14/02/2018

Não um mas dois...


O AMOR QUE EU TENHO NÃO ME DEIXA ESTAR

O amor que eu tenho não me deixa estar
Pronto, quieto, firme num lugar
Há sempre um pensamento que me enleva
E um desejo comigo que me leva
Longe de mim, a quem eu amo e quero.
Inda de noite, quando durmo, espero
A manhã em que torne a vê-la e amá-la.
……
.
s.d.

Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer – Textos para um Novo Mapa, Lisboa: Estampa, 1990, p.36.

NÃO SEI SE É AMOR QUE TENS, OU AMOR QUE FINGES

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dadiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?
.
12-11-1930
Ricardo Reis, Odes,  (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994), p. 128.


Quem não se recorda desta banda?!

12 comentários:

  1. Sinto-me sempre meio tolhida a ler o que o próprio Pessoa não deu para ser lido. É verdade que guardou, mas seria com intuito de divulgação?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bea,
      Não sei, mas era uma perda se não os encontrássemos, não acha?
      Boa semana!:))

      Eliminar
  2. Claro que me lembro deles, são do tempo em que ainda não precisava dar um rosto à voz:); prazer em conhecê-los também desta forma, aqui e agora no blogue da Ana. A letra da canção é um bocadinho magoada. É verdade que o amor magoa mas não apenas. E, seja qual for a condição, senti-lo é crescer nas emoções. E mal de quem o não tenha experimentado porque é um bem para a alma.

    ResponderEliminar
  3. Pessoa por conhecer!
    mas que se revela
    dia a dia quem o quiser
    Ou alguém o leva
    a quem ignora.

    Bj.

    ResponderEliminar

Arquivo