Numa tarde de sol veio parar-me à mão um livrinho por empréstimo que teve o condão de me maravilhar.
Um livro com uma espiritualidade profunda que poderia pertencer a todas as religiões. Fez-me lembrar: Sidharta por causa de uma viagem, embora não tenha nada a ver com este livro. A relação foca-se na viagem dentro de nós. A viagem onde expurgamos os nossos ódios... onde temos a possibilidade de nos reencontrarmos.
O Senhor Ibrahim e as flores do Alcorão poderia ser não só a flor do Alcorão, mas também a flor do Cristianismo, a flor Hebraica, a flor de Buda - Lótus.
Imagem do livro: cortesia do google
Aquilo que tu dás, Momo, será teu para sempre; o que tu guardas perder-se-á para sempre!
Nem sempre podemos dar...
Eric- Emmanuel Schmitt, O Senhor Ibrahim e as flores do Alcorão. Queluz: Marcador, 2013, p. 40.
Com o escritor comungo a paixão por Itália, em particular, Roma e o Panteão.
O livro que ando a ler ...
(Grata à Cláudia, Livraria Lumière)
Sabe que o Atlas se cobre de neve, no Inverno? O crepúsculo doura a crista da montanha, por detrás do minarete, que se ilumina. Fica uma luzinha, a cintilar. Mouna sorria e eu nunca percebi o sorriso. Nem esse, nem outros.
Manuel Poppe, Um Inverno em Marraquexe. Lisboa: Edições Teorema, 2004, p.36.
Um episódio que me marcou em Marrocos foi quando, de mochila às costas, dentro de um carro, subimos um bocadinho o Atlas e fomos apanhados numa tempestade de areia. Perdidos no meio do deserto, eis que apareceu uma caravana de tuaregs que, montados em cavalos, transportavam mercadoria. Nos pulsos traziam relógios digitais e nas albardas coca-colas, o mundo americano numa terra sem o tio Sam.
De Marrocos só tenho slides ainda da era do celuloide (1985). Encontrei no Google uma fotografia da Medina de Marraquexe, de Bouchot, que me encantou. Visitei a Medina com amigos, sem guia e, apesar de labiríntica, não nos perdemos. Encontrámos um mundo estranho, acolhedor e a comprová-lo estavam as sardinhas albardadas que comemos num souk, sentados com marroquinos, numa refeição sem talheres e onde se partilhava a mesma água (tal proeza não foi para mim) ao som do muezzin que chamava para as orações.
Obrigada Manuel Poppe por esta viagem de regresso a um país hoje de certeza diferente.
De uma forma sumária: Manuel Poppe (escritor e jornalista) nasceu em Lisboa, viveu a adolescência na Guarda, regressou à capital para se licenciar. Foi Conselheiro Cultural na embaixada portuguesa em Roma, cidade onde obteve o título académico de "Dottore in Lingue e Leterature Straniere pela Universidade La Sapienza"com uma tese sobre José Régio. De Roma partiu para S.Tomé com a mesma missão que mais tarde o levaria a Telavive e finalmente a Marrocos.
Medina de Marraquexe, fotografia de Emmanuel Bouchot
A vinheta desta semana contempla Pablo Picasso que nasceu a 25 de Outubro de 1881, em Málaga.
Gosto de todas as suas fases na pintura e da imensa obra que deixou.
Guernica foi um dos quadros que vi ao vivo no Centro Nacional de Arte da Rainha Sofia, em Madrid. Não pude conter a emoção quando entrei na sala dedicada só a essa grande tela. À volta dela estão os estudos e fotografias da sua construção - passo a passo.
Picasso, Auto-retrato, 1907
x
Óleo sobre tela 60 x 46 cm, Galeria Narodni, Praga
x
"Um quadro só vive para quem o olha". Picasso
Andres Segovia - Villa-Lobos Prelude no. 1 in e minor