"O mar junto a meus pés" sem o conseguir agarrar...
Fecho os olhos. Cheiro a maresia...
A faina dos pescadores é corrompida no ar
pelo ruído dos altifalantes de um palco contra-natura.
Na areia, a escultura da miudagem ganha vigor,
guarda os risos trocados na azáfama da construção
entre a moldagem e os baldes de água entornados.
O abismo entre a realidade e a fantasia é revelador.
O préstimo está na vontade da peça ser eternizada esta estação.
Não há vento, nem ondas que levem a ideia
escrita na areia da praia.
O dragão sem descanso lança chamas.
No entanto, as sereias não o miram, desprezam-no,
sem lhe cantarem no silêncio da noite de Verão!
[Seguindo o mote de Guerra Junqueiro]
Dom Carlos (escultura de Luís Valadares)