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27/07/2019

Eternidade (?)

Será que um parafuso agarra a eternidade?



Considero a eternidade celeste como um estado de abstração. Parece-me que se a compreendemos é através da teoria, não dos sentidos. A linguagem teúrgica pretende explicar-nos o que é, o que vale, e ficamos na mesma. Quer dizer, o nosso senso do relativo não pode abarcá-la. No fundo, repugna-nos. Que fechemos os olhos do entendimento... Pois fechemo-los, e vêem-se as almas a flutuar na eternidade como o verbo sobre o caos antes de ter sido criado o mundo. Quer dizer que não se vê nada. Nem sombras... nem sombras de penas ao vento, sequer. Mas eu quero aceitar a ideia de eternidade como sendo o oceano ilimitado em que passam à deriva, ou mesmo seguindo seus cursos, astros, asteróides, seres e coisas, a ciscalhada toda da criação.

Aquilino Ribeiro, Dom Frei BertolameuAs três desgraças teologais. Amadora: Bertrand, 1959, p. 168-69


Uma leitura de Verão que me apraz!

Cortesia do youtube

18/08/2018

Kazuo Ishiguro para a Isabel

Para a Isabel, com o desejo de um dia muito feliz!

Parabéns!

O jardim tem uma aspecto natural, espontâneo; ninguém diria ter sido planeado.

Kazuo Ishiguro, Um Artista do Mundo Flutuante. Lisboa: Gradiva, 2018, p.43.


Este jardim tem mar...
Dizem que: o que não é planeado é melhor, mas no fundo há algo sempre planificado. :))

Claude Monet, Jardim de Sainte-Adresse, 1867, 
The Metropolitan Museum of Art ( nº 67.241)
Garden at Sainte-Adresse, Claude Monet (French, Paris 1840–1926 Giverny), Oil on canvas

Polina, um filme que esteve no Festival de Veneza em 2016, é de  Angelin Preljocaj e  Valérie Müller.

O título em francês é Polina, danser sa vie.

29/07/2018

Moldura de Verão- Leituras de Verão II - Kazuo Ishiguro

Um Verão com um começo nipónico, Ishiguro segue-se a Mishima. Gostei do romance com sabor histórico.

O romancista Kazuo Ishiguro na sua casa, em Londres, logo após o anúncio do Nobel - Alastair Grant / AP Fotografia tirada daqui

 O romancista Kazuo Ishiguro em uma coletiva de imprensa em sua casa, em Londres, logo após o anúncio do Nobel Foto: Alastair Grant / APResultado de imagem para um artista do mundo flutuante

Imagem do livro retirada da net da Wook

A preocupação de um artista é captar a beleza onde quer que a encontre. Mas, por mais hábil que seja, terá sempre muito pouca influência no tipo de questões que falas*. De facto, se a Okada-Shingen é a tal como a descreves, então parece-me que estás equivocada nos seus propósitos. Parece fundar-se em expectativas ingénuas sobre o poder da arte.

Kazuo Ishiguro. Um Artista do Mundo Flutuante. (Trad. Rui Pires Cabral). Lisboa: Gradiva, 2018, p. 207, (1ª ed. em Portugal 2018, título de 1986).

*[poder político/lutar conta a pobreza]


21/07/2018

Moldura de Verão, leituras de Verão -Yiuko Mishima

Leituras de Verão - comecei as leituras de Verão com um livro de contos de Mishima no qual desvenda a alma humana e a dificuldade em lidar com a dor de uma grande perda. É um livro profundo e bonito.

A vida humana é finita mas eu gostaria de viver para sempre”, escreveu Mishima na manhã antes da sua morte, citação retirada do The Guardian. 
Mishima suicidou-se segundo o ritual seppuku, conhecido no ocidente por haraquíri (1970).





La mort… nous affecte plus profondément 
sous le règne pompeux de l’été.
Baudelaire
 Les Paradis Artificiels

"A praia de A., próxima da extremidade sul da península de Izu, ainda está intacta. Lá pode‑se tomar banho. É certo que o fundo do mar é desigual e cheio de calhaus e que as ondas são fortes, mas a água é limpa e a terra entra pelo mar num suave declive, tendo no conjunto excelentes condições para se nadar. Sobretudo por estar afastada, a praia de A. não sofre nem do barulho nem da sujidade das estâncias balneares mais próximas de Tóquio. Fica a duas horas de autocarro de Itō.
(...)
As crianças cansaram‑se do castelo de areia. Desataram a correr para que a água jorrasse das poças à beira das ondas. Acordada do pequeno e tranquilo universo pessoal para o qual tinha resvalado, Yasue correu atrás delas. 
Mas não estavam a fazer nada que fosse perigoso. Tinham medo do bramido das ondas. Havia um pequeno redemoinho para lá da rebentação. Kiyoo e Keiko de mão dada, com água até à cintura e os olhos brilhantes, faziam frente à água, sentindo a areia mexer debaixo dos pés nus. 
— Parece que alguém nos está a puxar — disse Kiyoo à irmã. 
Yasue aproximou‑se deles e proibiu‑os de irem mais longe. Mostrou‑lhes Katsuo, não o deviam deixar sozinho, deviam ir brincar com ele. Mas não lhe prestaram atenção. Estavam de pé, de mãos dadas, felizes, e olhavam‑se sorrindo. Tinham um segredo: a areia que sentiam mexer debaixo dos pés."

Yiuko Mishima, Morte em Pleno Verão. Torres Vedras:Editorial Estampa, dezembro de 2006 p.11 e 12.

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