11/08/2017

Leituras de Verão - "O Que Falta ao Mundo para Ser Quadro"

O Que Falta ao Mundo para Ser Quadro é um livro de Rosa Alice Branco, um livro de 1993, com alguns anos, mas não ultrapassado. 

O livro foca a percepção, o olhar sobre a Arte e a linguagem da arte ao longo de algumas correntes artísticas. 
Uma das passagens do livro revela que Kandinsky desenvolveu na sua obra, Do Espiritual na Arte (1912),  "a ideia de que a obra de arte deve ser profética, na medida em que sendo filha do seu tempo deve realizar-se para a frente, por antecipação e para cima, em viagem, tentando alcançar o vértice do triângulo espiritual."

Gostei especialmente deste excerto, o tempo, esse grande peso que é para o homem, o tempo que produz os seus efeitos, o tempo que mostrei numa postagem sobre a Figueira da Foz. Ele sempre ele a marcar o ritmo.

Também o livro tem o seu tempo, foi produzido segundo as ideias em voga e a ciência do momento, mas ele é intemporal.
O livro é um estudo filosófico sobre a percepção, a ilusão e o objecto da arte.

Achei deliciosa a capa, ou seja a escolha ter recaído sobre um quadro de Magritte, A Condição Humana, (1933). 
Arranjei o livro na Livraria Lumière.

08/08/2017

Cat's Day

No dia Mundial do Gato e porque sou fã de gatos a minha escolha recai num desenho de Joaquín Sorolla, um pintor que visitei nestas férias. Curiosamente, na sua casa, em Madrid, não vi nenhuma pintura com gatos.

Joaquín Sorolla, Apontamentos sobre gatos retirado do site:
Apuntes de gatos y figura - Dibujo - http://europeana.eu/portal/record/2022


O estúdio de Joaquín Sorolla

Artefactos do pintor



MAGNIFICAT

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, quem tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!


7-11-1933


Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993), p. 298. [Arquivo Pessoa]

Betty Buckley

05/08/2017

Barco(s)

Barco em terra

Barcos

Um por um para o mar passam os barcos
Passam em frente de promontórios e terraços
Cortando as águas lisas como um chão


E todos os deuses são de novo nomeados
Para além das ruínas dos seus templos


In «Mar», antologia com poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen (com “Nota” de Maria Andresen de Sousa Tavares e “Posfácio” – reedição da primeira recensão feita ao primeiro livro de Sofia, «Poesia», publicado em 1944 – da autoria de Francisco de Sousa Tavares), Editorial Caminho, Lisboa, Fevereiro de 2002 (4.ª edição).

Poema retirado daqui


Anderson & Roe's "A Rain of Tears" for two pianos, based on Antonio Vivaldi's "Sento in seno ch'in pioggia di lagrime" ("I feel within a rain of tears")

04/08/2017

O tempo e os homens

O tempo, os homens e o mar...
O mar é sempre o mesmo, 
                                    o da nossa "infância",
livre das mudanças e dos tempos,
bate nas rochas, traz a sua espuma e o seu cheiro a maresia.

Passado, Grande Hotel da Figueira, arquitecto Inácio Peres Fernandes (inaugurado em 1953)

Passado, João de Barros, poeta, nasceu na Figueira da Foz

Presente, Eurostars Hotels, inaugurado em 2014, (passado?)
 arquitectos António Monteiro,  Pedro Santos

Presente


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