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22/09/2018

Caminhos de pedras


(...) estou a ficar enfeitiçada por este sossego, os caminhos de pedras brancas com plátanos, trepadeiras, de folhas verdes e vermelhas, o pinhal de Camarido, as casas fechadas, compostas, em frente ao  mar, o sol e a sua estradade luz e de sons nas águas quase paradas. Penso que hei-de  acabar a vida numa cabana ao pé do mar. E sempre a praia me pareceu melhor no outono.
Carta a Jacinto Prado Coelho, 1 de outubro 1971.
Viajar com... 
Maria Ondina Braga, Coleção: Viajar com... Os Caminhos da Literatura, Texto de Isabel Mateus. Braga: Opera Omnia, Cultura do Norte, 2012, p. 22.

Adquiri este livro na Livraria Lumière. Obrigada Cláudia por me dar a conhecer esta colecção.


18/08/2018

Kazuo Ishiguro para a Isabel

Para a Isabel, com o desejo de um dia muito feliz!

Parabéns!

O jardim tem uma aspecto natural, espontâneo; ninguém diria ter sido planeado.

Kazuo Ishiguro, Um Artista do Mundo Flutuante. Lisboa: Gradiva, 2018, p.43.


Este jardim tem mar...
Dizem que: o que não é planeado é melhor, mas no fundo há algo sempre planificado. :))

Claude Monet, Jardim de Sainte-Adresse, 1867, 
The Metropolitan Museum of Art ( nº 67.241)
Garden at Sainte-Adresse, Claude Monet (French, Paris 1840–1926 Giverny), Oil on canvas

Polina, um filme que esteve no Festival de Veneza em 2016, é de  Angelin Preljocaj e  Valérie Müller.

O título em francês é Polina, danser sa vie.

11/08/2018

Moldura de Verão, Leituras de Verão III - John Dunning

Uma grade pouco fechada em frente ao rio



«Naqueles primeiros anos do Internet, colei um epigrama na minha secretária: Um  livro é um espelho. Se um burro se mira, não é um apóstolo que se reflecte. A frase foi escrita há dois séculos por um espirituoso alemão chamado Lichtenberg, mas suponho que se aplica muito bem, hoje em dia. ao ecrã de um computador.» [Cliff Janeway, livreiro]

John Dunning, A Promessa do Livreiro. (Tradução: Fernanda Semedo). Lisboa. Editorial Estampa,2007, p.61

John Dunning foi vencedor do prémio  Nero Wolfe para literatura policial. Estou a gostar bastante deste detetive livreiro que procura livros raros de Richard Burton.

29/07/2018

Moldura de Verão- Leituras de Verão II - Kazuo Ishiguro

Um Verão com um começo nipónico, Ishiguro segue-se a Mishima. Gostei do romance com sabor histórico.

O romancista Kazuo Ishiguro na sua casa, em Londres, logo após o anúncio do Nobel - Alastair Grant / AP Fotografia tirada daqui

 O romancista Kazuo Ishiguro em uma coletiva de imprensa em sua casa, em Londres, logo após o anúncio do Nobel Foto: Alastair Grant / APResultado de imagem para um artista do mundo flutuante

Imagem do livro retirada da net da Wook

A preocupação de um artista é captar a beleza onde quer que a encontre. Mas, por mais hábil que seja, terá sempre muito pouca influência no tipo de questões que falas*. De facto, se a Okada-Shingen é a tal como a descreves, então parece-me que estás equivocada nos seus propósitos. Parece fundar-se em expectativas ingénuas sobre o poder da arte.

Kazuo Ishiguro. Um Artista do Mundo Flutuante. (Trad. Rui Pires Cabral). Lisboa: Gradiva, 2018, p. 207, (1ª ed. em Portugal 2018, título de 1986).

*[poder político/lutar conta a pobreza]


21/07/2018

Moldura de Verão, leituras de Verão -Yiuko Mishima

Leituras de Verão - comecei as leituras de Verão com um livro de contos de Mishima no qual desvenda a alma humana e a dificuldade em lidar com a dor de uma grande perda. É um livro profundo e bonito.

A vida humana é finita mas eu gostaria de viver para sempre”, escreveu Mishima na manhã antes da sua morte, citação retirada do The Guardian. 
Mishima suicidou-se segundo o ritual seppuku, conhecido no ocidente por haraquíri (1970).





La mort… nous affecte plus profondément 
sous le règne pompeux de l’été.
Baudelaire
 Les Paradis Artificiels

"A praia de A., próxima da extremidade sul da península de Izu, ainda está intacta. Lá pode‑se tomar banho. É certo que o fundo do mar é desigual e cheio de calhaus e que as ondas são fortes, mas a água é limpa e a terra entra pelo mar num suave declive, tendo no conjunto excelentes condições para se nadar. Sobretudo por estar afastada, a praia de A. não sofre nem do barulho nem da sujidade das estâncias balneares mais próximas de Tóquio. Fica a duas horas de autocarro de Itō.
(...)
As crianças cansaram‑se do castelo de areia. Desataram a correr para que a água jorrasse das poças à beira das ondas. Acordada do pequeno e tranquilo universo pessoal para o qual tinha resvalado, Yasue correu atrás delas. 
Mas não estavam a fazer nada que fosse perigoso. Tinham medo do bramido das ondas. Havia um pequeno redemoinho para lá da rebentação. Kiyoo e Keiko de mão dada, com água até à cintura e os olhos brilhantes, faziam frente à água, sentindo a areia mexer debaixo dos pés nus. 
— Parece que alguém nos está a puxar — disse Kiyoo à irmã. 
Yasue aproximou‑se deles e proibiu‑os de irem mais longe. Mostrou‑lhes Katsuo, não o deviam deixar sozinho, deviam ir brincar com ele. Mas não lhe prestaram atenção. Estavam de pé, de mãos dadas, felizes, e olhavam‑se sorrindo. Tinham um segredo: a areia que sentiam mexer debaixo dos pés."

Yiuko Mishima, Morte em Pleno Verão. Torres Vedras:Editorial Estampa, dezembro de 2006 p.11 e 12.

05/05/2018

Nice, 2015

Nice, 2015

O livro que comecei a ler compreende uma viagem a Roma, a Brasília, à Sicília, à Cróacia e o regresso. Comprei-o por causa do tema e do título: Não se Encontra o que se Procura. O livro é de Miguel Sousa Tavares. Andei uns tempos zangada com este escritor mas gostei deste título...

Se pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse tempo e distância.
Onde houvesse essa improvável e louca hipótese de ser feliz fora do mundo.

( na badana do livro)

Miguel Sousa Tavares,  Não se Encontra o que se Procura. Clube do Autor, SA, 2014.

A fotografia é um nonsense, mas é o Velho Mundo a contrapôr-se ao Novo Mundo...

Desejava ir a Sorrento...

Boa noite!

21/04/2018

o sol - flor- tem várias texturas

girassol

- Não gosto deste jogo.
- Não interessa, Zofia.
-Quero ser a Selma.
- Temos de estar sempre a jogar este jogo ou vai acontecer-nos algo muito mau.
- Porquê? Porque é que toda a gente nos quer fazer mal?
- Explicar-te-ei quando fores mais cresdida, Zofia.
Mas agora querem fazer mal às pessoas que se chamam Schwarzwald e Litwak e por isso nunca mais dizes esses nomes.

R. D. Rosen, Memórias do Silêncio: As vidas das crianças que sobreviveram escondidas ao Holocausto. ( Trad. Pedro Garcia Rosado). Amadora 20/20 Editora, 2014, trecho retirado da badana da contracapa do livro.

[Uma das últimas leituras que me surpreendeu. Os testemunhos dos 3 casos visados vêm documentados com bibliografia]

30/01/2018

"Era bondoso"...

Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci é um livrinho de Sigmund Freud; comprei-o na Livraria Lumière, foi escrito em 1910, e está a cativar-me imenso. Talvez, agora, consiga compreender melhor este grande humanista.

Leonardo da Vinci, A Virgem, o Menino e Santa Ana, c.1513, Museu do Louvre
Imagem da wikipédia

Era bondoso e amável para com todos, segundo se dizia, recusava a alimentação à base de carne por se considerar injusto tirar a vida aos animais, e dava-lhe particular prazer restituir à liberdade os pássaros que comprava no mercado*.

Sigmund Freud, Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci. (Tradução Maria João Pereira)  Lisboa: Círculo dos Leitores, 1990, p. 17

Citação de * E. Müntz, Leonardo da Vinci, Paris, 1899, p. 18. ( Um a carta de um contemporâneo dirigida a Médicis e escrita da Índia alude a esta particularidade de Leonardo Segundo Richter: The literary works of Leonard daVinci.)


03/01/2018

Leituras entre o final do ano e o início deste...

Leituras realizadas através de ofertas amigas. Hoje, falo apenas de dois livros, um que já li, outro que comecei a ler.



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Li Uma Velha e o seu Gato e a História de dois Cães. É um livro triste que narra a história da vida de pessoas e a sua relação com os animais. A primeira é uma história de amor, o gato substitui toda a família e preenche a solidão. Ele acaba por delinear o futuro e o final da vida da sua dona... e mais não digo.
A segunda história é a ligação entre dois animais, a amizade e a partida...

Fotografia: http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/livro-da-nobel-doris-lessing-sobre-seus-gatos-saira-no-pais/

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Obrigada.:))

O segundo livro é uma viagem a Itália, um país que adoro, do qual tenho imensas saudades: da cor ocre, do cheiro, do som das fontes e da beleza própria que só aquele país consegue ter na sua multiplicidade geográfica.
Comecei a lê-lo este ano, é o primeiro livro de 2018. Por isso, trago-o comigo, e escolhi este trecho: pela razão simples que a minha visita a Capri, que, em parte, calcorreei solitariamente, foi mágica.

Imagem daqui: https://jona25.deviantart.com/art/Jean-Paul-Sartre-32465313
Jean -Paul Sartre
Jean-Paul Sartre by Jona25

Il fut un temps où Capri était africaine. À présent elle est grecque. On la dit aussi romantique. «Trouvez-vous notre île romantique?» me demande un Italien. Naturallement elle est aussi classique. Elle fut anglaise, puis allemande. À chaque fois il ságit de la fixer et de la voir Afrique ou Grèce. Bref, de se faire reflèter par elle le mythe du moment. Il ya eu même une Capri futuriste quand Marinetti est venu dans l´île. Donc: île de Tibère, île romaine, île romantique, île africaine, île pédérastique et symboliste, île futuriste et faciste, île grecque et classique. Le procédé est le même: une clé qui ne colle pour déchiffrer. 

Jean-Paul Sartre, La reine Albemarle ou le dernier touriste (fragments). Éditions Gallimard, 1991, p. 22 e 23

Obrigada. :))


11/09/2017

Regresso à infância

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Ilustrações de José A. Cambraia, 2ª edição do livro em Portugal, 1971


As leituras de férias já voaram. Agora, talvez, porque regressar ao trabalho custa; pensamos sempre, não podemos ficar mais um bocadinho?...
Então decidi re-re-reler um livro de infância. Um livro da grande Senhora Enid Blyton, "Uma Casa da Árvore Oca". 
Escusado será dizer que o gosto com que o leio é o mesmo de outrora.
Não é um livro para a menina ou para o menino, é um livro para jovens, com a idade escolar da 4ª classe, no passado, do 2º ciclo, no presente. Ele desperta a curiosidade, a interpretação, a moral, a justiça, o afecto, a camaradagem e as vicissitudes do ambiente social que nem sempre é o mais favorável. 
Já aqui foi focado quando a Cláudia Ribeiro, da Lumière, mo arranjou.

Blyton era genial!

Todavia, também o trouxe a pensar num amigo que hoje faz anos, que leu alguns títulos que eu li porque todos os pais ou amigos ofereciam os livros da Colecção Azul, ou os livros da Enid Blyton...

Parabéns, João Mattos e Silva!
Tenha um dia feliz.

Fazer anos é também fazer uma viagem à infância.

Nunca tive uma casa na árvore, o mais semelhante, foi ter um navio realizado com cadeiras e um sofá, na casa da avó. Acreditem que as viagens eram fantásticas.




05/03/2017

Janelas

Gosto de janelas e das paisagens que se vêem através das janelas. Daí trazer estas duas telas.

Janelas de Karen Hollingsworth
 Acerca da pintora siga-se este link



Para mim, estas janelas representam o quotidiano tranquilo, aquele que ninguém pode estragar. O silêncio, o livro aberto largado, os livros em cima da mesa, o gato, tudo é perfeito para que se retome o momento.

Pintura fotográfica? Talvez, mas é pintura.

No livro que comecei a ler sobre Amadeo de Souza-Cardozo de Mário Cláudio, intítulado Amadeo encontrei este trecho que inicia o livro:

A Casa é uma teoria volumétrica por entre a vegetação, maior do que todo o Mundo, impossível de arrumar. Por torres e telhados se levanta, paredes de cal alternando com panos de muralha...

Mário Cláudio, Amadeo. Lisboa: Círculo de Leitores, 1984, p. 7.

O registo fez-me lembrar este jogo volumétrico cortado pelas janelas, também elas com volumetria própria...

É incrível mas regressamos sempre a Casa, a casa que nos formou, a casa que nos criou.

À minha avó que hoje faria anos e com a qual vivi uns tempos.

...uma canção que me cantava

29/01/2017

O tempo...


Tenho uma lista enorme de livros e agradecimentos a fazer a quem mos ofereceu, porém, comecei a ler um que me emprestaram, cujo tema é pertinente nos tempos que correm. O tempo, sempre ele, em espiral, construindo a História mas nunca acaba com os mistérios.

O tempo, diz-se, são os da comunicação e do conhecimento mas no íntimo de cada um dos presentes, atravessa a suspeita dolorosa de estarem cada vez mais próximos da solidão e do desconhecimento de si e dos outros. Sobretudo, dos outros, para quem é mais fácil olhar do que virar os olhos para dentro. 

Ana Zanatti, E onde é que está o amor?, Lisboa: Guerra e Paz, Editores, SA., p.10


12/01/2017

Há livros que são bálsamo!

Sabe, é curioso, eu tenho cores de Verão e cores de Inverno. Quando está calor gosto de pintar em azul, em verde, em branco. O branco, aliás, posso usá-lo durante todo o ano. E quando está frio gosto do vermelho.

Vieira da Silva in, O Fulgor da Luz, Conversas com Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes. 
Um livro de Anne Philipe traduzido por Luiza Neto Jorge e editado pela Rolim, Lisboa, sd, p. 14.


Está um frio que faz doer a alma e este livro foi um bálsamo que amenizou a dor.

Obrigada.




Ouvi hoje no rádio do carro a voltar para casa. Um dos meus álbuns preferidos dos Pink Floyd


27/12/2016

"Escuta, lenhador..."


Seurat, La Tour Eiffel, ca. 1889, 24,1 x 15,2 cm Fine Arts Museums of San Francisco, Museum purchase, William H. Noble Bequest Fund (daqui)



Escuta, lenhador...
Todos os anos vejo as árvores desaparecerem. Pode dizer-se que voltam a ser plantadas, mas nunca se reencontram tantas como anteriormente e é sempre um número mínimo que volta a estender os seus jovens ramos em direcção ao sol ou que agita a sua cabeleira ao vento.
Paris é a única cidade onde se tratam  assim as nossas irmãs árvores; nem Berlim nem Londres, para citar apenas cidades civilizadas, demonstram um tal desconhecimento da natureza. Todos os anos, sob os mais diversos pretextos, as nossas avenidas apresentam um desfile digno dos «infortúnios de guerra» e os mutilados expõem os seus cotos perante a indiferença dos automóveis, em grande medida responsáveis por esta desastrada exterminação. Se, como diz Aristóteles, as árvores são pessoas que sonham, o que pensará a árvore dos seus carrascos? Não quero fingir que lhe dou voz, porque ela tem a seu favor o silêncio dos amantes, as brincadeiras das crianças, as divagações dos solitários e um povo livre sem constrangimentos, ou seja, os pássaros.

Julien Green, Paris. [1983]( Tradução Carlos Vaz Marques) Lisboa: Tinta da China, 2008, p. 105.

Um livro que só agora li por razões várias e porque revisitei Paris nesta época natalícia há uns tempos atrás. Saudades de Paris? Talvez.

Em homenagem a mais uma partida do mundo da música:
(1963-2016)

23/10/2016

Livros, leituras de Outono - Isabel de Aragão

O Outono é melancólico, as árvores despem-se, o chão torna-se dourado, começa o vento e a chuva ainda é miudinha, e... ainda está calor. A paleta de cores encanta, mas o tempo entristece. Foi assim, neste ambiente que encontrei um título, para mim, completamente desconhecido, de Vitorino Nemésio, Isabel de Aragão Rainha Santa. Uma Rainha, uma mulher enigmática, um esboço de um retrato elaborado por Vitorino Nemésio que nos diz: uma interpretação puramente biográfica da Rainha - uma obra de arte. Seja como for não perdemos o pé da História, não inventámos um único personagem ou facto: a nossa invenção é puramente psicológica. Não se pode fazer uma «vida» com as verbas avulsas dos arquivos. (p. 79).

O livro é dedicado 
Afonso Lpoes Vieira,
Vizinho do castelo de Leiria e português velho
- este retrato de Mulher,
Pelo muito que o admiro.



Excerto da p. 70, editado pela Texto em 2011.


25/08/2016

Leituras de Verão... Grass

Sobre a Finitude de Günter Grass
É um livro amargo, lúcido, com o poder de nos fazer sorrir e de nos fazer chorar sem lágrimas.
Uma pérola que se guarda na arca de tesouros, um berlinde que se joga no deserto.

Com o pé no Tejo
NA PEUGADA

Ao longo da orla do mar
venho descalço -
para lá e para cá -
ao meu encontro.

Günter Grass, Sobre a Finitude. (Tradução João Bouza da Costa). Lisboa: D. Quixote, 2016, p. 176

DIÁLOGOS

A espuma branca do mar
num movimento contínuo -
para lá e para cá -
deposita a nudez das memórias.

ana, 22 de Agosto, 2016.


08/08/2016

Dia 8 e infinitas F-E-L-I-C-I-D-A-D-E-S!

Hoje, dia 8 de Agosto abre o novo espaço da Livraria Lumière, 
das minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. 

A abertura está assinalada para as 14 horas, na Rua Formosa, n.º 197 (Porto). 
Desejo-lhes as maiores FELICIDADES! :))

É aqui! Um local fantástico.

Este registo ficou agendado. logo que possa agradecerei as visitas.

A vida dos livros quando ficam sozinhos... sem o seu guardião. :))

05/08/2016

O livro coluna vertebral

Num passeio à livraria de Miguel de Carvalho, com a Graça, conversou-se, viram-se livros e arte. Após essa viagem o Miguel Carvalho presenteou-nos com uma pequena brochura escrita por si, um pequeno ensaio sobre o livro-objecto.
O conceito estético da realização da brochura é bastante original e interessante. A capa é feita de radiografias por isso cada livrinho é um exemplar, per si, personalizado. A mim calhou-me uma coluna vertebral. Tal simbologia assoberbou por completo o meu sentido estético e literário.
A escrita de Miguel Carvalho não é fácil, ou não houvera escolhido Cesariny, mas é escorreita, e de lógica em lógica leva-nos ao propósito a que se propôs, o lugar do livro-objecto da poesia nos nossos dias.

A capa do meu livrinho

Começa com uma citação de Cesariny, na Pena Capital (1957)

«... o livro-objecto não se situa do lado do criador, nem do lado do observador/leitor (muito menos do lado dos marchands). Situa-se a meu entender, do lado da poesia adimensional, no espaço e no tempo de um verbo, entre a sua nascença e a sua ruína, como uma manifestação da resposta à questão cujo eco é o vazio que não o suporta. E a sua ocultação pela sociedade tem como equivalente o silêncio e o desprezo nos quais se encontram mergulhados toda a produção poética autêntica. [...]
Estes objectos poéticos reduzem-se à linguagem que lhes confere o poder que têm de nos impregnar com paisagens interiores e todo o seu interesse reside também e ainda mais além. São objectos inclassificáveis, que não "falam" uma linguagem universal mas comunicam duma forma particular que nada tem a ver com as esculturas e as assemblages tradicionais, suscitando "exaltações recíprocas" duma mise en scéne própria invasora do observador. No domínio do visível, o prazer do olhar, não obedece ao mesmo imperativo que no domínio do legível. A estética não está nos livros-objectos na ordem do logos, isto é, a título de exemplo; a sensação que nos é proporcionada pela contemplação de um quadro ou escultura, não é provocada  pelo respeito duma regra semelhante àquela que rege um escrito. Mas a fusão dos dois sustenta-se de "beleza convulsiva" que tais objectos encerram...»

Para mim esta análise interessa-me como visão da arte: a palavra ou a imagem, qual delas tem mais força? 
Vi um filme interessante que intersecciona as duas perspectivas.
Não há dúvida que na arte da escrita e, em particular da poesia, o aspecto psicológico é muito importante, isto é, o estado de alma, a abertura para, conta muito para a absorção da poesia. O mundo actual é o mundo da imagem, esta mais facilmente conquista o observador.
Não obstante, a palavra e a imagem cruzarem-se em planos e regras diferentes, elas têm a mesma finalidade: apaixonar e embelezar a vida.

Agradeço ao Miguel o livrinho e à Graça e ao Miguel a companhia matinal.

Words and Pictures, foca a questão abordada de uma forma mais leve; é um filme realizado por Fred Schepisi com a participação de Clive Owen e Juliette Binoche

01/08/2016

Leituras

A Europa no século XVI, vista por um judeu provavelmente nascido em Portugal, descendente de judeus espanhóis. Samuel Usque passou a sua vida entre o ensino e o estudo, "e deve ter sido rabino"(p.25)*.  Morreu em Ferrara. 
O tempo avança mas nada muda... ou muda muito ligeiramente. Intolerância, poder, riqueza, economia-mundo, guerras...

Pois, Europa, Europa, (meu inferno na terra), que direi de ti, se de meus membros tens feito a mor parte de teus triunfos? De que te louvarei, viciosa e guerreira Itália? Em ti os famintos liões se cevarom, espedaçando as carnes de meus cordeiros. Viçosos prados franceses, peçonhentas ervas pascerom em vós minhas ovelhas. Soberba áspera e montanhosa Alemanha, em pedaços cairom do cume de teus fragosos Alpes minhas cabras. Ingresas [Inglesas], doces e frias águas, amargas e salobras beberagens bebeu de vós meu gado. Hipócrita, cruel e loba Espanha, rabazes [rapazes] e encarniçados lobos tragarom e inda tragam em ti meu veloso rabanho.

Samuel Usque, in Dial. I, I-II , do livro Consolaçam, as Atribulaçoens de Israel... 

*Prosadores Religiosos do século XVI, Samuel Usque, Fr. Heitor Pinto, Fr, Amador Arrais, Fr. Tomé de Jesus. (Selecção, prefácios e notas  de Alcides Soares e Fernando Campos)  Coimbra: Casa do Castelo, 1950, p. 44.

Este livro veio da livraria Lumière ainda situada na Travessa da Cedofeita.
Um livro para reflectir.

12/07/2016

A partilha...

Sugiro a leitura do livro A Vida Secreta das Árvores, um livro belíssimo sobre a sobrevivência e a vida das árvores. O livro também pode ser lido como uma metáfora da vida. A partilha pressupõe o fim da solidão, a troca de afecto. 
O autor do livro, Peter Wohlleben, é guarda-florestal, apresentador de um programa de televisão e autor de vários livros sobre silvicultura e ecologia. É responsável por orientar no terreno equipas de investigação da Universidade de Aachen.
Agradeço a quem mo deu a conhecer.
Magnólia, Ourém

Retirado da contracapa:

«Acontecem coisas espantosas na floresta: árvores que comunicam entre si (enviando sinais elétricos através de uma rede subterrânea de fungos). Árvores que cuidam não só dos seus rebentos como também dos seus "vizinhos" doentes, velhos ou órfãos.»

***

(...) as árvores compensam entre si forças e fraquezas. Grossos ou finos, todos os exemplares da mesma espécie produzem por folha, com a ajuda da luz, semelhantes quantidades de açúcar. A compensação tem lugar, debaixo da terra, através das raízes. É aqui que aparentemente tem lugar uma troca bem animada. Quem muito tem dá aos outros e quem passa dificuldades recebe assistência.

Peter Wohlleben, A Vida Secreta das Árvores. ( Tradução de João Henriques) Lisboa: Pergaminho, 2016, p. 24.
[Sublinhado meu].


Jardim Botânico, Coimbra da Universidade de Coimbra


Árvore da borracha, Jardim Botânico da U.C.
Raízes, o cérebro da árvore.


Arquivo