Do Professor Doutor A. H. Oliveira Marques
Lembrar é ver e rever o seu pensamento Histórico!
Do Professor Doutor A. H. Oliveira Marques
Lembrar é ver e rever o seu pensamento Histórico!

* A Terra habitada e as zonas inabitáveis, segundo o Tratado da Esfera, de Sacrobosco, século XIII.
O Professor Oliveira Marques faleceu a 23 de Janeiro de 2007. Foi e é o mentor da História e da Cultura portuguesas para muitos estudantes e para os apaixonados pela História das nossas raízes.
Observando a imagem, pergunto-me se o mundo equatorial não será agora mais desejável que o nosso país?
João, Duque de Berry apreciando uma grande refeição. O Duque está sentado na alta mesa abaixo de um luxuoso baldaquino em frente à lareira, servido por vários criados, incluindo um que somente serve as carnes. À mesa, à esquerda do Duque, está um saleiro dourado, na forma de um navio. (wikipedia)
«A um português nascido nas arribas, faltava mar. Só vi uns bocadinhos e por pouco tempo, no Norte, entre Bremen e Greifswald. Em Travemünde, perto de Lübeck, desejoso de o ver, enganei-me no caminho e dirigi-me para sul em vez de para o norte. À vista de Rügen passei horas sentado num banco. Mas era um mar que não se parecia nada com o mar português. Faltavam também gatos, não dos recolhidos e bem tratados em casa, mas dos bravios, acompanhando-nos e acordando-nos com os seus cânticos de cio. E faltava sobretudo luz, desta que, até em Portugal, só se colhe a sul de Rio Maior. »
A. H. Oliveira Marques
Quando hoje olhamos para o 25 de Abril de 1974, o que vemos? Que balanço fazemos? Que sucessos, que fracassos, que impasses identificamos nós? Nos sucessos, há dados quase indiscutíveis: a estabilização da democracia, depois de quase cinco décadas de ditadura. O fim do colonialismo, depois de muitos anos de cegueira política e 13 anos de guerra. A abertura ao desenvolvimento, em contraste com a letargia do Estado Novo. Os fracassos são, naturalmente, mais controversos. (...)
No plano da democracia, o fosso entre a sua dimensão representativa e as exigências participativas tem aumentado, sem que se consiga responder com eficácia à degradação dos partidos, à descredibilização dos políticos ou ao desinteresse dos cidadãos."

Óleo sobre Tela, 152 x 97, 5 cm , Museu Carlos Reis, Torres Novas
"Nas artes, a persistência das antigas formas e estilos sentiu-se ainda mais do que na literatura. Predominaram o naturalismo e o nacionalismo na pintura, na escultura e na arquitectura, com geral alplauso do público. As exposições de arte (em constante aumento desde 1910) mostraram sem fadiga uma sucessão monótona e sempre crescente de pintores neo-românticos, tratando com as mesmas técnicas dos mesmos temas, onde o camponês e o cenário rural "típicos" eram exaltados formosamente e artisticamente, com desprezo pela cidade e pelos valores urbanos. Uma corrente deste tipo, apesar da qualidade em geral boa dos seus representantes (Carlos Reis, Falcão Trigoso, António Saúde, Alves Cardoso, Alberto de Sousa e os velhos mestres que continuavam activos, como Malhoa e Columbano) não traziam inovações, e não podia interpretar as grandes mudanças que Portugal e o Mundo iam atravessando".
*(1914-1918)
A. H. Oliveira Marques, A Primeira República Portuguesa, Texto Editores, 2010, (2ª edição), p.21 e 89.
