24/09/2016

O mundo não é a preto e branco

Londres


O mundo não é a preto e branco,
nem tão pouco cinzento.
Ele é:
 azul,
amarelo,
rosa,
turquesa,
cinza escuro.
Tal como o Homem, nada é o que parece
nada parece o que é.
Ele é um ser múltiplo e finito.
Erra quem é daltónico nos seus julgamentos. 


11/09/2016

Em "clausura"

A minha torre de marfim, Monção


A todos venho agradecer a passagem e os comentários gentis. 
Peço desculpa pela minha ausência e pela falta de acompanhamento aos vossos registos e apontamentos que de certeza alimentariam a minha alma. 
Todavia, neste tempo que desenho de forma helicoidal, chegou o momento de alguma pausa. Letargia?, esvaziamento?, falta de capacidade de diálogo? 
Talvez.
O silêncio é por vezes necessário. 
O desejo que o mundo se torne uma grande almofada onde recostamos a cabeça e adormecemos torna-se pura realidade. 
Há input mas não se consegue fazer o output.
Que a amizade resista a estas ausências.
Boa semana!

10/09/2016

Xeque-mate

Xeque-mate

O meu baralho tem três reis, 
menos um.
O meu baralho tem peões 
e arqueiros.
O meu baralho 
é baralhado.
O meu baralho 
só joga xadrez.

ana



06/09/2016

In vino veritas


In vino veritas**,                                                       René Magritte, La Corde Sensible, 1960 cortesia da internet *
Resultado de imagem para magritte

Caio Plínio tinha razão,
a verdade está no vinho divino,
quando o seu perfume nos toca
a alma torna-se leve.

O choro brota seco sem lágrimas.
O rio corre, sem pressa, lento, 
serpenteia a montanha, ao sabor do vento,
cantando o Cântico dos Cânticos.

O cenário é rosa envelhecido
e rivaliza com o terra de siena.
O pintor retrata a paisagem em tons suaves,
quentes... mas vazios.


No centro da tela um circulo aberto esbate-se de forma concêntrica,
perde-se no espaço, transforma-se num pequeno ponto.
O rosa avermelhado aumenta ou diminui 
consoante o perfume do vinho.

O Jardim das Delícias brilha em cores psicadélicas.
É a nave dos loucos, criadores?
É criação fictícia, luxúria da mente e da carne.
Inferno, é a realidade após o sono.

In vinus veritas
repousam os pincéis,
as telas, as folhas brancas, vazias 
e as penas pousadas ao lado dos tinteiros.

In vinus veritas
a cabeça cai sobre a mesa,
os olhos fecham-se
e o amor torna-se sofrimento.

ana, 
5-09-16

** In vino veritas, in aqua sanitas (No vinho há verdade, na água a saúde), frase provável de Caios Plínio, o Velho.

*« Le nuage qui caresse un verre plus que ce verre ne le retient, que la proximité des montagnes libère plus qu’elle ne l’enferme, mène avec la douceur, la tendresse d’une main amoureuse, à une évidence finale. »

Louis Scutenaire daqui


02/09/2016

Suave a nuvem

Suave a nuvem 

Suave a nuvem que paira no céu.
Porém, não tanto como uma bola de sabão;
não se desfaz!
Fica na câmara guardada,
deixando o branco etéreo, enganador.
Não é branco, é cinza, é branco sujo,
é branco frio e branco quente.
Uma mera nuvem,
sem nada escrito,
pode deixar o vazio...
levar o sonho
e pesar tanto,
desfazendo-se como?
Como uma bola de sabão!

ana, 01-10-16


Para o Pedro: será que tem estes na sua rubrica, Intemporais? :))   

31/08/2016

O último dia de Agosto

Vazio
O último dia de Agosto
No último dia resta sempre um vazio, do que não se fez..., do tempo que passou, do relógio com horas vagarosas; da lentidão morna do Verão quente. 
O último dia de Agosto
pesa sobre os nossos olhos, sobre a nossa cabeça livre... de obrigações, de acordar todos os dias à mesma hora, de percorrer os mesmos caminhos; solta o grito desesperado de que não termine.
O último dia de Agosto
é como o café vazio, com encontros por realizar, promessas por cumprir, bebidas por tomar, tertúlias por concretizar, lembranças por gravar. 
O último dia de Agosto
é apenas o último dia de féria(s), nostalgia. 

UNHA E CARNE
Cavaquear sobre nós laboriosamente atados,
sendo que a unha, em certos casos,
se parte a rir;
à corda contudo pesam
sonhadas situações de rutura.

Günter Grass, Sobre a Finitude.(Tradução João Bouza da Costa).Lisboa: D. Quixote, 2016, p. 152

Agradeço a todos a presença simpática, logo que possa retribuirei os comentários.

27/08/2016

Trilhos


Praia das Maçãs 
26-08-16

Trilhos

pedras soltas no caminho
surgem como pedaços soltos do espaço,
que embatem na atmosfera e caem

em trilhos desorganizados
cruzados,
um regresso à Terra-Mãe

ao mar,
ao som do vaivém das ondas,
ao útero
começo da vida.

Degeneração
regeneração
criança
velho.

Roda da vida
em forma de coroa de malmequeres
fenecida no canto da estrada
por apanhar: lágrima.

ana, 27-08-16

25/08/2016

Leituras de Verão... Grass

Sobre a Finitude de Günter Grass
É um livro amargo, lúcido, com o poder de nos fazer sorrir e de nos fazer chorar sem lágrimas.
Uma pérola que se guarda na arca de tesouros, um berlinde que se joga no deserto.

Com o pé no Tejo
NA PEUGADA

Ao longo da orla do mar
venho descalço -
para lá e para cá -
ao meu encontro.

Günter Grass, Sobre a Finitude. (Tradução João Bouza da Costa). Lisboa: D. Quixote, 2016, p. 176

DIÁLOGOS

A espuma branca do mar
num movimento contínuo -
para lá e para cá -
deposita a nudez das memórias.

ana, 22 de Agosto, 2016.


23/08/2016

Homenagem A. H Oliveira Marques

Em memória do historiador A. H. Oliveira Marques que influenciou e influencia gerações de jovens.

Eis a História de Portugal por onde aprendi no liceu, embora a minha tenha capas duras pretas, com as letras gravadas a dourado. Contudo, tinha estas capas por fora. Com o uso as capas tiveram que ser dispensadas pois, estavam gastas e com os cantos rasgados. 
Hoje, nos liceus, os alunos carecem desta leitura e de outras. Talvez os manuais sejam demasiado ligeiros para os ligar aos livros. 
Responsabilidade?
De todos e principalmente de quem gere os programas e currículos.


O historiador nasceu a 23 de Agosto de 1933.

(imagem retirada da net, preço justo)




22/08/2016

Cubo de Rubik                                                                                          Solar de Serrade, Monção


Como um cubo de Rubik
desdobro o pensamento,
as cores misturam-se numa multiplicidade
de vida confusa: o caos.

A ratio procura de novo a ordem
Arrumando cor, a cor, os quadrados iguais entre si.
Lucidez?
Sempre ela à procura de criar o axioma

que dê sentido ao universo,
o descreva,
o articule com o interior
acabando com o abismo

entre o que o homem sente e faz
entre o que quer e o que espera
entre o que o tempo lhe reserva
e o que a acção cria.

A mão… afaga devagar o cubo, vira-o,
revira-o, vira-o, revira-o, vãmente…
as cores não se iterseccionam,
ausentam-se do equilíbrio.

O arco-íris teima em não surgir
estável no céu com nuvens de algodão.
A acção é trocada pelo impasse
do tempo que tudo resolve, ou nada…

12-08-16


19/08/2016

Dia Mundial da Fotografia

"Muitas vezes, o punctum é um «pormenor», isto é, um objecto parcial. Assim, apresentar exemplos de punctum é, de certo modo, entregar-me."
Roland Barthes, A Câmara Clara. Lisboa: Edições 70, 2015, p. 52

Moledo, pormenor da praia em dia de nevoeiro 

A data ficou agendada mas acabei por me esquecer dela. O regresso ainda é lento, por isso, este registo em homenagem à fotografia só agora, 14:25 horas, ficou terminado com o texto de Roland Barthe.

18/08/2016

Para a Isabel

Parabéns e um dia muito feliz!

praia de Vila Praia de Âncora

Felix Vallotton, Sur la plage, 1899, Private collection, Courtesy of Kunsthaus Zurich.

New Picture

Uma marotice :))

09/08/2016

Magnólia...

A 9 de de Agosto nasceu este blogue, conta já 8 anos, ... como o tempo passa! Houve um amigo que me mostrou esta forma de comunicar, para ele bem-haja. 
Como a autora merece uma pausa para ver o sol, cheirar as árvores e outros caminhos. Deixo aqui o meu agradecimento a quem me visita, me acompanha e deixa o seu generoso comentário, afecto partilhado.
(Este registo ficou agendado, logo que possa retribuirei as visitas). 

Magnólia a desabrochar.



08/08/2016

Dia 8 e infinitas F-E-L-I-C-I-D-A-D-E-S!

Hoje, dia 8 de Agosto abre o novo espaço da Livraria Lumière, 
das minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. 

A abertura está assinalada para as 14 horas, na Rua Formosa, n.º 197 (Porto). 
Desejo-lhes as maiores FELICIDADES! :))

É aqui! Um local fantástico.

Este registo ficou agendado. logo que possa agradecerei as visitas.

A vida dos livros quando ficam sozinhos... sem o seu guardião. :))

06/08/2016

Mãos

Mãos
amassam
retorcem
o barro

como a mãe,
a avó,
a bisavó,
a trisavó,

amassam
a dádiva da terra
criam da mesma forma
as taças, os objectos...
diferentes pois um nunca é igual ao outro

semelhantes,
não são inovadores,
de tradição em tradição
passam de pais para filhos,
focam a sensibilidade de uma família.

Mãos que à noite
acarinham os filhos
lavam a louça, a roupa
e moldam o amor,
este não de barro,
pelo menos assim o anseia esta mulher.

ana

 

05/08/2016

O livro coluna vertebral

Num passeio à livraria de Miguel de Carvalho, com a Graça, conversou-se, viram-se livros e arte. Após essa viagem o Miguel Carvalho presenteou-nos com uma pequena brochura escrita por si, um pequeno ensaio sobre o livro-objecto.
O conceito estético da realização da brochura é bastante original e interessante. A capa é feita de radiografias por isso cada livrinho é um exemplar, per si, personalizado. A mim calhou-me uma coluna vertebral. Tal simbologia assoberbou por completo o meu sentido estético e literário.
A escrita de Miguel Carvalho não é fácil, ou não houvera escolhido Cesariny, mas é escorreita, e de lógica em lógica leva-nos ao propósito a que se propôs, o lugar do livro-objecto da poesia nos nossos dias.

A capa do meu livrinho

Começa com uma citação de Cesariny, na Pena Capital (1957)

«... o livro-objecto não se situa do lado do criador, nem do lado do observador/leitor (muito menos do lado dos marchands). Situa-se a meu entender, do lado da poesia adimensional, no espaço e no tempo de um verbo, entre a sua nascença e a sua ruína, como uma manifestação da resposta à questão cujo eco é o vazio que não o suporta. E a sua ocultação pela sociedade tem como equivalente o silêncio e o desprezo nos quais se encontram mergulhados toda a produção poética autêntica. [...]
Estes objectos poéticos reduzem-se à linguagem que lhes confere o poder que têm de nos impregnar com paisagens interiores e todo o seu interesse reside também e ainda mais além. São objectos inclassificáveis, que não "falam" uma linguagem universal mas comunicam duma forma particular que nada tem a ver com as esculturas e as assemblages tradicionais, suscitando "exaltações recíprocas" duma mise en scéne própria invasora do observador. No domínio do visível, o prazer do olhar, não obedece ao mesmo imperativo que no domínio do legível. A estética não está nos livros-objectos na ordem do logos, isto é, a título de exemplo; a sensação que nos é proporcionada pela contemplação de um quadro ou escultura, não é provocada  pelo respeito duma regra semelhante àquela que rege um escrito. Mas a fusão dos dois sustenta-se de "beleza convulsiva" que tais objectos encerram...»

Para mim esta análise interessa-me como visão da arte: a palavra ou a imagem, qual delas tem mais força? 
Vi um filme interessante que intersecciona as duas perspectivas.
Não há dúvida que na arte da escrita e, em particular da poesia, o aspecto psicológico é muito importante, isto é, o estado de alma, a abertura para, conta muito para a absorção da poesia. O mundo actual é o mundo da imagem, esta mais facilmente conquista o observador.
Não obstante, a palavra e a imagem cruzarem-se em planos e regras diferentes, elas têm a mesma finalidade: apaixonar e embelezar a vida.

Agradeço ao Miguel o livrinho e à Graça e ao Miguel a companhia matinal.

Words and Pictures, foca a questão abordada de uma forma mais leve; é um filme realizado por Fred Schepisi com a participação de Clive Owen e Juliette Binoche

03/08/2016

No quarto poente da casa

No quarto poente da casa                                                                   Ourém

É melancólico o traço
riscado na tela que está no cavalete
do quarto poente.

amarelo cor do astro rei
verticalmente colocado...
não é a torre de Pisa,

não é um pássaro
em voo rasante.
Será um papagaio de papel
enviado pelo sonho duma criança?

Miró não habita nesta casa
nem Picasso,
nem Dalí ou Magritte,
será o traço de Chagall?

Falta o azul do céu para ser de Chagall,
faltam as flores para ser de Picasso,
falta a janela aberta nas nuvens para ser de Magritte,
falta, o narciso para ser de Dalí,
faltam os traços vermelho e preto para ser de Miró.

Quem é afinal este pintor?
um homem sem rosto,
à procura do disco solar,
um homem cujo pincel está pousado na paleta...
de olhar vazio, no silêncio e escuridão do labirinto
onde habita um fauno.

Perder ou ganhar?
A luz ténue do traço amarelo só confunde.
A tela continua vazia no quarto a poente da casa.

ana


01/08/2016

Leituras

A Europa no século XVI, vista por um judeu provavelmente nascido em Portugal, descendente de judeus espanhóis. Samuel Usque passou a sua vida entre o ensino e o estudo, "e deve ter sido rabino"(p.25)*.  Morreu em Ferrara. 
O tempo avança mas nada muda... ou muda muito ligeiramente. Intolerância, poder, riqueza, economia-mundo, guerras...

Pois, Europa, Europa, (meu inferno na terra), que direi de ti, se de meus membros tens feito a mor parte de teus triunfos? De que te louvarei, viciosa e guerreira Itália? Em ti os famintos liões se cevarom, espedaçando as carnes de meus cordeiros. Viçosos prados franceses, peçonhentas ervas pascerom em vós minhas ovelhas. Soberba áspera e montanhosa Alemanha, em pedaços cairom do cume de teus fragosos Alpes minhas cabras. Ingresas [Inglesas], doces e frias águas, amargas e salobras beberagens bebeu de vós meu gado. Hipócrita, cruel e loba Espanha, rabazes [rapazes] e encarniçados lobos tragarom e inda tragam em ti meu veloso rabanho.

Samuel Usque, in Dial. I, I-II , do livro Consolaçam, as Atribulaçoens de Israel... 

*Prosadores Religiosos do século XVI, Samuel Usque, Fr. Heitor Pinto, Fr, Amador Arrais, Fr. Tomé de Jesus. (Selecção, prefácios e notas  de Alcides Soares e Fernando Campos)  Coimbra: Casa do Castelo, 1950, p. 44.

Este livro veio da livraria Lumière ainda situada na Travessa da Cedofeita.
Um livro para reflectir.

30/07/2016

Uma tarde soalheira

Cadeiras vazias, Baixa, Coimbra
Uma tarde soalheira

Uma tarde soalheira e abrasadora
comunhão de ideias, sorrisos, palavras,
ganhar o tempo perdido
que a estrada e a montanha impõem.

O vinho verde fresquinho,
os leques num vaivém contínuo
e o guarda-sol
suprem o vento ausente.

Do prosaico feminino
à alegria da descoberta
do mais pequeno nada 

ao mais perfeito tesouro
guardado num importante museu da cidade,
assim passou o dia em repleta amizade.

ana



Obrigada, Isabel.


28/07/2016

"Palavras..."

Interventivo e igual a ele mesmo, assim esteve Santana no Meo Arena:

Estamos aqui sem medo, unidos na luz...
Carlos Santana

Palavras que assinalou como fundamentais: 
liberdade, 
luz, 
paz, 
natureza, 
respeito pela mulher...






26/07/2016

Soneto despojado


Soneto despojado

o mar rasgou este silêncio descomunal
que se sente no interior da terra...
ausência das palavras
escritas numa pauta em espiral.

as linhas convergem como se Escher
as desenhasse a preto e branco
onde as promessas não cabem,
dançando translúcidas ao acaso.

frases helicoidais pairam no ar
sem destino
como se em espuma se tornassem.

na secretária está o porta cartas vazio,
adormecido,
soneto despojado.

25-07-16
ana






25/07/2016

"Quando, às vezes, me debruço sobre o mundo"

Winslow Homer, Breezing Up (A Fair Wind) 
(Pintor americano retirado do Pinterest)


Quando, às vezes, me debruço sobre o mundo, vejo ao longe, indo do porto ou voltando a ele, as velas dos barcos dos pescadores, e o meu coração tem saudades imaginárias da terra onde nunca esteve. 





Fernando Pessoa, " O Peregrino" in Contos Escolhidos. (Edição de Ana Maria Freitas e Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio &; Alvim, 2016, p. 135.


22/07/2016

B

Alterei a fotografia mas o poema é tão bom que cabe no B

No País


no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no país e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história do amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)
diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato


Mário Cesariny, in 'Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano' 
(Retirado do citador)


21/07/2016

No castelo da vila

Exposição Desenho e Poesia "Confins da Infância" de
Ana Oliveira e de Lains de Ourém.
Galeria da Vila Medieval de Ourém, Museu Municipal de Ourém


Só podia tirar fotografias ao espaço e não aos trabalhos da desenhista Ana Oliveira e à poesia do poeta Lains de Ourém (António Galamba). 
Voltarei ao trabalho desta dupla de artistas com imagens do panfleto publicitário do Museu Municipal de Ourém e da Câmara Municipal de Ourém.



E desta viagem o que fica?


20-7-2016

Não são papoilas, nem malmequeres,
nem o azul ondulante formado pelas flores silvestres, 
são apenas pássaros agrilhoados entre a liberdade possível e a vontade de ficar.

ana


19/07/2016

"Spirit of Ecstasy"

Spirit of Ecstasy                                                                              Spirit of Ecstasy

Crianças, adolescentes, pessoas indefesas
perderam a vida num acto de brutal violência humana.

Quem se arroga em ter poder sobre a vida?
Como é que a violência se apodera do homem friamente?

A História comprova esta disposição do homem.
A Psicologia tenta explicá-la.
A Ciência concorre no mesmo.
A Religião interroga-se.

O homem perde o sentido de evolução.
O medo impera.
O caos é maior que a ordem.

Que o Spirit of Ecstasy transporte em paz os que pereceram.
Que traga novos ventos...
Que espalhe generosidade e inteligência.
Que determine nos homens a sapiente escolha do bem sobre o mal.

ana

A minha homenagem às vitimas do atentado de 14 de Julho, em Nice, quando festejavam a Tomada da Bastilha.

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