Parabéns, Isabel! Desejo que passes um dia muito feliz. William Henry Margetson (1861-1940), The sea hath its pearls, 1897, (O Mar tem as suas pérolas), Art, New Gallery, London
O círculo de caranguejos esculpidos em baixo relevo no quadro desta pintura é parte integrante do seu sucesso como obra de arte.
O tema à beira-mar oferece uma composição excessivamente aberta. A paisagem é de uma costa inglesa, embora, Margetson tivesse na sua cabeça o Mediterrâneo.
O vestido evoca o antigo passado clássico, mas também a Inglaterra vitoriana. Margetson foi influenciado por Leighton e Poynter.
A pérola do título é uma alusão à figura reoresentada.
Rehearsal footage from the Met's new production of Bizet's "The Pearl Fishers", directed by Penny Woolcock and starring Diana Damrau, Matthew Polenzani, and Mariusz Kwiecien.
A nossa ânsia de verdade é grande, e por certo o que quiséramos fora, não esta doutrina do Limiar, senão a casa e o lar que há nele.
De aí a arte, feita para entretimento dos outros e nossa ocupação, dos que somos ocupáveis desse modo. Negada a verdade, não temos com que entreter-nos senão a mentira. Com ela nos entretenhamos, dando-a porém como tal, que não como verdade; se uma hipótese metafísica nos ocorre, façamos com ela, não a mentira de um sistema (onde possa ser verdade) mas a verdade de um poema ou de uma novela - verdade em saber que é mentira, e assim não mentir. (...) e assim construí para mim esta regra de vida.
Procurei a verdade ardentemente, ora com uma atenção (…)
s.d.
Fernando Pessoa
Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, 1990, p.90.
A criança sabe que a boneca não é real, e trata-a como real até chorá-la e se desgostar quando se parte. A arte da criança é a de irrealizar. Bendita essa idade errada da vida, quando se nega a vida por não haver sexo, quando se nega a realidade por brincar, tomando por reais a coisas que o não são!
Que eu seja volvido criança e o fique sempre, sem que me importem os valores que os homens dão às coisas nem as relações que os homens estabelecem entre elas. Eu, quando era pequeno, punha muitas vezes os soldados de chumbo de pernas para o ar... E há argumento algum, com jeitos lógicos para convencer, que me prove que os soldados reais não devem andar de cabeça para baixo?
A criança não dá mais valor ao ouro do que ao vidro. E na verdade, o ouro vale mais? — A criança acha obscuramente absurdos as paixões, as raivas, os receios que vê esculpidos em gestos adultos. E não são na verdade absurdos e vãos todos os nossos receios, e todos os nossos ódios, e todos os nossos amores?
Ó divina e absurda intuição infantil! Visão verdade das coisas, que nós vestimos de convenções no mais nu vê-las, que nos embrumamos de ideias nossas no mais directo olhá-las!
Será Deus uma criança muito grande? O universo inteiro não parece uma brincadeira, uma partida de criança travessa? Tão irreal, tão (...), tão (...)
Lancei-vos, rindo, esta ideia ao ar e vede como ao vê-la distante de mim de repente vejo o que de horrorosa ela é (Quem sabe se ela não contém a verdade?) E ela cai e quebra-se-me aos pés, em pó de horror e estilhaços de angústia...
Acordo para saber que existo...
Um grande tédio incerto gorgoleja erradamente fresco ao ouvido, pelas cascatas, cortiçada abaixo, lá ao fundo estúpido do jardim.
s.d
Bernardo Soares, Livro do Desassossego. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982, Vol.II. p. 441.
Para além da curva da estrada Encontramos sempre uma barreira Talvez haja um poço, e talvez um castelo, vislumbro uma torre contra a utopia, E talvez apenas a continuação da estrada. Na continuação do caminho.
Não sei nem pergunto. Nele me embrenho. Enquanto vou na estrada antes da curva enquanto caminho, só olho em frente Só olho para a estrada antes da curva, para as árvores e o céu, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. Porque não adivinho o que há para lá De nada me serviria estar olhando para outro lado do caminho e que não vejo. E para aquilo que não vejo. Procuro não sentir mas sinto, Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. O passado/presente e não o futuro Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Clepsidra tangível; Se há alguém para além da curva da estrada, não encontro quem caminhe Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Para lá da montanha, Essa é que é a estrada para eles. o caminho para o cume Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. Chegarei lá? Por ora só sabemos que lá não estamos. Só sei e sinto o peso de estar aqui,
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva nesta encruzilhada do caminho onde Há a estrada sem curva nenhuma. as pedras magoam e o caminho desaparece.
Alberto Caeiro, s.d. 11-03-17 ana
Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994, p. 129.
intensidade
dilema
grau
tristeza
profundidade
desencontro
incenso que não arde,
velas derretidas em candelabro de prata.
Perfume perdido,
na impotência física
da porta em ruínas.
...Tristeza.
[...] O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim! Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir... É comigo, com Deus, com o sentido (...) 11-06-1915
Trecho retirado da "Saudação a Walt Withman"
Álvaro de Campos, Poesias de Álvaro de Campos. (Nota editorial e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1944.
O pescador do mar alto Vem contente de pescar. Se prometo, sempre falto: Receio não agradar.
s.d.
Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973), p. 104.
Este desenho foi realizado, tanto quanto soube, por um pintor amigo do João para o livro de curso. A fotografia é do João mas eu recortei-a pois não estava em destaque; estava sim, no seu escritório antes da mudança.
Julgo que agora tem um novo espaço, onde desejo seja muito feliz e tire o melhor partido dele.
À eterna juventude!
O João é um homem generoso, de ideias convictas, com uma energia fabulosa, com bom gosto e sensibilidade. Como o seu signo refere que não gosta de bajulação aqui ficam os possíveis defeitos: poderá ser teimoso (mas qualquer ser exigente o é) e ainda, poderá não gostar de perder um debate, mas quem gosta?
Não sei qual é a fonte donde se abastece mas a água é excelente e fresca. :))