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01/05/2016

Mother

Fernando Botero, Maternidade, 1989.
Jardim Amália Rodrigues, Lisboa

Gaffiti de Luísa Cortesão, cortesia do Google
Mother

Mother, do you think they'll drop the bomb?
Mother, do you think they'll like this song?
Mother, do you think they'll try to break my balls?
Ooooh aah, mother, should I build the wall?

Mother, should I run for president?
Mother, should I trust the government?
Mother, will they put me in the firing line?
Ooooh aah, is it just a waste of time?

Hush now, baby, baby, don't you cry
Mama's gonna make all of your nightmares come true
Mama's gonna put all of her fears into you
Mama's gonna keep you right here under her wing
She won't let you fly but she might let you sing
Mama's gonna keep baby cosy and warm

Ooooh, babe, ooooh, babe, ooooh, babe
Of course Mama's gonna help build the wall

Mother, do you think she's good enough?
Mother, do you think she's dangerous?
Mother, will she tear your little boy apart?
Oooh aah, mother, will she break my heart?

Hush now, baby, baby, don't you cry
Mama's gonna check out all your girlfriends for you
Mama won't let anyone dirty get through
Mama's gonna wait up till you get in
Mama will always find out where you've been
Mamma's gonna keep baby healthy and clean

Ooooh, babe, ooooh, babe, ooooh, babe
You'll always be a baby to me

Mother, didn't need to be so high

05/10/2015

5 de Outubro!

Uma data que faz parte da nossa História.
O meu respeito para com todos os monárquicos e para com o regime que fez nascer Portugal. O Tratado de Zamora ocorreu na data 5 de Outubro, de 1143, o que muito honra todos os portugueses.
Sou republicana. Dia 5 de Outubro era feriado e evocava a implantação da República a 5 de Outubro de 1910. Desde pequena que esta data era vista como um acontecimento importante na História de Portugal. Ficava-se em casa e assistia-se às comemorações ou participava-se nelas.

Monumento no Príncipe Real
Inscrição na pedra:
"A França Borges, do seu trabalho herculeo nasceu a Republica, consagremos o luctador" 

Durante o Estado Novo o feriado foi mantido e havia comemorações (com discrição). Abaixo veja-se no link o documento do MUD (1946) sobre as comemorações.

Em 2015 o Presidente da República, pela primeira vez, em democracia, não estará presente nas comemorações. Lamento que o representante de todos os portugueses assim tenha escolhido e manifestado a sua intenção aos meios de comunicação. 

Gostaria de mostrar o documento mas não tive tempo de pedir autorização por isso reencaminho para o link onde se pode consultar.
Arquivos da Fundação Mário Soares
(1946), "5 de Outubro - Circular da Comissão Distrital de Lisboa do MUD", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_147658 (2015-10-4)

António França Borges nasceu a 10 de Janeiro de 1871 e faleceu em 1915


25/05/2014

Apontamentos num dia em que Portugal e Espanha se encontram

Madrugava em Lisboa (dia 24 de Maio) e o som propagava-se em castelhano. Os rostos eram alegres, a multidão pululava em dia de festa. 
A festa não era só de nuestros hermanos, os portugueses são hábeis anfitriões receberam os "invasores" como bons vizinhos que somos.


Acompanhando os capitães de Abril espalhados pela cidade, cruzam-se os cidadãos perante o sol que gentilmente apareceu.

No Chiado, a feira do livro seguia a rotina de fim de semana. O regresso à infância espelha-se num dos livros adquiridos.


Na Bénard o ritual repete-se: o café e o scone são saboreados paulatinamente.

Ao almoço o encontro, a partilha, o riso, o silêncio... e o vinho alentejano de casta sublime. O Tejo hoje também Tajo não divide mas une.
 Lembranças 

As Origens
Não faz hoje sentido falar  de uma unidade do território português baseado em condições naturais ou de uma individualidade geográfica de Portugal dentro do conjunto da Península Ibérica.
Na verdade, o Minho continua a Galiza tanto na orografia e no clima como nas formas de exploração do solo. Trás-os Montes e o norte da Beira prolongam a meseta Ibérica. A Cordilheira Central (Serra da Estrela, etc.) separa o Norte e o Sul de Portugal assim como separa o Norte e o Sul da vizinha Castela. A Beira Baixa e o Alentejo compartilham de condições que se encontram na Estremadura espanhola. E a província mais meridional do  País, o Algarve, não difere grandemente da Andaluzia litoral.  

A. H. de Oliveira Marques, Breve História de Portugal. Editorial Presença, 2012 (8ª edição), p. 11.

Os chocolates pereceram devido ao pecado da gula. 
A todos obrigada.




19/07/2013

Cheiros de Portugal

Será esta Água de Portugal a via para um novo Portugal? 
Provocação, porque não?

Cheiros de Portugal no Palácio da Ajuda

Na visita à exposição de Joana de Vasconcelos que decorre no Palácio da Ajuda encontrei estes dois cheiros. Serão a introdução para uma visita à exposição.

PERFUME EXÓTICO

Quando eu a dormitar, num íntimo abandono,
Respiro o doce olor do teu colo abrasante,
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante
Na auréola de luz d'um triste sol de outono;

Um éden terreal, uma indolente ilha
Com plantas tropicais e frutos saborosos;
Onde há homens gentis, fortes e vigorosos,
E mulher's cujo olhar honesto maravilha.

Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas;
Vejo um porto ideal cheio de caravelas
Vindas de percorrer países estrangeiros;

E o perfume sutil do verde tamarindo,
Que circula no ar e que eu vou exaurindo,
Vem juntar-se em minh'alma à voz dos marinheiros.

Charles Baudelaire, in As Flores do Mal
(Tradução de Delfim Guimarães)
Daqui

22/04/2012

Janelas floridas num dia com algum sol!

Mudei para o google chrome para acompanhar as novas mudanças impostas na blogosfera. Encontrei possibilidades que resolvi experimentar e é com contentamento que partilho as janelas floridas.

 

 Olhos postos na terra, 
tu virás no ritmo da própria primavera, 
 e como as flores e os animais 
 abrirás as mãos de quem te espera. 

 Eugénio de Andrade 
(cortesia do google)

27/11/2011

Fado é Património Imaterial da Humanidade!

Lisboa, Praça da Figueira


Soube há pouco esta novidade através do blogue "Presépio no Canal" (ver na barra do lado esquerdo). Parabéns a todos os que lutaram por este reconhecimento.



Personalidades que mais marcaram o fado:


Guitarrista Carlos Paredes, Balada de Coimbra




Amália Roderigues, Povo que Lavas no Rio




Alfredo Marceneiro, Viela




FADO PORTUGUÊS

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
(Retirado do Citador)

24/06/2011

Dias para esquecer...

"A Fantasia Lusitana" é um filme (documentário) de João Canijo que vale a pena ver para não nos esquecermos do tempo em que os homens reagiram como animais.

Grassava o ano de 1940 e Lisboa era um ponto central apesar de periférico...

Quem éramos? O que se passava no mundo?

Vi o documentário na RTP2.




O tempo de espera era interminável. (refugiado)

Esta sensação de infinito desamparo
Provoca em mim um grande medo.
(refugiada)





Lisboa





a black bird

in a cold night

crying!

17/06/2011

A luz e a sombra sob os céus de Lisboa


A

INVISIBILIDADE DE DEUS

dizem que em sua boca se realiza a flor
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde possamos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão












o certo é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorri
dizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu

Al Berto daqui

13/06/2011

Santo António e Fernando Pessoa

Domingos António de Sequeira, Santo António e o Menino, 1796


Desenho a lápis preto e sanguínea Museu Nacional de Arte Antiga


Parabéns Fernando Pessoa

SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?




Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986. Daqui

Em especial para MJ Falcão com um beijinho.




Para todos os que vivem em Lisboa, boa festa! :)

Obrigada Margarida pelo site - MatrizNet!

02/05/2011

Para que a segunda-feira seja mais fácil de levar...

... É preciso voltar a ensinar os pássaros a cantar.


As pombas no Rossio, Praça D. Pedro IV, junto à estátua do rei


Os pássaros estão estragados

Bonifaz Vogel olhava para os prédios e contava as janelas intactas. Isso distraia-o e ele dizia aqueles números em voz alta para que o universo ouvisse.
Os pássaros estavam mudos. Todos calados nas suas gaiolas.
- Os pássaros estão estragados - disse Bonifaz Vogel.
- Não se pode cantar quando o mundo está desfeito nestas cinzas todas - disse a voz.
- Ninguém vai querer comprar pássaros que cantam em silêncio.
- Tem toda a razão, Sr Vogel, mas que fazer?
- Eu sei umas canções. É preciso voltar a ensinar os pássaros a cantar.

Afonso Cruz, A Boneca de Kokoschka, Lisboa: Quetzal, 2010, p. 42.


Mary Popins - Feed The Birds, Julie Andrews


21/11/2010

A ilha eterna onde nunca amanhece nem anoitece

A voz é tão poderosa como uma pintura. A ária "Ebben? ne andrò lontana", da ópera La Wally de Alfredo Catalani povoou uma parte da noite. Lembrei-me dela quando olhei para a barca e os corvos, símbolos de Lisboa.
Se com esta ária se pudesse pintar uma tela, o branco dos Alpes em festa de Inverno imperava, apesar da trágica morte dos amantes.
A vida e a morte surgem como uma pena que voa levada pela leveza do vento. A morte aparece como libertadora. O abismo e a neve são o cenário onde dois corvos negros simbolizam a passagem da barca para a ilha eterna onde nunca amanhece nem anoitece!
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S. Carlos, Lisboa
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Maria Callas faz desta morte o encontro com a serenidade!



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