16/07/2020

A magia da cor: Gorsky - Um auto-retrato de 1912

A magia da cor.

Auto-retrato de Gorsky, um químico, fotógrafo.
Fotografia trabalhada para ter esta aspecto colorido em 1912.

(wikipédia)




Gorsky nasceu em Funicova Gora, na Rússia, em 1863. Formou-se em química, tendo estudado em S. Petersburgo, em Berlim e Paris. Desenvolveu técnicas para as primeiras fotografias a cores. Do resultado do seu trabalho surgiram as primeiras patentes de filmes a cores e de projecção de filmes com movimento.

Processo utilizado- fotografia de Alim Khan,1911
Ficheiro:Rgb-compose-Alim Khan.jpg

Gorsky tirava uma série de fotografias monocromáticas em sequência muito rápida, cada uma através de um filtro de cor diferente, vermelho, azul e verde. Ao projectar as três fotos monocromáticas com a luz da cor adequada era possível reconstruir  a cena com as cores originais. Porém, não tinha mecanismos para revelar/imprimir as fotos assim obtidas.

Tolstói em Yasnaya Polyana, litografia impressa de uma fotografia de Gorsky
File:L.N.Tolstoy Prokudin-Gorsky.jpg

A magia da cor ou a preto e branco, como é melhor observar o mundo?
.

05/07/2020

- Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. Saramago

Dia 5 de julho, 2019
"A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nós puséssemos a prever todas as consequências dele a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.“


...
(livro dos conselhos)
- Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. 

- É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade.
- Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira.
- Se queres ser cego, sê-lo-ás.
- O medo cega.
- O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.
- Alguns irão odiar-te por veres, não creias que a cegueira nos tornou melhores, Também não nos tornou piores.
- A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.
- Água mole em brasa viva tanto dá até que apaga, a rima que a ponha outro.
- A força e a natureza das circunstâncias influem muito no léxico.
- Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.
- Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
- É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos.
- Costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras.
- Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

 José.Saramago, Ensaio sobre a cegueira. Companhia das Letras. (24º impressão), 2002.

Cortesia youtube

11/06/2020

Dez de Junho

Um 10 de Junho diferente com apenas 2 oradores e 6 convidados. Um gesto político determinado pelo covid 19.
Um estado laico com um orador eclesiático. No entanto, é um orador especial, 
o cardeal José Tolentino Mendonça.

 Camões, Canto IX, A Ilha dos Amores, estrofe 64

A INFÂNCIA DE HERBERTO HELDER
[primeiro poema de Tolentino de Mendonça]

No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora

acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios

Isto foi antes
de aprender a álgebra


José Tolentino Mendonça, Anos 90 e Agora, Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2001, p.127.
Cortesia do youtube

03/05/2020

Para uma amiga

Parabéns, Gracinha!
Um dia muito feliz. :))

Neste Corona vírus há encontros que não se dispensam. Principalmente quando vivemos perto.

Mondego

Que o astro-Rei nos visite sempre e a água do rio corra alegre!


Com a cortesia do yiutube e da VEVO

27/04/2020

Dalida

Um filme de Lisa Azuelos



Uma canção para o meu pai.


Le temps des fleurs
Dalida

Dans une taverne du vieux Londres
Où se retrouvaient des étrangers
Nos voix criblées de joie montaient de l'ombre
Et nous écoutions nos cœurs chanter
C'était le temps des fleurs
On ignorait la peur
Les lendemains avaient un goût de miel
Ton bras prenait mon bras
Ta voix suivait ma voix
On était jeunes et l'on croyait au ciel
La, la, la
(On était jeunes et l'on croyait au ciel)

Et puis sont venus les jours de brume
Avec des bruits étranges et des pleurs
Combien j'ai passé de nuits sans lune
A chercher la taverne dans mon cœur
Tout comme au temps des fleurs
Où l'on vivait sans peur
Où chaque jour avait un goût de miel
Ton bras prenait mon bras
Ta voix suivait ma voix
On était jeunes et l'on croyait au ciel
La, la, la
(On était jeunes et l'on croyait au ciel)

Je m'imaginais chassant la brume
Je croyais pouvoir remonter le temps
Et je m'inventais des clairs de lune
Où tous deux nous chantions comme avant
C'était le temps des fleurs
On ignorait la peur
Les lendemains avaient un goût de miel
Ton bras prenait mon bras
Ta voix suivait ma voix
On était jeunes et l'on croyait au ciel
La, la, la
(On était jeunes et l'on croyait au ciel)

Et ce soir je suis devant la porte
De la taverne où tu ne viendras plus
Et la chanson que la nuit m'apporte
Mon cœur déjà ne la reconnaît plus
C'était le temps des fleurs
On ignorait la peur
Les lendemains avait un goût de miel
Ton bras prenait mon bras
Ta voix suivait ma voix
On était jeunes et l'on croyait au ciel
La la la
(On était jeunes et l'on croyait au ciel)


25/04/2020

À janela!


CAPA do PÚBLICO 25 de Abril 2020
Público



Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen,  O Nome das Coisas, 1974

(em construção)

24/04/2020

Para um amigo

Parabéns Manuel Poppe!
Desejo que passe um dia muito feliz, apesar deste confinamento.

Um postal de Veneza, a sua Veneza
Sem turistas, águas nos canais de Veneza voltam a ser cristalinas ...

Talvez porque estou assoberbada de trabalho e confinada a este isolamento obrigatório, não tenho muitas palavras para lhe dizer, a não ser que nunca me vou esquecer dos olhos de alguns miúdos interessados na sua história de vida. E que vida!
Um brinde à vida!


Cortesia do youtube

22/03/2020

O castelo


Os muros cheios de hera
acolhem o sol preguiçoso
da primavera anunciada

Os homens onde estão?
Recolhidos nos seus castelos
ou moinhos de vento

à espera que o ar amanheça límpido,
inócuo, sem resquícios de vírus
importado do sol nascente...
e da terra onde as estátuas estão vivas.

O castelo torna-se local imperioso,
síto de protecção e defesa,
abrigo das tempestades e das pestes.
Estamos na idade do silêncio.





Com a gentileza do Youtube

07/03/2020

Para uma amiga

Parabéns, MR!
Aqui deste lado, após uma ida ao local maravilhoso que assinalo na imagem, decidi deixar esta surpresa.

Capela do Fundador

RETRATO 
de
 uma mulher portuguesa que teve protagonismo 
por ser filha de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.

Rogier Van der Weyden, D. Isabel, duquesa de Borgonha, filha de D. João I, c. 1450

Ficheiro:Rogier van der Weyden (workshop of) - Portrait of Isabella of Portugal.jpg


Avizinha-se o dia da mulher (8 de Março), deixo também a homenagem a todas as mulheres, através de D. Isabel que substituiu a mãe, após a sua morte, à frente da Casa das Rendas até se casar com o duque D. Filipe III da Borgonha. 
Parece que foi uma mulher de estado e além disso muito culta.


11/02/2020

Para a Alexandra...

... deixo um dos meus últimos hobbies com o desejo de 
um dia muito feliz e muitos parabéns! 


Ainda está por finalizar o hall de entrada (escadas), o escritório e alguns detalhes na cozinha. A iluminação também ainda não está montada . Bem com faltam uns objectos ... mas a seu tempo. Foi tudo feito por mim excepto os sofás, a casa de banho e as cadeiras. Ah e as meninas e gatos. 




11/01/2020

Salvador

Entardecer


A cidade dormiu cedo.
A lua ilumina o céu, vem a voz de um negro do mar  em frente.
Canta a amargura da sua vida desde que a amada se foi.
No trapiche as crianças já dormem.
A paz da noite envolve os esposos.
O amor é sempre doce e bom, mesmo quando a morte está próxima.
Os corpos não se balançam mais no ritmo do amor.
Mas no coração dos dois meninos não há nenhum medo.
Somente paz, a paz da noite da Bahia.
Então a luz da lua se estendeu sobre todos,
as estrelas brilharam ainda mais no céu,
o mar ficou de todo manso
(talvez que Iemanjá tivesse vindo também a ouvir música)
e a cidade era como que um grande carrossel
onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia.
Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos,
soltando palavrões e fumando pontas de cigarro,
eram, em verdade, os donos da cidade,
os que a conheciam totalmente,
os que totalmente a amavam,
os seus poetas.
Jorge Amado, Capitães da Areia
http://mundodelivros.com/poemas-de-jorge-amado/


Al ...

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu em Coimbra a 11 de Janeiro de 1948. Notabilizou-se como poeta, pintor, editor e animador cultural português. Morreu em 1997.

Al Berto, dois auto-retratos, Centro de Arte de Sines


HOJE É DIA DE COISAS SIMPLES

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje




04/01/2020

Contemplação...

Toda a pessoa que se entrega à contemplação se transforma em semente.

Antoine de Saint-Exupéry,, Piloto de Guerra. (Tradução de Ruy Belo) Porto: Livros do Brasil, [Edição de 2015], p. 146.

Contemplação




E lucevan le stelle - por Mario del Monaco (1915-1982), 1975




Fotografia; Giacomo Puccini (1858-1924); Mario del Monaco (1915-1982)

31/12/2019

Feliz Ano Novo! - O Homem...

O Homem  é do tamanho do seu sonho,

Fernando Pessoa e o galo de Barcelos.
(Mote para o novo ano)

Feliz Ano Novo!



Com a cortesia do youtube

... a happy New Year

27/12/2019

Dos bailes do liceu...

In memoriam :
 Art Sullivan ( Marc Liénart Van Lidth de Jeude) nasceu em Bruxelas a 22 de Novembro de 1950.


C'est dimanche et je la voie, elle descend son escalier,
Et moi seul, abandonné, j'aimerais tant lui parler,
Parler la pluie du vent, de ces beaux yeux d'enfant,
Hello, hello, petite demoiselle,
Hello, hello, c'est une idée rebelle,
Il faudra bien qu'un jour, je te parle d'amour
Hello, hello, petite demoiselle,
Hello, hello, j'attends que tu m'apelles,
Ne fermes pas ton coeur, a ma grande douleur
C'est dimanche et je la voie, elle descend son escalier,
Dans mon coeur désamparé, vibre le besoin d'aimer,
D'aimer c'était belle enfant, et ses cheveux d'argent
Hello, hello, petite demoiselle,
Hello, hello, c'est

****
Adieu

24/12/2019

Feliz Natal!

Feliz Natal!

Menino Jesus em barro, colecção de artesanato de Jorge Amado.
Casa de Jorge Amado, Salvador, Baía


 Desejo a todos 

Boas Festas!


DEUS

À noite, há um ponto do corredor
em queum brilho ocasional faz lembrar 
um pirilampo. Inclino-me para o apanhar
-e a sombra apaga-o. Então,
levanto-me: já sem a preocupação
de saber o que é esse brilho, ou
do que é reflexo.
Ali, no entanto, ficou
uma inquietação; e muito tempo depois,
sem me dar conta do motivo autêntico,
ainda me volto no corredor, procurando a luz
que já não existe.

Nuno Júdice, Meditação Sobre Ruínas. Lisboa: Quetzal, 1999, p. 27.


16/11/2019

Para o João Menéres...

Parabéns, João Menéres!

Da casa de Jorge Amado, Picasso, com um desejo de um final de dia feliz!



Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!

Jorge Amado, Nem a rosa, nem o cravo..., Folha da Manhã, 1945 
(retirado do Pensador)

03/11/2019

Para a Margarida

Um dia muito feliz
e
mil parabéns!

Edwart Collier, Girl Holding a Doll in na Interior With a Maid Sweepin Behind, sd
Johnny van Haeften Gallery, London


De Salvador, Rio Vermelho, o bairro de Jorge Amado. Aqui vai a baía que ele via.


O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha.

Jorge Amado

(retirado do Pensador)

Canção para a Irmã Dulce a irmã dos pobres da Bahia

19/10/2019

Like an angel


Movimento
Se tu és a égua de âmbar
                  eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
                  eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
                  eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
                  eu sou o grito do primeiro pássaro
Se tu és a cesta de laranjas
                  eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
                  eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
                  eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
                  eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
                  eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
                  eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
                  eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
                  eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
                  eu sou o caminho de sangue

Octavio Paz, in "Salamandra"
Tradução de Luis Pignatelli,
Retirado do Citador



16/10/2019

Para uma amiga

Para a Maria João,
Muitos parabéns. 
Um dia muito feliz!

Aqui fica uma tela que me faz lembrar o livro da Maria João. 
As memórias como a tela são feéricas, tranquilas e belas.


Recordo o dia em que me "separaram" da minha irmã mais velha. Devia eu ter cinco anos e ela um ano mais. Adoecera com tosse convulsa e,  para eu não ser contagiada, o meu pai foi levar-me a casa da tia da minha mãe, a tia Mariquinhas.

Maria João Falcão, Os Figos de Setembro e outras Histórias. R. G.Livreiros, 2018, p. 47.

Pierre-Auguste Renoir, As duas Irmãs, ou no Terraço 1881,
Art Institut of Chicago, Chicago



Porque a Itália é bela!
À alegria. :)) [Cortesia do Youtube]


12/10/2019

Luxo...

O peso da História, Palácio Nacional da Ajuda




In memoriam porque  dia 6 de Outubro fez 20 anos que morreu e mantive-me em silêncio...

01/10/2019

Dia Mundial da Música


Um Intermezzo que é uma maravilha e me foi dado a conhecer por um amigo a quem brindo, 
neste dia  Mundial da Música!



Frans Francken (the younger),  Pictura, Poesis and Musica in a Pronkkamer, Art Gallery

File:Frans II Francken Pictura, Poesis and Musica in a Pronkkamer.jpg

16/09/2019

Ne me quitte pas

Edward Munch, Separação, 1896, The Munch Museum, Oslo



Ne me quitte pas
foi escrita em 1959 quando Brel se estava a separar de Suzanne Gabriello



Ne Me Quitte Pas

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles et des pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

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