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17/07/2023

Rosas amarelas!

 40 Rosas amarelas.

Rosas Amarelas simbolizam: 

riqueza,  ouro, os raios do Sol, 
a energia e a prosperidade. 
Respeito, alegria, amizade.
E acrescento amor. 
Pois as rosas vermelhas são paixão e não amor.



Coroai-me de rosas! [3]

Coroai-me de rosas!
Coroai-me em verdade
De rosas!

Quero toda a vida
Feita desta hora
Breve.

Coroai-me de rosas
E de folhas de hera,
E basta!


12-6-1914
Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994. - 39a.

Leonardo da Vinci, Estudo de Flores, 
Gallerie dell'Accademia, Venice

Talvez possa ver este desenho de perto!




14/04/2018

Desta Primavera envergonhada...

Um conjunto de  flores - 3 vasos


Flores amo, não busco. Se aparecem

Flores amo, não busco. Se aparecem
Me agrado ledo, que há em buscar prazeres
O desprazer da busca.
A vida seja como o sol, que é dado,
Nem arranquemos flores, que, arrancadas
Não são nossas, mas mortas.

16-6-1932

Ricardo Reis, Poemas.(Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994, p. 163.

14/02/2018

Não um mas dois...


O AMOR QUE EU TENHO NÃO ME DEIXA ESTAR

O amor que eu tenho não me deixa estar
Pronto, quieto, firme num lugar
Há sempre um pensamento que me enleva
E um desejo comigo que me leva
Longe de mim, a quem eu amo e quero.
Inda de noite, quando durmo, espero
A manhã em que torne a vê-la e amá-la.
……
.
s.d.

Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer – Textos para um Novo Mapa, Lisboa: Estampa, 1990, p.36.

NÃO SEI SE É AMOR QUE TENS, OU AMOR QUE FINGES

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dadiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?
.
12-11-1930
Ricardo Reis, Odes,  (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994), p. 128.


Quem não se recorda desta banda?!

09/11/2016

O ritmo antigo que há nos pés descalços

O ritmo antigo que há nos pés descalços

O ritmo antigo que há nos pés descal
ços
Esse ritmo das ninfas copiado
Quando sob arvoredos
Batem o som da dança —

Pelas praias às vezes, quando brincam
Ante onde a Apolo se Neptuno alia
As crianças maiores,
Têm semelhanças breves

Com versos já longínquos em que Horácio
Ou mais clássicos gregos aceitavam
A vida por dos deuses
Sem mais preces que a vida.

Por isso à beira deste mar, donzelas,
Conduzi vossa dança ao som de risos
Soberbamente antigas
Pelos pés nus e a dança

Enquanto sobre vós arqueia Apolo
Como um ramo alto o azul e a luz da hora
E há o rito primitivo
Do mar lavando as costas.

9-8-1914

Ricardo Reis, Odes (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa: Ática, 1946.


16/01/2016

a preto e branco

Seria mais fácil se tudo na vida tivesse uma resposta simples: ou preto ou branco. Negativo ou positivo como os meus dois gatos mais velhos, um é quase o negativo do outro.

A gata e o gato


A simplicidade das coisas reflectir-se-ia nas relações entre as pessoas. Deixava de existir o medo, a dúvida, a desconfiança, e em troca haveria a luz e a confiança, 


BREVE O DIA BREVE O ANO BREVE TUDO

Breve o dia, breve o ano, breve tudo.
Não tarda nada sermos.
Isto, pensado, me de a mente absorve
Todos mais pensamentos.
O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,
Que, inda que mágoa, é vida.


27 - 9 - 1931

Ricardo Reis, In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000

10/02/2015

Os jogadores de xadrez jogavam

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.
À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário,
Um púcaro com vinho refrescava             
Sobriamente a sua sede.
Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas                      
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...                                                       
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo do xadrez.                                                                                Ludovico Carracci, Jogadores de Xadrez

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao reflectir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,                                       Honoré Daumier, Jogadores de xadrez.
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.
Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predilecto
Dos grandes indiferentes.
Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida,
Os haveres tranquilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.
Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.
Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulsa dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.
O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória; a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.
A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.
Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez,
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá por fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.

1-6-1916

Ricardo Reis, Odes  (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).  p.  57.




Com o recente prémio do 43º Prix de Lausanne do bailarino Miguel Pinheiro, de 17 anos, aqui deixo a sua performance.

Apesar do Ministério de Educação não ligar ao ensino artístico, esta vitória é uma bofetada para o Senhor Ministro.

«Um país sem artistas é um país de curtas vistas»,
slogan na manifestação em frente ao Ministério da Educação

17/07/2011

A beleza da nudez, ou o nada...

A beleza da nudez, ou o nada... "nada".


Henrique Pousão, Modelo Masculino, 1881


Desenho a lápis sobre papel, Museu da Faculdade de Belas Artes, da Universidade do Porto daqui


Para ser grande, sê inteiro: nada

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


14-2-1933


Ricardo Reis, Odes de Ricardo Reis Lisboa: Ática, (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.), 1994, p. 148.


09/09/2010

De Apolo o carro rodou pra fora. Jethro Tull.

De Apolo o carro rodou pra fora

De Apolo o carro rodou pra fora
Da vista. A poeira que levantara
Ficou enchendo de leve névoa
O horizonte;

A flauta calma de Pã, descendo
Seu tom agudo no ar pausado,
Deus mais tristezas ao moribundo
Dia suave.

Cálida e loura, núbil e triste,
Tu, mondadeira dos prados quentes,
Ficas ouvindo, com os teus passos
Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando
Com o ar que cresce pra vento leve,
E sei que pensas na deusa clara
Nada dos mares,

E que vão ondas lá muito adentro
Do que o teu seio sente cansado
Enquanto a flauta sorrindo chora
Palidamente.

12-6-1914

Ricardo Reis, Odes, Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).
p- 21.


Jethro Tull: Ian Anderson 's Flute Solo (07/31/1976)

03/09/2010

Quando a chuva é em forma de poemas...

Chuva de poemas para todos os que me visitam agradecendo a mais-valia na troca de ideias.

Um hino à beleza, à poesia. Retirado daqui e através de bibliotecário de Babel.



Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento,

Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento,
Vem brandamente com a tarde a oportunidade da perda.
Adormeço sem dormir, ao relento da vida.

É inútil dizer-me que as acções têm consequências.

É inútil eu saber que as acções usam consequências.
É inútil tudo, é inútil tudo, é inútil tudo.
Através do dia de névoa não chega coisa nenhuma.

Tinha agora vontade

De ir esperar ao comboio da Europa o viajante anunciado,
De ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.
Não vem com a tarde oportunidade nenhuma.

21-9-1930

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993), p. 42.

23/08/2010

A flor que és, não a que dás, eu quero. Ricardo Reis

Há pessoas que são recordadas através de flores. Rosas brancas associo a um cavaleiro que é imortal.
x
Edith White (1855-1946), White Roses and Glass Vases, 1901.




A flor que és, não a que dás, eu quero.
Ad juvenem rosam offerentem

A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço?
Tão curto tempo é a mais longa vida,
E a juventude nela!

Flor vives, vã; porque te flor não cumpres?
Se te sorver esquivo o infausto abismo,
Perene velarás, absurda sombra,
O que não dou buscando.

Na oculta margem onde os lírios frios
Da infera leiva crescem, e a corrente
Monótona, não sabe onde é o dia,
Sussurro gemebundo.

21-10-1923

Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.

11/05/2010

Flores - Enrico Valero

Flores de Enrico Valero


Para iluminar este dia cinzento


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

tês versos retirados de " Odes", Ricardo Reis,

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