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23/01/2021

In memoriam

 Do Professor Doutor A. H. Oliveira Marques




Lembrar é ver e rever o seu pensamento Histórico!


23/08/2018

In Memoriam - A. H. Oliveira Marques

A toponímia marca as memórias de um povo, regista aqueles cuja obra ajudou a modificar o mundo e a entendê-lo melhor. Eis a minha homenagem a um nome que por ter influenciado gerações fica assim eternizado, não só pela obra, mas pelas mãos de outros homens que o evocaram.

A. H. Oliveira Marques nasceu em 1933 e faleceu em 2007

file:///C:/Users/Eduardo/Downloads/Toponimia_Lx_Oliveira_Marques.pdf*

A inscrição do nome de A. H. Oliveira Marques na toponímia de Lisboa testemunha o valor que atribuímos ao papel da memória como elemento essencial à construção de uma identidade sólida, à formação da cidadania e de um sentido de comunidade. O reconhecimento público e a homenagem ao historiador A. H. Oliveira Marques, ao promover o reavivamento das origens e protagonistas da nossa história coletiva, simbolizam a importância da consciência do passado como forte elo de ligação ao presente e ao futuro. *


Lisboa, junho de 2017 

Catarina Vaz Pinto 

Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa



23/08/2017

Sabedoria em memória de A. H. Oliveira Marques

Em memória do professor Oliveira Marques que nasceu em 1933, a 23 de Agosto, reflecti sobre estes dois textos um de Platão e outro do historiador. 
Tudo se pode interligar quando queremos ver.


Sócrates sentou-se e respondeu:
-Seria bom, Agatão, que a sabedoria fosse uma coisa que se pudesse transmitir, de um homem que a possui, a um homem que não a possui, mediante um simples contacto mútuo, tal como a água que passa para um copo vazio através de um simples fio de lã.


Platão, O Banquete ou do Amor, Coimbra: Atlântida Editora, sd, p. 44.



A. H. Oliveira Marques, "História genealógica do homem comum: micro-história ou macro-história?", Revista da Faculdade de Letras História,Porto, Série, III, vol. 4, 2003, pp. 173-186.



23/01/2017

In Memoriam - A H. Oliveira Marques

Os homens vivem através dos seus livros e das memórias que deixaram. 
O historiador A. H. Oliveira Marques é uma figura incontornável 
do conhecimento da História em Portugal.

Aqui fica um trecho de um tempo e uma época da História de Portugal.



A H. Oliveira Marques,"Da Monarquia para a república", in História de Portugal (Org. José Tengarrinha). S. Paulo: Editora da Universidade do Sagrado Coração, pp.283-296.

23/08/2016

Homenagem A. H Oliveira Marques

Em memória do historiador A. H. Oliveira Marques que influenciou e influencia gerações de jovens.

Eis a História de Portugal por onde aprendi no liceu, embora a minha tenha capas duras pretas, com as letras gravadas a dourado. Contudo, tinha estas capas por fora. Com o uso as capas tiveram que ser dispensadas pois, estavam gastas e com os cantos rasgados. 
Hoje, nos liceus, os alunos carecem desta leitura e de outras. Talvez os manuais sejam demasiado ligeiros para os ligar aos livros. 
Responsabilidade?
De todos e principalmente de quem gere os programas e currículos.


O historiador nasceu a 23 de Agosto de 1933.

(imagem retirada da net, preço justo)




12/02/2016

Inspiração Dalí...




If memory (in all of us so dim!)
persists in landscapes, chic and trim,
where watches melt on chici trees
and mountains float on desert seas,
astounding facts, indeed,
do rally to teach the clever Mr. Dalì


J.A. GAERTNER, The Persistence of Memory by Salvador Dalì [Poem], in «College Art Journal», Vol. 17, No. 4 (Summer 1958), p. 381. (daqui)

Salvador Dalí morreu a 23 de Janeiro de 1989 e pintou a Persistência da Memória, em 1931, quadro em que me inspirei para esta fotografia.

O tempo está ligado à História, lembro, também, que a 23 de Janeiro de 2007 faleceu o historiador A. H. Oliveira Marques, a quem presto homenagem, embora tardiamente.

O espaço a condicionar o tempo.

"Fim do mundo, lugar de destino mais do que passagem, com pouca atracção do mar, a situação geográfica de Portugal não era exactamente das mais propícias ao desenvolvimento de culturas superiores. Por longos séculos estaria por trás do atraso de muitas características nacionais."

A H Oliveira Marques, Breve História de Portugal. Lisboa: Editorial Presença, 2012 (8ª edição), p.12 e 13.

Um pintor e um historiador ambos preocupados em conhecer o mundo, em estudá-lo e interpretá-lo.


25/05/2014

Apontamentos num dia em que Portugal e Espanha se encontram

Madrugava em Lisboa (dia 24 de Maio) e o som propagava-se em castelhano. Os rostos eram alegres, a multidão pululava em dia de festa. 
A festa não era só de nuestros hermanos, os portugueses são hábeis anfitriões receberam os "invasores" como bons vizinhos que somos.


Acompanhando os capitães de Abril espalhados pela cidade, cruzam-se os cidadãos perante o sol que gentilmente apareceu.

No Chiado, a feira do livro seguia a rotina de fim de semana. O regresso à infância espelha-se num dos livros adquiridos.


Na Bénard o ritual repete-se: o café e o scone são saboreados paulatinamente.

Ao almoço o encontro, a partilha, o riso, o silêncio... e o vinho alentejano de casta sublime. O Tejo hoje também Tajo não divide mas une.
 Lembranças 

As Origens
Não faz hoje sentido falar  de uma unidade do território português baseado em condições naturais ou de uma individualidade geográfica de Portugal dentro do conjunto da Península Ibérica.
Na verdade, o Minho continua a Galiza tanto na orografia e no clima como nas formas de exploração do solo. Trás-os Montes e o norte da Beira prolongam a meseta Ibérica. A Cordilheira Central (Serra da Estrela, etc.) separa o Norte e o Sul de Portugal assim como separa o Norte e o Sul da vizinha Castela. A Beira Baixa e o Alentejo compartilham de condições que se encontram na Estremadura espanhola. E a província mais meridional do  País, o Algarve, não difere grandemente da Andaluzia litoral.  

A. H. de Oliveira Marques, Breve História de Portugal. Editorial Presença, 2012 (8ª edição), p. 11.

Os chocolates pereceram devido ao pecado da gula. 
A todos obrigada.




23/01/2014

A. H. de Oliveira Marques - "a salvação das almas"

O homem é por natureza religioso. Dentro deste lema escolhi uma citação do historiador A. H. Oliveira Marques para o homenagear.

A fonte de Paio Guterres no Claustro do Silêncio, (Igreja de Santa Cruz)
porque o historiador é fonte de inspiração para os mais novos.
A. H. de Oliveira Marques nasceu a 23 de Agosto de 1933 
e faleceu a 23 de Janeiro 2007.

"Razões económicas e sociais, todavia, são geralmente insuficientes para uma compreensão global de qualquer feito da Idade Média. Dão-nos a base, a plataforma racional da acção, mas omitem esse invólucro colorido que todo o homem exige para se desculpar a si próprio e para convencer os outros de uma empresa nobre e idealista. No caso da expansão do século XV, um tal invólucro era feito de contextura religiosa dupla: a luta contra o infiel e a salvação das almas." 

A. H. Oliveira Marques, Breve História de Portugal. Lisboa: Presença, 1998, pp. 124-134.


23/01/2013

A. H. Oliveira Marques - sobre os portugueses

Gárgula, Sé Velha, Coimbra
A. H.Oliveira Marques em torno da sua memória. 
O historiador nasceu a 23 de Agosto de 1933 e faleceu a 23 de Janeiro de 2007.

Sobre os portugueses na centúria de quinhentos.

«Os homens são de mediana estatura, mais sobre o pequeno do que sobre o alto, mais sobre o moreno do que sobre o louro, de aspecto triste.» 

 A. H. Oliveira Marques, Portugal Quinhentista, Ensaios. Quetzal Editores, Referências, Lisboa, 1987.

Os portugueses continuam com a sua tristeza, uma caraterística que é imutável.

 

23/01/2012

In Memoriam

Os Portugueses dos séculos XV e XVI provaram pela experiência e pela dedução científica que o mundo equatorial era habitável e habitado.*


Fig. 19 da História de Portugal de A. H. de Oliveira Marques, Lisboa: Palas Editora, 1976 (6ª edição).



* A Terra habitada e as zonas inabitáveis, segundo o Tratado da Esfera, de Sacrobosco, século XIII.

O Professor Oliveira Marques faleceu a 23 de Janeiro de 2007. Foi e é o mentor da História e da Cultura portuguesas para muitos estudantes e para os apaixonados pela História das nossas raízes.


Observando a imagem, pergunto-me se o mundo equatorial não será agora mais desejável que o nosso país?

23/08/2011

Um intervalo nas férias para uma homenagem

A História das coisas simples do dia-a-dia, a casa, a vida rural, o sustento, o divertimento, a cultura ou os afectos são questões que me interessam sobremaneira. À procura de respostas e de problemáticas sobre estas matérias recorri ao Professor Doutor A. H. Oliveira Marques para homenagear o historiador no dia do seu aniversário, 23 de Agosto de 1933.



Ilustração do Livro das Horas Très Riches Heures du Duc de Berry, c. 1410.






João, Duque de Berry apreciando uma grande refeição. O Duque está sentado na alta mesa abaixo de um luxuoso baldaquino em frente à lareira, servido por vários criados, incluindo um que somente serve as carnes. À mesa, à esquerda do Duque, está um saleiro dourado, na forma de um navio. (wikipedia)


A Mesa
De uma maneira geral, a alimentação medieva era pobre, se comparada com os padrões modernos. A quantidade supria, quantas vezes, a qualidade. A técnica culinária achava-se ainda numa fase rudimentar e as conquistas da cozinha romana haviam-se perdido. A condimentação obedecia a princípios extremamente simples.
Do ponto de vista da ciência actual, a alimentação medieva revelava-se deficiente em vitaminas. Feita à base de cereais, de carne, de peixe e de vinho, mostrava falta grande de vitamina D e considerável de A e C. Os resultados destas deficiências traduziam-se por uma débil resistência às infecções, com o consequente progresso fácil das epidemias; por frequentes doenças da vesícula e dos rins (resultado da acumulação de pedra) e dos olhos (cegueira, xeroftalmia), resultado da falta de vitamina A; finalmente, por escorbuto muito comum, devido à deficiência em vitamina C2.
As duas refeições principais do dia eram o «jantar e a ceia». Jantava-se, nos fins do século XIV, entre as dez e as onze horas da manhã; mas nos séculos anteriores, essa hora teria de recuar para as oito ou nove. Ceava-se pelas seis ou sete horas da tarde. No Leal Conselheiro, o rei D. Duarte recomendava que decorressem sete a oito horas entre as duas refeições e que, jantando-se muito, se ceasse pouco, assim como, ceando-se muito, se jantasse pouco no dia imediato. Como ideal de frugalidade, prescrevia-se a ausência de qualquer outro repasto durante o dia. É de supor, contudo, que o progressivo atraso da hora do jantar tivesse implicado, a partir de certa altura, a necessidade de um "almoço" tomado pouco depois do levantar.
O jantar era a refeição mais forte do dia. O número de pratos servidos andava, em média, pelos três, sem contar sopas, acompanhamentos ou sobremesas. Isto, entenda-se, em relação ao rei, à nobreza e ao alto clero. Entre os menos privilegiados ou os menos ricos, o número de pratos ao jantar podia descer para dois ou até um. À ceia, baixava para dois a média das iguarias tomadas; ou para um, nos outros casos indicados. A base da alimentação por excelência era a carne. Ao lado das carnes de matadouro ou carnes gordas, vaca, porco, carneiro, cabrito (na Coimbra do século XII, cotava-se a maior preço a carne de porco e a carne de carneiro gordo, e só depois vinham a vaca e o cabrito; na Évora de 1280, como de 1384, valia a carne de vaca o dobro da de porco e mais do dobro das de carneiro e cabra), consumia-se largamente caça e criação.




A.H. Oliveira Marques, A Sociedade Medieval Portuguesa, Lisboa: Esfera dos Livros, 2010, p. 28

23/01/2011

"... faltava o mar" - A. H. Oliveira Marques

Não conheci pessoalmente o Professor Doutor A. H. Oliveira Marques, somente o conheci através dos livros que li na adolescência e não só.
A vertente pessoal e humana não conheci e não posso saber como se traduzia a sua sensibilidade. Contudo, na homenagem feita pela Biblioteca Nacional em 2007, encontrei, nestas suas palavras, o homem para além do Historiador.
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1933-2007

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhudIK5tFEYdh_H2xR9y2sg6zm_iwzKyGjKm37oEgV_t6wWTCxOKs3NP2QRWk1btXTFqm9cmxg9Elc_vwhjSPTNiRaYnuPcykZHxvj_GwEDorXHWP8MuLLYQUDXdIOpv4OjsX2W-2J1wrGW/s1600-h/Oliveira+Marques.jpg

«A um português nascido nas arribas, faltava mar. Só vi uns bocadinhos e por pouco tempo, no Norte, entre Bremen e Greifswald. Em Travemünde, perto de Lübeck, desejoso de o ver, enganei-me no caminho e dirigi-me para sul em vez de para o norte. À vista de Rügen passei horas sentado num banco. Mas era um mar que não se parecia nada com o mar português. Faltavam também gatos, não dos recolhidos e bem tratados em casa, mas dos bravios, acompanhando-nos e acordando-nos com os seus cânticos de cio. E faltava sobretudo luz, desta que, até em Portugal, só se colhe a sul de Rio Maior. »

A. H. Oliveira Marques

05/10/2010

Da "República" - Carrilho, Mattoso, Oliveira Marques

No centenário da República, sublinham-se quatro pensamentos, um iconográfico, que captaram a minha atenção.
Subsiste a pergunta, o que somos para onde vamos?
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Stuart Carvalhais, ilustração para um bilhete postal de propaganda ao jornal República.
Década de 1910.

Que República?

Quando hoje olhamos para o 25 de Abril de 1974, o que vemos? Que balanço fazemos? Que sucessos, que fracassos, que impasses identificamos nós? Nos sucessos, há dados quase indiscutíveis: a estabilização da democracia, depois de quase cinco décadas de ditadura. O fim do colonialismo, depois de muitos anos de cegueira política e 13 anos de guerra. A abertura ao desenvolvimento, em contraste com a letargia do Estado Novo. Os fracassos são, naturalmente, mais controversos. (...)

No plano da democracia, o fosso entre a sua dimensão representativa e as exigências participativas tem aumentado, sem que se consiga responder com eficácia à degradação dos partidos, à descredibilização dos políticos ou ao desinteresse dos cidadãos."

Manuel Maria Carrilho, E Agora? Por uma nova República, Porto: Sextante Editora, 2010, p.61.
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"Por influência do meu pai e do ambiente familiar, confesso que a [I] República tomou uma atitude inaceitável para com a Igreja e os católicos. Teria sido muito mais inteligente se tivesse encontrado uma via de entendimento."
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José Mattoso, Revista Ler "Ao Sabor da História", nº 94 ,II Série, Livros & Editores, p.32
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Sobre o livro, o historiador escreveu:
" Tentou debruçar-se sobre os acontecimentos com esse máximo de imparcialidade que a condição humana do historiador permite. Se conseguiu ou não, o leitor dirá. Acaso a ausência de uma ideologia vulgarmente reconhecível fará destes sete pequenos capítulos uma obra de tendência "burguesa" a olhos marxistas e um livro com cheiro socialista a olhos burgueses. Oxalá assim seja, porque nada melhor aspira o autor do que a fugir aos rótulos ideológicos com que se costumam etiquetar as pessoas".
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A. H. Oliveira Marques, A Primeira República Portuguesa, Texto Editores, 2010, (2ª edição), Prefácio.

04/10/2010

Permanências em Tempo de Mudanças... - A. H. Oliveira Marques

Em ano de comemoração do Centenário da República ofereci a mim mesma o livro: A Primeira República Portuguesa, do Professor Doutor A. H. Oliveira Marques. É um período da história portuguesa que não me atrai particularmente. Digamos que gosto de determinados aspectos. O livro é interessante e aliciante. Foca as estruturas e conjunturas que estão na base das alterações do regime monárquico para o regime republicano - permanências e mudanças. Há muitos trechos que gostaria de referir mas, por falta de tempo, apenas escolhi estes dois excertos.

"Veio a Guerra* e o seu difícil rescaldo. As hesitações dos governos, pressionados pelas questões políticas e pela falta de continuidade no poder, justificaram as críticas de muitos e impediram que a questão frumentária pudesse continuar a ser debelada no quadro lei de Elvino de Brito. A legislação numerosa e contraditória (decretos e leis de 1915, 1916, 1918, 1919 e 1921, ente os mais importantes) que saía do Terreiro do Paço pouco ajudava".

Carlos Reis, A Talha Vidrada, Não Datado


Óleo sobre Tela, 152 x 97, 5 cm , Museu Carlos Reis, Torres Novas

"Nas artes, a persistência das antigas formas e estilos sentiu-se ainda mais do que na literatura. Predominaram o naturalismo e o nacionalismo na pintura, na escultura e na arquitectura, com geral alplauso do público. As exposições de arte (em constante aumento desde 1910) mostraram sem fadiga uma sucessão monótona e sempre crescente de pintores neo-românticos, tratando com as mesmas técnicas dos mesmos temas, onde o camponês e o cenário rural "típicos" eram exaltados formosamente e artisticamente, com desprezo pela cidade e pelos valores urbanos. Uma corrente deste tipo, apesar da qualidade em geral boa dos seus representantes (Carlos Reis, Falcão Trigoso, António Saúde, Alves Cardoso, Alberto de Sousa e os velhos mestres que continuavam activos, como Malhoa e Columbano) não traziam inovações, e não podia interpretar as grandes mudanças que Portugal e o Mundo iam atravessando".

*(1914-1918)
A. H. Oliveira Marques, A Primeira República Portuguesa, Texto Editores, 2010, (2ª edição), p.21 e 89.

23/08/2010

Em memória: Os Livros e a Censura - A. H. Oliveira Marques

Homenagem ao historiador Professor Doutor A. H. Oliveira Marques que nasceu a 23 de Agosto de 1933.
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A Censura em Portugal é um tema que me interessa bastante.
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Professor Doutor A. H. Oliveira Marques

Três Fases na História da Censura em Portugal
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I- A Século XVI
"(...) A censura variou consoante a época, a personalidade dos censores e as influências por detrás dos autores. Mas em qualquer caso revelava-se sempre um elemento desencorajador para escritores e para editores. Somada à Inquisição e à influência jesuítica, fez afrouxar sem sombra de dúvida a produção literária, impedindo Portugal, de acompanhar o progresso científico e cultural europeu a um ritmo normal, e dando origem a um género assaz interessante (mas triste pelo simples facto da sua existência) de literatura clandestina que aguarda ainda ao seu historiador. Apesar de todos estes freios a um desenvolvimento cultural pleno, o mundo português na segunda metade do século XVI e na primeira metade do XVII tinha ainda vigor bastante para produzir um bom número de obras-primas e rivalizar (excepto no campo científico) com a Europa culta. O surto humanista produziu alguns dos seus melhores frutos depois de 1550, especialmente entre os homens que pertenciam às gerações formadas antes ou por volta dos meados da centúria. Luís de Camões (1525?-1580) foi o maior de todo, com os Os Lusíadas publicados em 1572 e rapidamente difundidos pela Europa ilustrada. À sua geração pertenceram poetas e prosadores como António Ferreira (1528- 1583?)e o esteta e artista Francisco de Holanda (1517?-89), comparáveis ao melhor que a Europa do tempo podia oferecer. As gerações ulteriores produziram alguns autores de nomeada, tais como os historiadores Diogo do Couto (1542-1616) e Fr.Luís de Sousa (1555-1632) (...)".
xx
A. H. Oliveira Marques, Três Fases na História da Censura em Portugal, Intervenção no colóquio internacional Humanismo Latino na Cultura Portuguesa, 17 a 19 Outubro de 2002, FLUP/Porto http://www.humanismolatino.online.pt/v1/pdf/C001_01.pdf

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