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10/07/2023
"A História-vivida é contemplativa", José Mattoso
Partiu José Mattoso, um homem para mim misterioso.
Sábio entre os sábios terá a vida eterna!
«A minha visão da História humana, da História-vivida é contemplativa.»
05/10/2010
Da "República" - Carrilho, Mattoso, Oliveira Marques
No centenário da República, sublinham-se quatro pensamentos, um iconográfico, que captaram a minha atenção.
Subsiste a pergunta, o que somos para onde vamos?
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Stuart Carvalhais, ilustração para um bilhete postal de propaganda ao jornal República.
Década de 1910.
Quando hoje olhamos para o 25 de Abril de 1974, o que vemos? Que balanço fazemos? Que sucessos, que fracassos, que impasses identificamos nós? Nos sucessos, há dados quase indiscutíveis: a estabilização da democracia, depois de quase cinco décadas de ditadura. O fim do colonialismo, depois de muitos anos de cegueira política e 13 anos de guerra. A abertura ao desenvolvimento, em contraste com a letargia do Estado Novo. Os fracassos são, naturalmente, mais controversos. (...)
No plano da democracia, o fosso entre a sua dimensão representativa e as exigências participativas tem aumentado, sem que se consiga responder com eficácia à degradação dos partidos, à descredibilização dos políticos ou ao desinteresse dos cidadãos."
Manuel Maria Carrilho, E Agora? Por uma nova República, Porto: Sextante Editora, 2010, p.61.
x"Por influência do meu pai e do ambiente familiar, confesso que a [I] República tomou uma atitude inaceitável para com a Igreja e os católicos. Teria sido muito mais inteligente se tivesse encontrado uma via de entendimento."
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José Mattoso, Revista Ler "Ao Sabor da História", nº 94 ,II Série, Livros & Editores, p.32
xSobre o livro, o historiador escreveu:
" Tentou debruçar-se sobre os acontecimentos com esse máximo de imparcialidade que a condição humana do historiador permite. Se conseguiu ou não, o leitor dirá. Acaso a ausência de uma ideologia vulgarmente reconhecível fará destes sete pequenos capítulos uma obra de tendência "burguesa" a olhos marxistas e um livro com cheiro socialista a olhos burgueses. Oxalá assim seja, porque nada melhor aspira o autor do que a fugir aos rótulos ideológicos com que se costumam etiquetar as pessoas".
xA. H. Oliveira Marques, A Primeira República Portuguesa, Texto Editores, 2010, (2ª edição), Prefácio.
03/10/2010
Expressões e percepções... - José Mattoso
José Mattoso, fotografia surripiada na net

Depois de ter lido no Prosimetron uma citação da entrevista realizada por Carlos Vaz Marques a José Mattoso, procurei a revista Ler.
A História Contemplativa do Professor Doutor José Mattoso causou-me alguma inquietação, o mesmo se passara quando li A Identidade Nacional (1998).
"O tesouro está aí. Quem quiser que o aprecie, que o colha. Platão está ao alcance de muita gente. A Humanidade foi acumulando expressões e percepções extraordinárias sobre o que é a vida, o que é a existência. A noção de que atrás de nós há séculos e séculos de experiência humana é uma percepção importante para termos uma ideia do que somos, do que nos cai em cima, daquilo que temos de digerir e a que temos de responder (...)".
"Procurei sempre ter uma visão global da História. Portanto, todo o passado humano numa só imagem. Tento compará-lo a uma grande sinfonia, com muitos instrumentos. Esse todo tem uma certa harmonia e é à percepção dessa harmonia que chamo espírito contemplativo. Gosto de olhar para a História com o espírito contemplativo."
Revista Ler "Ao Sabor da História", nº 94 ,II Série, Livros & Editores, p. 29
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