Parabéns Myra Landau, João Menéres e Jorge Pinheiro
Desejo que seja um belo acontecimento.
«Quem sabe ver vê para lá do olhar. Olha para além da vista. Quem sabe ver eterniza pessoas. Fixa lugares. Desvenda sentidos. Antes era nada. Agora são cores e formas. Curvas e rectas. Êxtase e esplendor. As imagens podem impressionar. Alegrar. Seduzir. Podem matar e ser mortas. As imagens são tudo o que se quiser. Porque elas não existem. Somos nós que as criamos.»
Sigam as andorinhas e encontram algumas janelas feridas, no canto superior esquerdo,
Rua das Oliveiras (?), na Cedofeita.
Rua dos Clérigos
Com a ajuda do João Menéres e da Cláudia os 50 anos evocam as memórias da UNICEPE – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto.
Largo da Universidade, Praça de Gomes Teixeira, mais conhecida por Praça dos Leões.
Van Gogh, A Pork-Butcher's Shop Seen from a Window, Arles, 1888,
Museu Van Gogh, Amesterdão
Será a língua portuguesa este constante desleixo pelo património?
LÍNGUAPORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te ó rude e doloroso idioma
Em que da voz materna ouvi: «Meu filho!»,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!
as mais belas poesia de Olavo Bilac escolhidas por José Régio, Artis, 1966, p. 40.
Desta edição fez-se uma tiragem com 120 exemplares, em papel Arte, numerados e assinados por José Régio, sendo os últimos vinte, (I a XX) fora do mercado.
Ilustrações de Manuel Lapa, Maria Keil, Rogério Ribeiro e Sá Nogueira.
A ida ao Porto teve como objectivo ver esta exposição:
ecos de uma geração, o homem e a cidade, no Museu Soares dos Reis mas primeiro que tudo conhecer o João Menéres.
João Menéres um dos fotógrafos dosecos de uma geração junto das suas fotos.
Uma das fotos do João que me encantaram. Do catálogo.
A Paula Rêgo podia ter pintado uma tela inspirada nesta fotografia
Sala de exposição, panorama geral.
Um dia bem passado, um dia entre amigos.
Obrigada João, Cláudia, Alexandra e M.
Estive com as minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. Conheci a M.
A malandra da Alexandra escondeu-se. A Cláudia também tentou mas eu ainda a apanhei.:))
Livraria Lumière
Ao almoço estivemos três mulheres a saborear a deliciosa comida portuense com um copo de vinho branco verde para nos refrescarmos dos 29 graus, mas desse momento não tenho registo.
Porto, o Casario.
Quando cheguei a casa tinha uma surpresa do Amigo Henrique Antunes Ferreira
à minha espera:
Goa chegou até mim. Obrigada. Um dia destes a rã voltará aqui.
Também trarei mais apontamentos do Porto.
PORTO SENTIDO
Quem vem e atravessa o rio Junto à serra do Pilar vê um velho casario que se estende até ao mar
Quem te vê ao vir da ponte és cascata, san-joanina erigida sobre um monte no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas da Ribeira até à Foz por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério num rosto e cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria
[refrão] Ver-te assim abandonada nesse timbre pardacento nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez em cada regresso a casa rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa
A Casa da Música no Porto rasga a paisagem, torna-se um grito que emerge do solo ao relacionar-se com o casario que o envolve. Bela na sua magnificência, extravagante nos seus gastos, ali se ergue imponente. Não ensurdece, na sua árida pedra ouve-se a límpida melodia.
Casa da Música, Porto
Relacionando esta Casa com uma poetisa "portuense"** , dela registo as palavras que li recentemente:
«A água desempenharia um papel musical, como o acompanhamento duma sinfonia de verdura.»
Porto, 14 de Julho de 2004,
Agustina Bessa-Luís*, no livro: revelação da água, texto de Agustina Bessa-Luís, fotografia de João Menéres. Porto: Edição, João Menéres, 2005.
Este edifício não tem um ponto que dê um enfoque à água mas a música assemelha-se a essa preciosidade que «sempre foi relacionada com a fonte da vida»*.
[Um livro belíssimo em imagem e em palavras, voltarei a ele, se os autores não se importarem].
**Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã-Amarante.
Janelas, reflexos, espelho sem narciso. Água, terra, fogo, ar contidos no azul vidrado dos azulejos. Nota traduzida pela paleta como símbolo do que vai ser criado. divagações ... olhares perdidos no céu!
Um livro, uma surpresa... que veio preencher o quarto vazio.
Porto, Janelas com azulejo - O quarto vazio
O livro E quando chegares à dura pedra de mármore não digas: «Água, água!», porque se encontraste o que procuravas perdeste-o e não começou ainda a tua procura; e se tiveres sede, insensato, bebe as tuas palavras pois é tudo o que tens: literatura, nem sequer mistério, nem sequer sentido, apenas uma coisa hipócrita e escura, o livro.
Não tenhas contra ele o coração endurecido, aquilo que podes saber está noutro sítio. O que o livro diz é não dito como uma paisagem entrando pela janela de um quarto vazio*.
*Tchousang Tseu Manuel António Pina, Os Livros, Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 9.
Logo de manhã, mal acordamos ouvimos falar da crise que todos sentimos. Mas nem tudo são más notícias. Recebi uma tela e um convite que veio do Instituto de Santo António dos Portugueses para visitar uma exposição em Roma. Grata pelo convite. A chuva não faz tanta tristeza quando recebemos uma janela onde o bom tempo impera.
Paolo Bigelli, La buona stagione (la finestra)
Acrilico su tela cm.100x100
A tela vai estar em exposição no Instituto de Santo António dos Portugueses no evento intitulado "Tramas coloridas" de 2 a 20 de Dezembro de 2011.
Janelas da casa Amarela, Porto (As minhas favoritas das impressões que trouxe da cidade)
Pelo Fado, com vontade de que seja Património Imaterial da Humanidade!
"Trent'anni pocu, trent'anni assai". Plus d'informations sur ce DVD disponibles sur le site officiel du groupe de chants polyphoniques Corse A Filetta : www.afiletta.com
Se hoje comer uma castanha quero que com ela venha este poema:
É tão fundo o silêncio
É tão fundo o silêncio entre as estrelas. Nem o som da palavra se propaga, Nem o canto das aves milagrosas. Mas lá, entre as estrelas, onde somos Um astro recriado, é que se ouve O íntimo rumor que abre as rosas.
José Saramago, Provavelmente Alegria, Lisboa: Caminho, 1998, p.34 (4ªedição)
Numa breve visita ao Porto fui à Livraria Lumière da Cláudia Ribeiro e da Alexandra Ribeiro, duas mulheres jovens e encantadoras que vivem no mundo dos livros. Sempre achei que os portuenses eram pessoas simpáticas e acollhedoras. Ontem tive a prova disso. A Cláudia com quem passei mais tempo, porque a Alexandra teve que ir para a livraria, foi uma anfitriã exímia. Uma mulher livreira, apaixonada por livros de uma sensibilidade extraordinária.
Livraria Lumière, Travessa da Cedofeita, Porto
Livros, cromos, gravuras, tudo fantástico.
Tive uma surpresa que me deixou sem palavras recebi esta caixinha. E o que tinha dentro?
O Fernando Pessoa, o meu poeta maior.
O Bibliófilo Aprendiz
Para que servem livros antigos? Por quê, para quê coleccionar livros raros? Essas perguntas lembram-me uma história que se conta. Dizem que um poeta francês foi apresentado a um riquíssimo banqueiro. O apatacado personagem perguntou ao poeta: - Para que serve a poesia? E o poeta respondeu-lhe: - Para o senhor, não serve para nada.
Rubens Borba de Moraes, O bibliófilo Aprendiz, Lisboa: Letra Livre, 2011, p. 19. ;)
Voltarei à Livraria Lumière aqui e não só. Hoje, apenas quero deixar: