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22/03/2020

O castelo


Os muros cheios de hera
acolhem o sol preguiçoso
da primavera anunciada

Os homens onde estão?
Recolhidos nos seus castelos
ou moinhos de vento

à espera que o ar amanheça límpido,
inócuo, sem resquícios de vírus
importado do sol nascente...
e da terra onde as estátuas estão vivas.

O castelo torna-se local imperioso,
síto de protecção e defesa,
abrigo das tempestades e das pestes.
Estamos na idade do silêncio.





Com a gentileza do Youtube

11/02/2020

Para a Alexandra...

... deixo um dos meus últimos hobbies com o desejo de 
um dia muito feliz e muitos parabéns! 


Ainda está por finalizar o hall de entrada (escadas), o escritório e alguns detalhes na cozinha. A iluminação também ainda não está montada . Bem com faltam uns objectos ... mas a seu tempo. Foi tudo feito por mim excepto os sofás, a casa de banho e as cadeiras. Ah e as meninas e gatos. 




14/09/2019

Através das grades, ao longe, o olhar solitário sobre o rio


Através das grades, ao longe, o olhar solitário sobre o rio


Não se vê o rio que corre...
Vê-se o asfalto cinzento
alcatrão alma do progresso
acelerado, 
movimento,
 pausa
vazio no momento.

08/07/2019

Pisco

                                                                              Águeda, Aveiro - Street Art

O Pisco

É arisco, pica aqui e acolá,
Nunca está satisfeito.
Saltita de ramo em ramo,
À procura de um sentido…

É mais belo quando adulto.
De olhar penetrante e sentido à escuta,
Assusta com o seu peito colorido
A fêmea que o abraça.

Alegria, amor, o que é afinal?
Horas de fuga,
Sentido pleno, sonhos perdidos.

Artur Bordalo, mais conhecido como Bordalo II


Homenagem a João Gilberto (1931-2019)
Ouçam só a primeira canção. Outra ave voou... 

 

27/03/2019

A mentira!

Olhos mudos



Olhos mudos observam a mentira,
imutáveis... nada podem fazer.
É a verdade contra uma parede falsa.
Arbítrio: verdade ou mentira?
A verdade dos inocentes versus a mentira fria
do poder do grupo sobre o indivíduo...
...Silêncio.

*****

A nossa ânsia de verdade é grande,

A nossa ânsia de verdade é grande, e por certo o que quiséramos fora, não esta doutrina do Limiar, senão a casa e o lar que há nele.

De aí a arte, feita para entretimento dos outros e nossa ocupação, dos que somos ocupáveis desse modo. Negada a verdade, não temos com que entreter-nos senão a mentira. Com ela nos entretenhamos, dando-a porém como tal, que não como verdade; se uma hipótese metafísica nos ocorre, façamos com ela, não a mentira de um sistema (onde possa ser verdade) mas a verdade de um poema ou de uma novela - verdade em saber que é mentira, e assim não mentir. (...) e assim construí para mim esta regra de vida.

Procurei a verdade ardentemente, ora com uma atenção (…)

s.d.
Fernando Pessoa


Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, 1990, p.90.


01/01/2019

1 de janeiro: " A cura"

Um novo ano, no imaginário humano todas as esperanças e promessas se renovam, o futuro pode ressarcir o passado... tudo se torna possível no ciclo da vida.
Assim, procuro nas palavras de uma amiga a cura para a Humanidade como mote de iniciação.


(...)
Hoje o que venho pedir-te é a cura para a Humanidade. Os Homens estão doentes. Assistimos a todo o momento a guerras em praça pública e a julgamentos em busca de aplausos: "ele é mau, porque eu sou bom"; "ele não sabe, eu é que sei"; ele isto, eu aquilo... Como se pode sentir bem um homem que julga outro em busca de proveito próprio? E como podem outros aplaudir comportamentos assim? E onde fica a tão apregoada solidariedade? Todos somos imperfeitos, mas o Homem tornou-se egoísta e "apontar o dedo" é, infelizmente, mais fácil e rápido do que olhar para dentro de si. 

Proliferam atitudes como a rivalidade, a inveja, a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a má-língua, a corrupção, o oportunismo, a conveniência – uma longa lista. Durante uns dias a Humanidade irá fingir que é Carnaval, colocar as suas máscaras e engalanar-se para as festas. Vai dar-se o mundo embrulhado em laços coloridos de amizade, amor e solidariedade. 
Por isso, Menino Jesus, neste Natal, queria pedir-te que fizesses com que os homens se tornem mais conscientes e melhores, pois, se isso acontecer, o mundo poderá retomar um pouco do seu equilíbrio perdido e seremos todos muito mais felizes.

Graça Alves, Carta ao Menino Jesus

(clique no nome para ver o texto completo)

Com a cortesia do youtube, porém é uma pena estar mal filmado



Aqui fica outro vídeo onde se pode ver bem a expressão corporal do bailarino.

19/10/2018

25/08/2018

Preto e Branco

O tempo passa e fica inerte
eu olho,
tu olhas,
ele olha
mas não vimos com a mesma lente.





“A fotografia é uma lição de amor e ódio ao mesmo tempo. É uma metralhadora, mas também é o divã do analista. Uma interrogação e uma afirmação, um sim e um não ao mesmo tempo. Mas é sobretudo um beijo muito cálido.”

20/11/2017

Rudeza



Rudeza

Vivo rodeada de rudeza.
Pedaço de terra desértica
donde desperta uma flor,
grito do horror entre o belo e o cáustico.




04/08/2017

O tempo e os homens

O tempo, os homens e o mar...
O mar é sempre o mesmo, 
                                    o da nossa "infância",
livre das mudanças e dos tempos,
bate nas rochas, traz a sua espuma e o seu cheiro a maresia.

Passado, Grande Hotel da Figueira, arquitecto Inácio Peres Fernandes (inaugurado em 1953)

Passado, João de Barros, poeta, nasceu na Figueira da Foz

Presente, Eurostars Hotels, inaugurado em 2014, (passado?)
 arquitectos António Monteiro,  Pedro Santos

Presente


05/07/2017

Símbolos

Pelourinho de Ourém, século XV, símbolo do poder local



Símbolos,

Sobre o quadrado
 e o fuste octogonal
ergue-se a majestática
coroa aberta com remate em pinha .

Folhas de acanto,
flor de Lis,
adornam a paisagem,
cenário de vales e planaltos,
montanhas verdejantes:
símbolo de esperança.

Esperança num futuro melhor
brindado num copo de vidro.
Dioniso adormeceu,
em seu lugar acordou Apolo.

ana


Uma canção que pensava não conhecer... mas conheço.:))

19/05/2017

Silêncio - Um olhar sobre a montanha

Ao fundo a montanha.

Silêncio

Folhas de acanto, banco de namorados, nostalgia soalheira...
canto primeiro donde reconheceu a cegueira  
dando lugar ao arrependimento.

Pedra  simbólica, conta a história
pelas mãos da arquitecta,
incauta pensadora.

Vertigens, desequilíbrios, 
um gosto atractivo pelo abismo.
Mergulho simbólico no vazio
à procura de uma resposta: silêncio secular.

ana



30/03/2017

Fragrância



Fragrância

Uma flor caída do céu
guarda a fragrância
luminosa de uma tarde de Sol.



22/03/2017

O pagador de promessas

No dia 21 de Março celebrou-se o dia da poesia. O esquecimento é imperdoável. Porém, nunca é tarde para lembrar a poesia. Hoje, chegou até mim uma frase que achei poética, ouvi que havia quem vivesse de pagar promessas dos outros e, por isso, se chama o pagador de promessas, achei tão poético.

O Pagador de Promessas

O pagador de promessas 
é um homem estranho,
cumpre o que o devedor não pode cumprir.
Paga  o choro interior, a dívida espiritual,
o pacto do homem religioso.
O pagador de promessas
vive para anular a inquietude dos outros.

ana
Agradeço a quem me falou nesta personagem.


O AUTOR AOS SEUS VERSOS

Vós, que de meus extremos sois a história,
Versos, por negro zoilo em vão roubados,
Nascidos da Ternura, e restaurados
Co pronto auxílio de fiel memória:

Da inveja conseguindo alta vitória
Ide, meus versos, em Amor fiados,
Que dele só dependem vossos fados,
Que nele só demando a minha glória:

Não vos importe o público juízo;
Da voz, que pelo mundo se derrama,
Os vivas caprichosos não preciso.

Voai aos olhos, cuja luz me inflama;
Tereis de Anarda aprovador sorriso,
Um sorriso de Anarda é mais que a Fama.

Bocage ( retirado do banco de dados da Casa Fernando Pessoa)


16/03/2017

O riso do Astro-Rei

« (…) O riso é o final do racional; o pranto é o uso da razão (…) 
Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso:
 chorar com lágrimas é sinal de dor moderada, 
chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva...»

O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito
Discurso integral do Padre António Vieira, 
em Roma no ano de 1674, a convite da Rainha Cristina da Suécia

Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Padre António Vieira, Alfragide: Casa das Letras, 2010, p. 30.

O riso do Astro-Rei

Nasce a levante o Astro-Rei,
não há ruído senão o som da Natureza,
como o marulhar do mar que não está presente.

Contraste de cores, preto, amarelo - ocre,
paleta quase fauve com traço naturalista 
desenha-se no horizonte visível.

O livro aberto, as páginas escolhidas,
as letras sublinhadas resultam da leitura obrigatória,
esquecimento do sonho risível,
do diálogo entre o choro e o riso.

O choro dos tolos é fácil de brotar,
o riso dos fracos fortalece o pensamento,
constrói uma torre de Babel...
Chorar com riso é sinal que se vive sem viver.



11/03/2017

Diálogo


Para além da curva da estrada                                                                    No caminho

Para além da curva da estrada                                                       Encontramos sempre uma barreira
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,                                    vislumbro uma torre contra a utopia,
E talvez apenas a continuação da estrada.                                   Na continuação do caminho.
Não sei nem pergunto.                                                                   Nele me embrenho.
Enquanto vou na estrada antes da curva                                      enquanto caminho, só olho em frente
Só olho para a estrada antes da curva,                                         para as árvores e o céu,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.                 Porque não adivinho o que há para lá
De nada me serviria estar olhando para outro lado                      do caminho e que não vejo.
E para aquilo que não vejo.                                                            Procuro não sentir mas sinto,
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.                            O passado/presente e não o futuro
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.                  Clepsidra tangível;
Se há alguém para além da curva da estrada,                                             não encontro quem caminhe
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.      Para lá da montanha,
Essa é que é a estrada para eles.                                                                  o caminho para o cume
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.               Chegarei lá?
Por ora só sabemos que lá não estamos.                                          Só sei e sinto o peso de estar aqui,
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva                  nesta encruzilhada do caminho onde
Há a estrada sem curva nenhuma.                                      as pedras magoam e o caminho desaparece.

Alberto Caeiro, s.d.                                                                                           11-03-17 ana


Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994, p. 129.


02/03/2017

todo o universo



O mar tem tanto de belo como de cáustico:
atrai, encanta-nos, ofusca-nos.
No entanto, o seu sal pode queimar os incautos
sonhadores, crianças gigantes despojadas de sentido…
fazem do micro mundo um exagero perdendo a razão de ser.
Os que sentem e amam são tolos não sabem a proporção das escalas.
macro?...
micro?...
todo o universo se reduz a sentir alegria ou dor, grande ou pequena
do tamanho de um grão de areia ou de uma montanha vulcânica.
Proporções?
O que é isso quando se fala de amor?
O poeta diria que tudo é ridículo.


19/02/2017

padrão/paradigma

padrão = modelo, paradigma.                                      Mário Cesariny, Naniôra, Uma e Duas, 1960, Centro Aarte Moderna Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian


O paradigma humano é dos mais difíceis de entender. Porém, há um conjunto de sinais que se repete, que se constrói, que vêm a delinear e a desenhar um rosto.
Nem sempre queremos ver o rosto que sai do papel, embora, o tenhamos presente, não o queremos ver. Os olhos traem a nossa mente.
Do esboço, no entanto, sai um rosto real que nos observa, que nos trai, que nos interpela de diferentes maneiras, que nos distrai, que nos confunde e que no final fica só.
Há o fio umbilical ligado a si próprio, tal narciso, nem da posição fetal se recorda. 
Há um princípio e um fim mas a realidade fica à margem deste ciclo e acaba... mal.

ana


02/02/2017

Narciso


Narciso


Narciso
amarelo
que redundância...
pequeno
na mão
grande 
aos olhos.
Belo na imagem
terrível no ser,
mas tão necessário por vezes,
mesmo que entristeça
o seu autismo.

Força de vencer.


15/01/2017

Do apolíneo ao dionísiaco

Do apolíneo ao dionísiaco

Salvator Rosa, La menzogna (1635-1673), 

Galleria Palatina di Palazzo Pitti a Firenze
daqui
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Apolo nasce virtuoso,
cumpre o destino luminoso.
Dionísio canta pela noite
a sombra e os gracejos do prazer.

Apolo transporta as pautas musicais,
o espanto perante a melodia.
Dionísio traz consigo as uvas e o mel,
a bebida do esquecimento.

Apolo beija as flores da manhã,
escuda com a luz a fragilidade humana.
Dionísio traz a máscara do teatro,
num esgar mostra a verdade e a mentira.

A máscara de Apolo é dourada,
a de Dionísio é negra, da cor do carvão.
Botticelli pintou Apolo
e Caravaggio pintou Dionísio.

Ergo o espelho do chão e vejo
Apolo transformar-se em Dionísio
e Dionísio transformar-se em Apolo.
Apolo e Dionísio são uma e a mesma pessoa.

ana

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