sabes, pai
o cachecol bege nos muros da foz cobria as árvores com o seu pêlo, ao vento o boné azul, marinheiro nos cabelos louros sussurrava pequenas frases às silentes águas o teu sorriso tão leve, enternecia o rosto esses óculos, teu cabelo nas tardes de sol ou o barco encalhado na areia breve junto ao castelo onde nos passeávamos eu tu a mãe, duas ou três falas e o meu corpo que se chegava a vós junto à estrada nestes muros da foz, abertos ao mar
que voava
Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
(Retirado do Citador)
Ontem no Jardim da Sereia a Myra esteve presente, apesar de ser só em pensamento.
Jardim da Sereia, Coimbra, Festas da Rainha Santa Isabel
envelhecem apenas
os que não olham e não escutam o caminhar de anos se veste de sonhos é a derrota dos pesadelos.
Myra Landau
Obrigada Myra pelo poema que acompanha a derrota dos pesadelos. Já está no lado esquerdo desta janela.
Ontem, nas festas da cidade, ouvi Carlos Gardel e vi o tango dançado divinamente!
Acerca da beleza, num post anterior, Gustav Aschenbach, personagem principal de "A Morte em Veneza" de Thomas Mann, afirmava: «- A criação da beleza e da pureza é um acto espiritual». Alfred, amigo e compositor de Gustav, retorquiu: «- Não, Gustav. Não! A beleza pertence aos sentidos».
No blogue Memórias e Imagens, Margarida Elias transcreveu a noção de beleza do arquitecto Raúl Lino, do qual retirei este pequeno trecho:
« (...) beleza é o próprio sol, e se o queremos fitar, temos de fazer uso de um vidro fumado para que não fiquemos cegos com o deslumbramento dos seus raios. (...) é apenas para nosso uso particular (...); pelo menos, quando nós conhecermos a fórmula absoluta que revela a nudez deslumbrante da ideia de beleza (...) nunca nós publicaríamos o seu retracto; pelo contrário, guardá-lo-íamos no mais recôndito escaninho da casa-forte das nossas emoções (...)». Raúl Lino (1933).
Os dois trechos entrelaçam-se numa noção dicotómica de beleza: a do campo das emoções, dos sentidos, e a intelectual do campo espiritual. Isto é, a particular e a universal; a primeira, pelo que depreendo, segundo Raúl Lino, deve estar resguardada no mais íntimo de nós. O arquitecto previne que o intelecto deve olhar a beleza controlando as emoções provavelmente, para na sua análise não se imiscuir o afecto. Poderá este conceito entrar em comunhão com a filosofia da sua arquitectura inconfundível, o espírito prático conservando a cultura de um povo. Obrigada Margarida por ter atendido ao meu pedido.
«Feche os olhos e veja com a alma, se gostar ... é belo. Ver as vezes atrapalha, as vezes define, como a beleza, ou cega ou desanuvia.» Cozinha dos Vurdóns O comentário da Cozinha dos Vurdóns comunga dos dois sentidos do conceito e alia-se com excelência ao acima transcrito.
Hoje aproveito para focar ainda a beleza da escrita em evocação a Hemingway que nasceu a 21 de Julho de 1899. Conviveu em Paris com pintores de vanguarda: Picasso, Miró, Masson e Gris, grupo que ficou conhecido pela "Geração Perdida". O escritor apreciava arte por isso na minha homenagem dedico-lhe um prémio que ganhei num desafio de Verão: O Ratinho e a pintura de MJ Falcão do blogue O Falcão de Jade. Agradeço os três prémios que ganhei e vou guardar na galeria das minhas fotografias.
MJ Falcão, Portalegre, uma cidade especial para mim
Pintura e fotografia de MJ Falcão
Advice to a son
Never trust a white man, Never kill a Jew, Never sign a contract, Never rent a pew. Don't enlist in armies; Nor marry many wives; Never write for magazines; Never scratch your hives. Always put paper on the seat Don't believe in wars, Keep yourself both clean and neat, Never marry whores. Never pay a blackmailer, Never go to law, Never trust a publisher, Or you'll sleep on straw. All your friends will leave you All your friends will die So lead a clean and wholesome life And join them in the sky.