada

Para além da curva da estrada

Talvez haja um poço, e talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada.

Não sei nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva

Só olho para a estrada antes da curva,

Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.

De nada me serviria estar olhando para outro lado

E para aquilo que não vejo.

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

Se há alguém para além da curva da estrada,

Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Essa é que é a estrada para eles.

Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.

Por ora só sabemos que lá não estamos.

Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva

Há a estrada sem curva nenhuma.

s.d.

“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença,

 

1994.

  - 129.
Que este cenário mude em 2022!
Cortesia Youtube

10/02/2021

Para uma amiga



 Parabéns Alexandra, um dia muito feliz!

Ambrosius Bosschaert, o Velho, Flores, 1614



Deixo aqui este pintor flamengo para que as flores cheguem ao destino e o perfume se espalhe enganando o espaço virtual. :))

Este confinamento não nos deixa arranjar uma surpresa. :((

Graças ao Youtube um pouco de alegria





06/10/2020

08/11/2018

Se...

Se a trança de Inês se ornamentasse
                              de certeza que eram estas orquídeas a sua escolha



Cláudia, obrigada pela Trança de Inês de Rosa Lobato Faria.


22/09/2018

Caminhos de pedras


(...) estou a ficar enfeitiçada por este sossego, os caminhos de pedras brancas com plátanos, trepadeiras, de folhas verdes e vermelhas, o pinhal de Camarido, as casas fechadas, compostas, em frente ao  mar, o sol e a sua estradade luz e de sons nas águas quase paradas. Penso que hei-de  acabar a vida numa cabana ao pé do mar. E sempre a praia me pareceu melhor no outono.
Carta a Jacinto Prado Coelho, 1 de outubro 1971.
Viajar com... 
Maria Ondina Braga, Coleção: Viajar com... Os Caminhos da Literatura, Texto de Isabel Mateus. Braga: Opera Omnia, Cultura do Norte, 2012, p. 22.

Adquiri este livro na Livraria Lumière. Obrigada Cláudia por me dar a conhecer esta colecção.


07/10/2017

Sem palavras

Sem palavras, só assim posso dedicar esta postagem à Cláudia, da Livraria Lumière, uma amiga especial de quem me esqueci. Aquela, precisamente, que não queria esquecer. Será possível?

Cláudia é com um beijinho que lhe ofereço estas obras de arte fabulosas que gostaria de poder oferecer na realidade, não hoje mas no dia 6 de Outubro. A si, como é obvio e para selar a nossa amizade, agora com a ferida de um esquecimento imperdoável, teria que lhe dar o coração da amizade.

"Codex Rotundus", c. 1480, escrito em latim e francês,
diâmetro 9 cm, Biblioteca de Hildesheim, Alemanha



Livro de Horas de Amiens, século XV

Livro de Horas com cenas da Natividade e da Ressurreição de Cristo, 
último quartel do século XVI, Copenhaga,  6,1x6,1x2,2 cm,
Pinterest
Prayer-Book with Scenes of the Nativity of Christ and the Resurrection  Last quarter of the 16th century Copenhagen  gold, cut diamonds, rubies, emeralds, paper and gouache Technique: chased, enamelled and painted Dimension: 6,1x6,1x2,2 cm

Livro de horas, Livro das horas ou ainda Livro missal é um livro de devoção criado por devotos no final da Idade Média. Em geral, continha o calendário das festas e dos Santos, as Horas da  Virgem, da Cruz, do Espírito Santo e dos mortos (Liturgia das Horas), as orações comuns e os salmos penitenciais. Estes livros eram ricamente ilustrado com iluminuras.


12/01/2017

Há livros que são bálsamo!

Sabe, é curioso, eu tenho cores de Verão e cores de Inverno. Quando está calor gosto de pintar em azul, em verde, em branco. O branco, aliás, posso usá-lo durante todo o ano. E quando está frio gosto do vermelho.

Vieira da Silva in, O Fulgor da Luz, Conversas com Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes. 
Um livro de Anne Philipe traduzido por Luiza Neto Jorge e editado pela Rolim, Lisboa, sd, p. 14.


Está um frio que faz doer a alma e este livro foi um bálsamo que amenizou a dor.

Obrigada.




Ouvi hoje no rádio do carro a voltar para casa. Um dos meus álbuns preferidos dos Pink Floyd


28/11/2016

Infernos, um livro que veio da minha primeira visita à nova Lumière

Na nova Lumière fui muito bem recebida, como sempre. O espaço é fantástico, a luz é dominante, ou não se chamasse assim a livraria. Ao fundo, a galeria de escritores. Uma cadeira, um café e a companhia agradável da Cláudia e da Alexandra Ribeiro. Muito acolhedora esta livraria, já o era no passado, agora é mais porque nos oferece um espaço maior.
De lá trouxe o livro que ando a ler: Infernos de Jean Genet. Um livro poético,  lucidamente amargo, uma auto-crítica? Não sei se será, mas é um livro em que o escritor faz um ajuste de contas consigo e com o mundo marginal de que fazia parte.  






Não há - nem mesmo tu - quem te perdoe a beleza. Não há - e mesmo tu - quem saiba fazer mais do que desatar a rir perante as maldições indeslindáveis que te deixam melancólico. Serás em breve só a memória da tua beleza. Dela restará o canto, e depois o canto deste poema que abandonas, e talvez mais longe «esta ideia de miséria infinita». Trabalha. Manifesta brilhantemente aquilo que o mundo já condenou em ti e não os astros. (...)

Jean Genet, Infernos, Fragmentos. (Tradução e prefácio de Aníbal Fernandes). Lisboa: Hiena Editora, 1990, p. 38

... Já passaram 25 anos que morreu Freddie Mercury.


08/08/2016

Dia 8 e infinitas F-E-L-I-C-I-D-A-D-E-S!

Hoje, dia 8 de Agosto abre o novo espaço da Livraria Lumière, 
das minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. 

A abertura está assinalada para as 14 horas, na Rua Formosa, n.º 197 (Porto). 
Desejo-lhes as maiores FELICIDADES! :))

É aqui! Um local fantástico.

Este registo ficou agendado. logo que possa agradecerei as visitas.

A vida dos livros quando ficam sozinhos... sem o seu guardião. :))

01/08/2016

Leituras

A Europa no século XVI, vista por um judeu provavelmente nascido em Portugal, descendente de judeus espanhóis. Samuel Usque passou a sua vida entre o ensino e o estudo, "e deve ter sido rabino"(p.25)*.  Morreu em Ferrara. 
O tempo avança mas nada muda... ou muda muito ligeiramente. Intolerância, poder, riqueza, economia-mundo, guerras...

Pois, Europa, Europa, (meu inferno na terra), que direi de ti, se de meus membros tens feito a mor parte de teus triunfos? De que te louvarei, viciosa e guerreira Itália? Em ti os famintos liões se cevarom, espedaçando as carnes de meus cordeiros. Viçosos prados franceses, peçonhentas ervas pascerom em vós minhas ovelhas. Soberba áspera e montanhosa Alemanha, em pedaços cairom do cume de teus fragosos Alpes minhas cabras. Ingresas [Inglesas], doces e frias águas, amargas e salobras beberagens bebeu de vós meu gado. Hipócrita, cruel e loba Espanha, rabazes [rapazes] e encarniçados lobos tragarom e inda tragam em ti meu veloso rabanho.

Samuel Usque, in Dial. I, I-II , do livro Consolaçam, as Atribulaçoens de Israel... 

*Prosadores Religiosos do século XVI, Samuel Usque, Fr. Heitor Pinto, Fr, Amador Arrais, Fr. Tomé de Jesus. (Selecção, prefácios e notas  de Alcides Soares e Fernando Campos)  Coimbra: Casa do Castelo, 1950, p. 44.

Este livro veio da livraria Lumière ainda situada na Travessa da Cedofeita.
Um livro para reflectir.

11/02/2016

Para uma amiga

Para uma amiga que divide os livros, o seu trabalho, com a família, duas crianças que a absorvem, sem deixar um tempo para ela própria. :))

Parabéns Alexandra,
tenha um dia muito feliz!




27/05/2015

Porto, ecos de uma geração. Porto Sentido e "Goa"

A ida ao Porto teve como objectivo ver esta  exposição: 
ecos de uma geração, o homem e a cidade, no Museu Soares dos Reis mas primeiro que tudo conhecer o João Menéres.


João Menéres um dos fotógrafos dos ecos de uma geração junto das suas fotos.


Uma das fotos  do João que me encantaram. Do catálogo.

A Paula Rêgo podia ter pintado uma tela inspirada nesta fotografia

Sala de exposição, panorama geral.

Um dia bem passado, um dia entre amigos.

Obrigada João, Cláudia, Alexandra e M.

Estive com as minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. Conheci a M.
A malandra da Alexandra escondeu-se. A Cláudia também tentou mas eu ainda a apanhei.:))
Livraria Lumière

Ao almoço estivemos três mulheres a saborear a deliciosa comida portuense com um copo de vinho branco verde para nos refrescarmos dos 29 graus, mas desse momento não tenho registo.


Porto, o Casario.


Quando cheguei a casa tinha uma surpresa do Amigo Henrique Antunes Ferreira 
à minha espera:
Goa chegou até mim. Obrigada. Um dia destes a rã voltará aqui.


Também trarei mais apontamentos do Porto.
PORTO  SENTIDO

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, san-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
num rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

[refrão]
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa


Carlos Tê e Rui Veloso


06/05/2015

urge criar - a poesia e a arte

Uma iniciativa interessante e que entra pelos olhos dentro. Entre as várias criações - que podem ver no link abaixo registado - escolhi esta por achar que a ligação à livraria é perfeita, para não falar na simbologia em causa. Precisamos de luz para viver inteligentemente.

Fotografia de Cláudia Ribeiro - Reparem como as luzes estão acesas, no lado direito.


O Clube de Criativos de Portugal existe há 16 anos e tem como objectivo premiar o que de melhor se faz em criatividade comercial em Portugal.
Nesse sentido, o Clube lança anualmente um tema que, em 2015, envolve o convite às livrarias icónicas de Lisboa e Porto na integração do projecto. No Porto, trata-se da INCM, Leitura Bulhosa, Poetria e Lumière.

Num tempo em que a urgência impera no tom e na forma, "URGENTE É A POESIA" impôs-se como tema, porque é urgente a inspiração, a renovação e a arte, que a rotina - ou o mercado -, nos vai fazendo esquecer ou que, cada vez mais, é urgente contrariar.
A forma encontrada para materializar esse conceito, foi a criação de um laço entre o Design e as livrarias, tornando-as no objecto da intervenção. Ou, por outras palavras, a Poesia do Design serve de mote para a atribuição de montras de livrarias a designers e ateliers nacionais que nelas trabalharam, alguns dos profissionais mais reconhecidos nesta área.

Partindo e valorizando a literatura poética disponível em cada livraria intervencionada, esta parceria visa, para além da promoção dos artistas envolvidos, a das próprias livrarias, chamando a atenção do público para as suas montras e induzindo-o para a descoberta e compra dos livros.
A vertente do vitrinismo é assim assumida como forma de comunicação e captação do interesse e do olhar de quem por elas passa.

Ver aqui o projecto Livraria Lumière

Gosto de contrastes e é assumidamente entre estes dois mundos: o da criatividade comercial e o da arte pura que trago aqui alguma luz.

A arte puramente pela arte - foi com alegria que recebi os raios de Sol da Myra.

Luz incandescente [título meu]


URGENTE É A POESIA:  Iosif Landau é poeta e irmão da pintora Myra Landau. No link assinalado encontra mais poesia.

ERA UMA VEZ

Meus doze anos, calças curtas,
pele luminosa, seda do oriente,
olhos castanhos, cerejas maduras,
perfume de macieira, inocência.

Como a mãe em vigília,
dias escorrem em silêncio,
a grama por onde ando
esconde meus passos,
estrelas longe do meu alcance,
visões, idéias e pensamentos
em minha mente flutuam,
mão do destino guia.

Lendas de reis e princesas,
Excalibur e a Dama do Lago,
abrem as portas da casa escura,
flautas e oboés, Puck dança,
flores surgem da terra,
visão floresce,
ela deitada ao meu lado, encanto

Meu rosto vincado,
mapa do meu passado,
vida de longo caminho,
já fui criança,
mãe, me abraça.


Iosif Landau

Se não fosse a "Lumière" não tinha descoberto este cantor : Calogero Joseph Salvatore Maurici, conhecido como Calogero é um cantor francês.  Entre a canção e a declamação poética a fronteira é ténue.

30/11/2014

Livros e livreiros... viagem


O livro de Almeida Faria chegou-me através da Livraria Lumière pela mão amiga da Cláudia
Abro as páginas do livro, uma a uma com maravilhamento: ... retorno à Índia. 
Caminho pela margem do Mandovi, Goa apresenta-se vestida com casas portuguesas, brancas e amarelas ou simplesmente brancas com varandas.
A fragrância das flores e as cores das sedas são o que guardo mais na memória.

Perfeita aliança entre o sagrado e o profano, entre razão prática e razão teórica. A Índia passa aliás por ser o país mais religioso do mundo. de acordo com um censo recente, três quartas partes dos indianos são hindus, doze por cento muçulmanos, seis por cento cristãos. Os seis ou sete por cento restantes são animistas, budistas, judeus, siques, jainistas e, em número residual, os masdeístas ou parses, descendentes dos persas e seguidores de Zaratrusta ou Zoroastro (século VII a.C.).

Almeida Faria, O Murmúrio do Mundo. Lisboa: Tinta-da-China, 2012, p. 32.

O livro tem desenhos lindíssimos de Bárbara Assis Pacheco e prefácio de Eduardo Lourenço.

Para a Cláudia: livros e mais livros.:))
Obrigada, no dia dedicado a livreiros.

                                                            Sarah Kieffer daqui


Marina Marcoli;daqui Voltei a colocar a imagem para a Isabel

06/10/2014

Livros ...

Para uma amiga que vive no meio dos livros.

Todas as imagens daqui

Guercino’s ‘Portrait of Lawyer Francesco Righetti’


Portrait of William Cartwright’. See the full engraving digitised on the British Museum's 



bookbinder’s workshop in print by Hendrik de Haas, ‘De Boekbinder’, Dordrect, 1806. Lower left: Beating the gatherings. Lower centre: Shaving the book block. Lower right: Pressing the books.

De Boekbinder

Beating the gatheringsShaving the book blockWood press


      Left: Beaulx abc belles heures.                  Right: Tavolette, e Libri per li putti. 
Beaulx abc belles heuresTavolette

A Perfect Day

25/06/2014

Em torno de (por) Camões

Details, “Portrait of an African Slave Woman,” 
atribuído a Annibale Carracci, c. 1580,

BARBARA, ESCRAVA

Ajoelhara a negra suspirando
Postas as mãos, os labios contrahidos,
Diziam as canções dos seus gemidos
Mais do que os prantos com que estava olhando.

Camões fitava o espaço, meditando,
Bem longe o coração, longe os sentidos;
E de seus olhos, para a dôr nascidos,
As perolas caiam, deslisando.

Um queixume da negra, compungente, 
Acordara o poeta, que sonhava
Com a patria querida e o amor ausente.

Ella co'os olhos n'elle comtemplava,
Elle co'os olhos n'ella era indifferente,
Que todo aquelle mal outra o causava.

Ernesto Pires, Camões e o Amor. Porto: João E. Cruz Coutinho, 1884, s/nº p.

O livro custava na época 300 Reis. Foi uma das minhas últimas aquisição, veio do Porto da Livraria Lumière.


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