16/03/2017

O riso do Astro-Rei

« (…) O riso é o final do racional; o pranto é o uso da razão (…) 
Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso:
 chorar com lágrimas é sinal de dor moderada, 
chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva...»

O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito
Discurso integral do Padre António Vieira, 
em Roma no ano de 1674, a convite da Rainha Cristina da Suécia

Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Padre António Vieira, Alfragide: Casa das Letras, 2010, p. 30.

O riso do Astro-Rei

Nasce a levante o Astro-Rei,
não há ruído senão o som da Natureza,
como o marulhar do mar que não está presente.

Contraste de cores, preto, amarelo - ocre,
paleta quase fauve com traço naturalista 
desenha-se no horizonte visível.

O livro aberto, as páginas escolhidas,
as letras sublinhadas resultam da leitura obrigatória,
esquecimento do sonho risível,
do diálogo entre o choro e o riso.

O choro dos tolos é fácil de brotar,
o riso dos fracos fortalece o pensamento,
constrói uma torre de Babel...
Chorar com riso é sinal que se vive sem viver.



11 comentários:

  1. Já não se vê aqui em Macau há duas semanas.
    Que neura!!!
    Beijinhos

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    1. Compreendo, Pedro.
      Adoro o Sol, não posso passar sem ele e quando se esconde muito tempo partilho da sua neura. :))
      Beijinho.:))

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  2. Por isso, nem rio, nem choro...

    Um beijo e obrigado pelo Vivaldi, sempre bem-vindo.

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    1. João,
      Isso é que é difícil
      Grande Homem.
      Beijinho. :))

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  3. Que coisa bonita é ver e ouvir dois bons pianistas tocando. Vivaldi a quatro mãos. Obrigada.
    Tudo tem sua idade, até as lágrimas.

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  4. Gostei da citação e do seu poema que combinaram perfeitamente
    com este tema de Vivaldi...
    Associações de muito bom gosto.
    Beijinhos, Ana.
    ~~~~~~~~~~

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    1. Majo,
      Muito obrigada pela sua presença atenta.
      Desculpe a minha ausência.
      Beijinho. :))

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  5. Muito interessante a citação. Beijinhos, Ana!

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  6. Luxuosa e inspiradora a fotografia, para lá de tudo.
    Padre António Vieira é uma fonte inesgotável de energia, como um sol, e foi talvez o gatilho para o bonito poema da Ana. Vivaldi? Sim.
    Bj.

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