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12/10/2019

Luxo...

O peso da História, Palácio Nacional da Ajuda




In memoriam porque  dia 6 de Outubro fez 20 anos que morreu e mantive-me em silêncio...

01/09/2012

Vêm de um Céu

Há dias em que a cidade tem um sabor mais caloroso. Ontem foi um desses dias. 
Coimbra em jardim esplendoroso, no Quebra-Costas


Mestre Alves André, Tricana do Mondego (inaugurada a 7 de Dezembro 2008).
Homenagem da Junta de Freguesia de Almedina. 
Quebra-Costas

Vêm de um Céu

Vêm de um céu talvez de ficção.
Vejo-as chegar, vejo-as partir.
São aves de passagem, não lhes sei o nome.
Têm como eu pouca realidade.
Seguem a direcção do vento, rumo a sul,
chamadas pela cal ardendo sobre o mar.
É difícil a nostalgia;
naturalmente mais difícil quando o tempo fere
o nosso olhar e o priva do que fora mais seu:
a nudez musical da luz primeira.
Mas de que falo eu, se não forem aves

 Eugénio de Andrade, in O Sal da Línguadaqui

06/03/2012

"Nossos corpos agora estão feridos"

Uma tarde com Manuel Alegre, o poeta, o político mas acima de tudo o homem que é.

As palavras que se focaram: liberdade de expressão, democracia e justiça social. Em suma, encontrámos humanidade. Apesar do poema falar de amor hoje o verso que serviu de título podia ser fruto da realidade que vivemos.

Manuel Alegre

Leitura de um poema sobre o mar e o povo português.


Desenhos de João Cutileiro

(p. 7 do livro indicado)


"Trovas do Tempo que Passa"-letra de Manuel Alegre
"Fado" - letra de Manuel Alegre

27/11/2011

Fado é Património Imaterial da Humanidade!

Lisboa, Praça da Figueira


Soube há pouco esta novidade através do blogue "Presépio no Canal" (ver na barra do lado esquerdo). Parabéns a todos os que lutaram por este reconhecimento.



Personalidades que mais marcaram o fado:


Guitarrista Carlos Paredes, Balada de Coimbra




Amália Roderigues, Povo que Lavas no Rio




Alfredo Marceneiro, Viela




FADO PORTUGUÊS

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
(Retirado do Citador)

25/11/2011

"Com ela era «assim»". (Pelo Fado 4)

Há dias em que nos sentimos Outono...






Numa rua em que a árvore pereceu nasceram cogumelos!



Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de vida, aceitara que com ela era «assim». Mas também adivinhava creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir, havia existências mais delicadas e até um certo luxo da alma.

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, Lisboa: Relógio d’Água, 2002p. 55-56.




Pelo Fado


A (minha) Diva do Fado


13/06/2011

Santo António e Fernando Pessoa

Domingos António de Sequeira, Santo António e o Menino, 1796


Desenho a lápis preto e sanguínea Museu Nacional de Arte Antiga


Parabéns Fernando Pessoa

SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?




Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986. Daqui

Em especial para MJ Falcão com um beijinho.




Para todos os que vivem em Lisboa, boa festa! :)

Obrigada Margarida pelo site - MatrizNet!

19/10/2010

Trago o fado...

Trago o fado... o silêncio.

Trago fados nos sentidos
Tristezas no coração
Trago os meus sonhos perdidos
Em noite de solidão
Trago versos, trago som,
De uma grande sinfonia
Tocada em todos os tons
Da tristeza e da alegria

Trago amarguras aos molhos
Lucidez e desatino
Trago secos os meus olhos
Que choram desde menino
Trago noites de luar
Trago planícies de flores
Trago o céu e trago o mar
Trago dores ainda maiores

Amália Rodrigues

25/09/2010

Fado Malhoa

Hino ao fado após ter visto um programa sobre o Fado na RTP 1, apresentado por Carlos do Carmo.
Gosto de fado e este tem a particularidade de focar um pintor e a sua interpretação de Severa, a primeira mulher fadista segundo se consta.
x
José Malhoa, Fado, 1910

Óleo sobre tela, 1,51m x 1, 86 m, Museu da Cidade, Lisboa, Portugal

Fado Malhoa, Amália Rodrigues


Poema de José Galhardo, música de Frederico Valério

FADO MALHOA

Alguém que Deus já lá tem
Pintor consagrado,
Que foi bem grande
E nos fez já ser do passado,
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida.

Subiu a um quarto que viu
A luz do petróleo
E fez o mais português
Dos quadros a óleo
Um Zé de Samarra
Com a amante a seu lado
Com os dedos agarra
Percorre a guitarra
E ali vê-se o fado.

Dali vos digo que ouvi
A voz que se esmera
Dançando o Faia banal
Cantando a Severa
Aquilo é bairrista
Aquilo é Lisboa
Aquilo é fadista
Aquilo é de artista
E aquilo é Malhoa.

23/07/2010

Amália Rodrigues!

A Amália que terá nascido neste dia 23 de Julho, segundo constam os registos.

Poema de Pedro Homem de Melo Povo que Lavas no Rio.


POVO QUE LAVAS NO RIO

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Poema de Pedro Homem de Melo

09/07/2010

Vinicius/Amália

Vinicius Moraes e a guitarra portuguesa. Lembrar Vinicius no dia em que partiu e foi ao encontro da sua Eurídice.
(19, Outubro, 1913- 9 Julho 1980)

A partir de uma gravação em casa de Amália Rodrigues num serão com Vinicius de Moraes, Natália Correia, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos, em 1968

01/07/2010

In memoriam - Amália Rodrigues.

Homenagem a Amália Rodrigues 1 de Julho de 1920
(data que a fadista escolheu para o seu aniversário/ registada a 23 de Julho 1920)
O Grito!


O Medo!

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