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01/08/2020

A ver o mar para "As sílabas de Amália"

A ver o mar, Salvador-Baía



A linha do horizonte atrai e chega a ser hipnótica.
 Isto é, prende o nosso olhar até nos perdermos em memórias.

[*Troca de dia 1 por dia 18, uma troca imperdoável].


Eu queria dar-te  um Fado

Eu queria dar-te  um Fado
com todo o sol de Lisboa
e aquele canto salgado 
que há em Camões e Pessoa
e é o som do mar quando ecoa
no tom do poema e do fado.

Eu queria dar-te um fado
com palavras por dizer
e o amor não encontrado
que só pode acontecer
quando a cidade tremer
no poema do teu fado.

Eu queria dar-te  um Fado
com o que vi e ouvi
no país imaginado
que sendo longe é aqui
e te leva além de ti
dentro do teu próprio fado.

Manuel Alegre, As Sílabas de Amália. Lisboa: D. Quixote, 2020, p. 55

* para a Isabel

Com a cortesia do youtube

27/04/2017

Abril de Sim Abril de Não

A arte e as Humanidades, a palavra e a imagem, hão-de sempre prevalecer.

Abril de Sim Abril de Não

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre
30 Anos de Poesia
Publicações Dom Quixote

10/05/2013

Jardim

No meu jardim ainda não há hortênsias.

Pieter Brueghel the Younger, Preparação dos canteiros,1617(?), Museu de Arte Nacional, Bucareste, Roménia

Preparation of the Flower Beds by Pieter Brueghel the Younger


Jardim

É a hora das rosas e hortênsias
alguém anda a colhê-las para mim.

Na minha casa em Águeda as ausências
passeiam ao fim da tarde no jardim.

20-3-2006

Manuel Alegre, Doze Naus. Lisboa: D. Quixote, 2007, p. 41.


06/03/2012

"Nossos corpos agora estão feridos"

Uma tarde com Manuel Alegre, o poeta, o político mas acima de tudo o homem que é.

As palavras que se focaram: liberdade de expressão, democracia e justiça social. Em suma, encontrámos humanidade. Apesar do poema falar de amor hoje o verso que serviu de título podia ser fruto da realidade que vivemos.

Manuel Alegre

Leitura de um poema sobre o mar e o povo português.


Desenhos de João Cutileiro

(p. 7 do livro indicado)


"Trovas do Tempo que Passa"-letra de Manuel Alegre
"Fado" - letra de Manuel Alegre

18/02/2009

Manuel Alegre e Tristeza

Mondrian, Árvore

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

Manuel Alegre

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