... deixo um dos meus últimos hobbies com o desejo de
um dia muito feliz e muitos parabéns!
Ainda está por finalizar o hall de entrada (escadas), o escritório e alguns detalhes na cozinha. A iluminação também ainda não está montada . Bem com faltam uns objectos ... mas a seu tempo. Foi tudo feito por mim excepto os sofás, a casa de banho e as cadeiras. Ah e as meninas e gatos.
A nossa ânsia de verdade é grande, e por certo o que quiséramos fora, não esta doutrina do Limiar, senão a casa e o lar que há nele.
De aí a arte, feita para entretimento dos outros e nossa ocupação, dos que somos ocupáveis desse modo. Negada a verdade, não temos com que entreter-nos senão a mentira. Com ela nos entretenhamos, dando-a porém como tal, que não como verdade; se uma hipótese metafísica nos ocorre, façamos com ela, não a mentira de um sistema (onde possa ser verdade) mas a verdade de um poema ou de uma novela - verdade em saber que é mentira, e assim não mentir. (...) e assim construí para mim esta regra de vida.
Procurei a verdade ardentemente, ora com uma atenção (…)
s.d.
Fernando Pessoa
Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, 1990, p.90.
Um novo ano, no imaginário humano todas as esperanças e promessas se renovam, o futuro pode ressarcir o passado... tudo se torna possível no ciclo da vida.
Assim, procuro nas palavras de uma amiga a cura para a Humanidade como mote de iniciação.
(...) Hoje o que venho pedir-te é a cura para a Humanidade. Os Homens estão doentes. Assistimos a todo o momento a guerras em praça pública e a julgamentos em busca de aplausos: "ele é mau, porque eu sou bom"; "ele não sabe, eu é que sei"; ele isto, eu aquilo... Como se pode sentir bem um homem que julga outro em busca de proveito próprio? E como podem outros aplaudir comportamentos assim? E onde fica a tão apregoada solidariedade? Todos somos imperfeitos, mas o Homem tornou-se egoísta e "apontar o dedo" é, infelizmente, mais fácil e rápido do que olhar para dentro de si.
Proliferam atitudes como a rivalidade, a inveja, a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a má-língua, a corrupção, o oportunismo, a conveniência – uma longa lista.
Durante uns dias a Humanidade irá fingir que é Carnaval, colocar as suas máscaras e engalanar-se para as festas. Vai dar-se o mundo embrulhado em laços coloridos de amizade, amor e solidariedade.
Por isso, Menino Jesus, neste Natal, queria pedir-te que fizesses com que os homens se tornem mais conscientes e melhores, pois, se isso acontecer, o mundo poderá retomar um pouco do seu equilíbrio perdido e seremos todos muito mais felizes.
“A fotografia é uma lição de amor e ódio ao mesmo tempo. É uma metralhadora, mas também é o divã do analista. Uma interrogação e uma afirmação, um sim e um não ao mesmo tempo. Mas é sobretudo um beijo muito cálido.”
No dia 21 de Março celebrou-se o dia da poesia. O esquecimento é imperdoável. Porém, nunca é tarde para lembrar a poesia. Hoje, chegou até mim uma frase que achei poética, ouvi que havia quem vivesse de pagar promessas dos outros e, por isso, se chama o pagador de promessas, achei tão poético.
O Pagador de Promessas
O pagador de promessas
é um homem estranho,
cumpre o que o devedor não pode cumprir.
Paga o choro interior, a dívida espiritual,
o pacto do homem religioso.
O pagador de promessas
vive para anular a inquietude dos outros.
ana
Agradeço a quem me falou nesta personagem.
O AUTOR AOS SEUS VERSOS
Vós, que de meus extremos sois a história, Versos, por negro zoilo em vão roubados, Nascidos da Ternura, e restaurados Co pronto auxílio de fiel memória:
Da inveja conseguindo alta vitória Ide, meus versos, em Amor fiados, Que dele só dependem vossos fados, Que nele só demando a minha glória:
Não vos importe o público juízo; Da voz, que pelo mundo se derrama, Os vivas caprichosos não preciso.
Voai aos olhos, cuja luz me inflama; Tereis de Anarda aprovador sorriso, Um sorriso de Anarda é mais que a Fama.
Bocage ( retirado do banco de dados da Casa Fernando Pessoa)
Para além da curva da estrada Encontramos sempre uma barreira Talvez haja um poço, e talvez um castelo, vislumbro uma torre contra a utopia, E talvez apenas a continuação da estrada. Na continuação do caminho.
Não sei nem pergunto. Nele me embrenho. Enquanto vou na estrada antes da curva enquanto caminho, só olho em frente Só olho para a estrada antes da curva, para as árvores e o céu, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. Porque não adivinho o que há para lá De nada me serviria estar olhando para outro lado do caminho e que não vejo. E para aquilo que não vejo. Procuro não sentir mas sinto, Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. O passado/presente e não o futuro Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Clepsidra tangível; Se há alguém para além da curva da estrada, não encontro quem caminhe Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Para lá da montanha, Essa é que é a estrada para eles. o caminho para o cume Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. Chegarei lá? Por ora só sabemos que lá não estamos. Só sei e sinto o peso de estar aqui,
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva nesta encruzilhada do caminho onde Há a estrada sem curva nenhuma. as pedras magoam e o caminho desaparece.
Alberto Caeiro, s.d. 11-03-17 ana
Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994, p. 129.
O mar tem tanto de belo como de cáustico:
atrai, encanta-nos, ofusca-nos.
No entanto, o seu sal pode queimar os incautos
sonhadores, crianças gigantes despojadas de sentido…
fazem do micro mundo um exagero perdendo a razão de ser.
Os que sentem e amam são tolos não sabem a proporção das escalas.
macro?...
micro?...
todo o universo se reduz a sentir alegria ou dor, grande ou pequena
do tamanho de um grão de areia ou de uma montanha vulcânica.
padrão = modelo, paradigma. Mário Cesariny, Naniôra, Uma e Duas, 1960, Centro Aarte Moderna Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian
O paradigma humano é dos mais difíceis de entender. Porém, há um conjunto de sinais que se repete, que se constrói, que vêm a delinear e a desenhar um rosto.
Nem sempre queremos ver o rosto que sai do papel, embora, o tenhamos presente, não o queremos ver. Os olhos traem a nossa mente.
Do esboço, no entanto, sai um rosto real que nos observa, que nos trai, que nos interpela de diferentes maneiras, que nos distrai, que nos confunde e que no final fica só.
Há o fio umbilical ligado a si próprio, tal narciso, nem da posição fetal se recorda.
Há um princípio e um fim mas a realidade fica à margem deste ciclo e acaba... mal.