A mesa junto à janela
A mesa junto à janela é muitas vezes companheira de reflexão. O mármore branco de forma hexagonal infere alguma pureza ao conjunto de estilo holandês, pesado e sóbrio.
Dois candelabros jogam no espaço cénico a verticalidade dos sentidos. A luz é a grande vencedora, projecta as sombras, dilui os pensamentos.
O sabor do café solitário, o olhar vazio para a rua iluminada leva a pensamentos cruzados, à informação partilhada.
Um grito mudo de impotência. A desordem nascida do improvável, a derrota dos frágeis, incoerência anunciada, a queda de Ícaro num campo sem flores.
A barca é pequena e o homem do leme perde as referências básicas, perde o nome que encerra em si.
Perde-se...
O nó desata-se, o fio desfia-se, o tear desconhece a mão que vagarosamente quer tecer o fio.
Em re-re-reposição.