16/11/2019

Para o João Menéres...

Parabéns, João Menéres!

Da casa de Jorge Amado, Picasso, com um desejo de um final de dia feliz!



Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!

Jorge Amado, Nem a rosa, nem o cravo..., Folha da Manhã, 1945 
(retirado do Pensador)

03/11/2019

Para a Margarida

Um dia muito feliz
e
mil parabéns!

Edwart Collier, Girl Holding a Doll in na Interior With a Maid Sweepin Behind, sd
Johnny van Haeften Gallery, London


De Salvador, Rio Vermelho, o bairro de Jorge Amado. Aqui vai a baía que ele via.


O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha.

Jorge Amado

(retirado do Pensador)

Canção para a Irmã Dulce a irmã dos pobres da Bahia

19/10/2019

Like an angel


Movimento
Se tu és a égua de âmbar
                  eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
                  eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
                  eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
                  eu sou o grito do primeiro pássaro
Se tu és a cesta de laranjas
                  eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
                  eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
                  eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
                  eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
                  eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
                  eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
                  eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
                  eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
                  eu sou o caminho de sangue

Octavio Paz, in "Salamandra"
Tradução de Luis Pignatelli,
Retirado do Citador



16/10/2019

Para uma amiga

Para a Maria João,
Muitos parabéns. 
Um dia muito feliz!

Aqui fica uma tela que me faz lembrar o livro da Maria João. 
As memórias como a tela são feéricas, tranquilas e belas.


Recordo o dia em que me "separaram" da minha irmã mais velha. Devia eu ter cinco anos e ela um ano mais. Adoecera com tosse convulsa e,  para eu não ser contagiada, o meu pai foi levar-me a casa da tia da minha mãe, a tia Mariquinhas.

Maria João Falcão, Os Figos de Setembro e outras Histórias. R. G.Livreiros, 2018, p. 47.

Pierre-Auguste Renoir, As duas Irmãs, ou no Terraço 1881,
Art Institut of Chicago, Chicago



Porque a Itália é bela!
À alegria. :)) [Cortesia do Youtube]


12/10/2019

Luxo...

O peso da História, Palácio Nacional da Ajuda




In memoriam porque  dia 6 de Outubro fez 20 anos que morreu e mantive-me em silêncio...

01/10/2019

Dia Mundial da Música


Um Intermezzo que é uma maravilha e me foi dado a conhecer por um amigo a quem brindo, 
neste dia  Mundial da Música!



Frans Francken (the younger),  Pictura, Poesis and Musica in a Pronkkamer, Art Gallery

File:Frans II Francken Pictura, Poesis and Musica in a Pronkkamer.jpg

16/09/2019

Ne me quitte pas

Edward Munch, Separação, 1896, The Munch Museum, Oslo



Ne me quitte pas
foi escrita em 1959 quando Brel se estava a separar de Suzanne Gabriello



Ne Me Quitte Pas

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles et des pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

14/09/2019

Através das grades, ao longe, o olhar solitário sobre o rio


Através das grades, ao longe, o olhar solitário sobre o rio


Não se vê o rio que corre...
Vê-se o asfalto cinzento
alcatrão alma do progresso
acelerado, 
movimento,
 pausa
vazio no momento.

19/08/2019

Para uma amiga - Joaquín Peinado

Para a pintora, Maria Emília  os meus Parabéns 
e um dia muito feliz!

Esta mesa está em casa do pintor Joaquín Peinado,
será a minha escolha para a sua mesa de aniversário.



Jaquín nasceu a 19 de Julho de 1898, em Ronda, Espanha e faleceu em Paris, em 1975.  Foi grande amigo de Picasso e de Luís Buñuel.

Não consegui incorporar o vídeo fica aqui o link.

18/08/2019

Para uma amiga: O Mar tem as suas pérolas


Parabéns, Isabel!
Desejo que passes um dia muito feliz. 

William Henry Margetson (1861-1940), The sea hath its pearls1897,
 (O Mar tem as suas pérolas),
Art, New Gallery, London




O círculo de caranguejos esculpidos em baixo relevo no quadro desta pintura é parte integrante do seu sucesso como obra de arte. 
O tema à beira-mar oferece uma composição excessivamente aberta. A paisagem  é de uma costa inglesa, embora, Margetson tivesse na sua cabeça o Mediterrâneo.
O vestido evoca o antigo passado clássico, mas também a Inglaterra vitoriana. Margetson foi influenciado por Leighton e Poynter. 
A pérola do título é uma alusão à figura reoresentada.

Neste dia só podia haver mar. :))



Rehearsal footage from the Met's new production of Bizet's "The Pearl Fishers", directed by Penny Woolcock and starring Diana Damrau, Matthew Polenzani, and Mariusz Kwiecien.

04/08/2019

A literatura e as artes


Em Ronda, junto ao céu, vale a pena visitar o  Museu Joaquín Peinado. 

Joaquín Ruiz-Peinado Vallejo nasceu em Ronda em 1898 e morreu em Paris, em 1975. 

Os seus desenhos e aguarelas são muito bonitos.
Destaco da fase cubista D. Quixote.


Joaquín Peinado, D. Quixote,
Museo Joaquín Peinado, Ronda, España
( imagem do museu)
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Ara Malikian, de origem libanesa, vive em Espanha e tem cidadania espanhola.


27/07/2019

Eternidade (?)

Será que um parafuso agarra a eternidade?



Considero a eternidade celeste como um estado de abstração. Parece-me que se a compreendemos é através da teoria, não dos sentidos. A linguagem teúrgica pretende explicar-nos o que é, o que vale, e ficamos na mesma. Quer dizer, o nosso senso do relativo não pode abarcá-la. No fundo, repugna-nos. Que fechemos os olhos do entendimento... Pois fechemo-los, e vêem-se as almas a flutuar na eternidade como o verbo sobre o caos antes de ter sido criado o mundo. Quer dizer que não se vê nada. Nem sombras... nem sombras de penas ao vento, sequer. Mas eu quero aceitar a ideia de eternidade como sendo o oceano ilimitado em que passam à deriva, ou mesmo seguindo seus cursos, astros, asteróides, seres e coisas, a ciscalhada toda da criação.

Aquilino Ribeiro, Dom Frei BertolameuAs três desgraças teologais. Amadora: Bertrand, 1959, p. 168-69


Uma leitura de Verão que me apraz!

Cortesia do youtube

20/07/2019

Singelo


Singelo



Faz-se Luz

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca

Mário Cesariny, in "Pena Capital" (in Citador)



13/07/2019

Quando ela pôs o chapéu



Quando ela pôs o chapéu

Quando ela pôs o chapéu
Como se tudo acabasse,
Sofri de não haver véu
Que inda um pouco a demorasse.
s.d.


Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular.  (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973). p. 81.

Ivan Granatino

08/07/2019

Pisco

                                                                              Águeda, Aveiro - Street Art

O Pisco

É arisco, pica aqui e acolá,
Nunca está satisfeito.
Saltita de ramo em ramo,
À procura de um sentido…

É mais belo quando adulto.
De olhar penetrante e sentido à escuta,
Assusta com o seu peito colorido
A fêmea que o abraça.

Alegria, amor, o que é afinal?
Horas de fuga,
Sentido pleno, sonhos perdidos.

Artur Bordalo, mais conhecido como Bordalo II


Homenagem a João Gilberto (1931-2019)
Ouçam só a primeira canção. Outra ave voou... 

 

06/07/2019

Son de Maxima Calidad




O horror sórdido do que, a sós consigo,


Faz as malas para Parte Nenhuma!
Embarca para a universalidade negativa de tudo
Com um grande embandeiramento de navios fingidos
Dos navios pequenos, multicolores, da infância!
Faz as malas para o Grande Abandono!
E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,
A distância polícroma do que se não pode obter.

Faz as malas definitivamente!
Quem és tu aqui, onde existes gregário e inútil —
E quanto mais útil mais inútil —
E quanto mais verdadeiro mais falso —
Quem és tu aqui? quem és tu aqui? quem és tu aqui?
Embarca, sem malas mesmo, para ti mesmo diverso!
Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?

2-5-1933


Álvaro de Campos - Livro de Versos.  (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. p.221.




28/06/2019

Da névoa como uma dádiva

Da névoa como uma dádiva




«A cultura é cara. A incultura acaba sempre por sair mais cara. 
E a demagogia custa sempre caríssima»

(Sophia M. B. Andresen, in Expresso, 12 de Junho de 1975)

Isabel Nery, Sophia de Mello Breyner Andresen, p. 212



Hasse: "Mea tormenta, properate!", Jakub Józef Orliński & Il pomo d'oro

24/06/2019

Para os visitantes

A todos agradeço a presença e peço desculpa por não ter respondido cabalmente aos comentários.

A vida obriga-nos, por vezes, a maiores silêncios. 

Azulejo da Estação dos Caminhos de Ferro da Cúria, Será o sol ou outra estrela?


Para mim é o sol, o astro maior que nos ilumina!


Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança



Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança
Só a quem já confia!
É só à dormente, e não à morta, esperança
Que acorda o teu dia.

A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo
Todo o sonho vão,
Mas sonha sempre, só para sentir-se vivendo
E a ter coração.

A esses raias sem o dia que trazes, ou somente
Como alguém que vem
Pela rua, invisível ao nosso olhar consciente,
Por não ser-nos ninguém.

s. d.


Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995), p.101.


Gostei deste filme de Julie Gautier


Credits : Choreographer : Ophélie Longuet Music : « Rain in your black eyes », Ezio Bosso. (P) Sony Music Entertainment. Cinematographer : Jacques Ballard Editor : Jérôme Lozano Colorist : Arthur Paux @ Spark Seeker Compositing : Gregory Lafranchi @GoneFX Sound mix : Nassim El Mounabbih @Dinosaures Production : Spark Seeker/Les Films Engloutis Associated Producers : Y-40 The Deep Joy/RVZ Camera Assistant : Arthur Lauthers Electrician Romain Mostri Safety Freedivers : Anne Maury - Fouad Zarrou Making off : Jimmy Golaz Camera Rental (Red VistaVision 8K) RVZ Light&Electric Rental : TSF Cannes

15/06/2019

O homem do realejo, beatnik?


O homem do realejo, beatnik?

Os dois lados do realejo

Pelo lado de cima,
o realejo é como um altar barroco,
de colunas douradas, flores grandiosas,
conchas crespas, abraço de volutas e fitas.

Pelo lado de cima,
o realejo é um pátio mágico,
onde cantam os pássaros e jorram os repuxos,
com requebros de dança
e festas de amor.

E das altas janelas voam para o realejo
pequenas moedas cintilantes,
libélulas douradas,
borboletas de prata,
pedacinhos de sol
gravitando na musica.

Do lado de baixo, a rodar a manivela,
há um homem sem emprego,
que alegra a rua.
mas tem os olhos graves.

Uns olhos que viram rios de sangue
em redor daquelas casas.
Rios de guerra,
onde boiou sua gente fuzilada e sem culpa.


Cecília Meireles, In: Poesia Completa, Viagem (1939)
Cortesia do Google


 

08/06/2019

A dança da água



A forma e a substância não podem ser separadas na obra de arte.
Oscar Wilde, A Alma Humana. Sintra: Colares Editora, p.53.


b

18/05/2019

Para Memória e Imagens

Parabéns. Memórias e Imagens.
Uma paisagem para a Margarida.

Salgueiro com as suas folhas românticas a cheirar o rio Nabão.



Margarida aqui tem um link para visitar.

https://i2.wp.com/virusdaarte.net/wp-content/uploads/2017/08/musesos.jpg


02/05/2019

In memoriam, 500 anos sobre a morte de Leonardo da Vinci

Da Vinci detalhe de um desenho sobre o estudo de Leda
Com a gentileza do Google (BBC e Arte)

Resultado de imagem para leonardo da vinci

Adoro Leonardo da Vinci.
Gostaria de ter um pedacinho de um desenho...

Tenho-o em livros mas não é a mesma coisa.

Viva Leonardo da Vinci!


26/04/2019

Árvore, cujo pomo, belo e brando


Árvore, cujo pomo, belo e brando

Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruito debuxando.

Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.

Luís Vaz de Camões


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