03/09/2010

Quando a chuva é em forma de poemas...

Chuva de poemas para todos os que me visitam agradecendo a mais-valia na troca de ideias.

Um hino à beleza, à poesia. Retirado daqui e através de bibliotecário de Babel.



Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento,

Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento,
Vem brandamente com a tarde a oportunidade da perda.
Adormeço sem dormir, ao relento da vida.

É inútil dizer-me que as acções têm consequências.

É inútil eu saber que as acções usam consequências.
É inútil tudo, é inútil tudo, é inútil tudo.
Através do dia de névoa não chega coisa nenhuma.

Tinha agora vontade

De ir esperar ao comboio da Europa o viajante anunciado,
De ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.
Não vem com a tarde oportunidade nenhuma.

21-9-1930

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993), p. 42.

4 comentários:

  1. O poema é muito belo, embora venha em contramão de circunstâncias minhas actuais: as malas estão novamente feitas e acho que a manhã trará alguma coisa com consequências positivas. :)

    Um bom fim-de-semana! :)

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  2. O poema é belo sim. Reflecte a vontade de partir.
    Boa viagem! :)

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  3. Obrigada, uma vez mais, ana. A simpatia das suas palavras é já uma 'chuva' benéfica, numa tarde em que o trabalho se (me) impõe.

    Votos reforçados de uma excelente continuação :)

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