12/11/2012

Myra Landau, intitulei:  Misto de Alegria e Vida

Obrigada Myra por este presente!

Escuto-me sonhar. 
Escuto-me sonhar. Embalo-me com o som das minhas imagens… Soletra-me em recônditas melodias (…) 
O som duma frase imageada vale tantos gestos! Uma metáfora consola de tantas coisas! 
Escuto-me… São cerimoniais em mim… 
Cortejos… Lantejoulas no meu tédio… Baile de máscaras…Assisto à minha alma com deslumbramento… 
Caleidoscópio de fragmentadas sequências, de (…) 

Pompa das sensações demasiado vividas… 
Leitos régios em castelos desertos, jóias de princesas mortas, por seteiras de castelos, enseadas avistadas; virão sem dúvida as honras e o poderio, para os mais felizes, haverá cortejos nos exílios… […] adormecidas, fios de (…) bordando sedas… 

s.d.
Bernardo Soares

 Livro do Desassossego. Vol.I. Fernando Pessoa. (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Coimbra: Presença, 1990, p 159.

10/11/2012

Felizes?

Felizes?
 Lisboa 2012


"You think you can just steal a man's life and expect there to be no price to pay?
 ... We all make difficult choices in life. The hard thing is to live with them." 


 A citação é  de Rory Jansen personagem do filme The Words, de Brian Klugman. Daqui 

Na idade maior,  Jeremy Irons protagoniza um antigo escritor assumindo um papel de relevo que marca o  final do filme.



Gilson do blogue Imaginário ofereceu-me o Prémio Dardos 2012 juntei ao outro que as minhas amigas ofereceram (visível do lado esquerdo do blogue). 
Agradeço a gentil oferta e partilho com todos os que têm vindo trazer os seus pensamentos. 

07/11/2012

Rising Sun

À procura do sol nascente.
Passado


Presente
Myra Landau, V [ou as nuvens de Orion]

Ah querem uma luz melhor que a do sol!
Ah querem uma luz melhor que a do sol!
Querem campos mais verdes que estes!
Querem flores mais belas que estas que vejo!
A mim este sol, estes campos, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontento,
O que quero é um sol mais sol que o sol,
O que quero é campos mais campos que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores que estas flores —
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
Aquela coisa que está ali estava mais ali que ali está!
Sim, choro às vezes o corpo perfeito que não existe.
Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver,
E o resto são os sonhos dos homens,
A miopia de quem vê pouco,
E o desejo de estar sentado de quem não sabe estar de pé.
Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.
E como a alma é aquilo que não aparece,
A alma mais perfeita é aquela que não apareça nunca —
A alma que está feita com o corpo
O absoluto corpo das coisas,
A existência absolutamente real sem sombras nem erros
A coincidência exacta (e inteira) de uma coisa consigo mesma.
12-4-1919
“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994. p.- 145. [Arquivo Pessoa]


05/11/2012

Febbre da Fieno / destinos - Destino

Febre do Feno é um filme de Laura Luchetti que tive oportunidade de ver no fim de semana passado. Roma serviu de cenário para a narração da história, uma história em que as diferentes personagens estão presas a um destino. 

D-E-S-T-I-N-O serviu de mote para esta postagem.

Salvador Dalí, Destino, desenho para a curta-metragem da Walt Disney, 1946, Coleção privada. 



Boca da Verdade,  cortesia do Google, 
cena do filme

«Febbre da Fieno è una Commedia [?] Sentimentale dove si intrecciano amore e destino.» 


Destino é uma palavra cujo significado não é consensual.
Dependerá de nós?
Será o fator sorte preponderante no destino?
Estará o destino ligado aos nossos progenitores?
?
?









Destino de Salvador Dalí serviu para animação de Walt Disney.
Com a cortesia do Youtube:

03/11/2012

Silêncio de M Butterfly

Silêncio numa noite onde nem a luz aquece é como descrevo o final belíssimo do filme: 
M Butterfly 

Toledo, 2011

M. Butterfly foi realizado por David Cronenberg (1993) e conta com as sublimes interpretações de Jeremy Irons no papel de René Galimard e de John Lone  no de Song Liling. 


René Galimard - There is no destiny, except the one we make for ourselves. 

Citação retirada daqui

01/11/2012

Intemporal


Panteão de Agripa, Roma




Panteão de Agripa:

Intemporal, 
misterioso,
imponente,
interpela-nos num misto de encantamento e espiritualidade.






Um concerto para 
a Maria João, do Olhar do Falcão ( e de Jade), com o meu agradecimento. :)


30/10/2012

Paradoxo









«Onde não há paradoxo não há vida»
Shahar

in  Jerusalém Ida e Volta, de Saul Bellow. Lisboa:
Edições tinta-da-china, 2011, (tradução de Raquel Moura), p. 32.








28/10/2012

A Flor do Caminho

Apesar de frágil a flor desta história é eterna. 
Todos gostaríamos de encontrar a nossa flor.
Sim. Porque todos temos uma flor, umas vezes mais escondida, outra anunciada e atrevida 
e ainda outra resguardada do Sol para não perecer com a sua luz.

Para uma amiga.:)

A fotografia é do livro: Platero e Eu, de Juan Ramón Jimenez, edição dos Livros do Brasil, sem data, p. 22 e 23. Desenhos de Bernardo Marques e tradução de José Bento.

O livro veio via Livraria Lumière pela mão da Cláudia. Obrigada por mo ter feito chegar.:)


Cortesia do youtube: Amos Lee - Flower. Dirigido por kneeon (P) (C) 2011 Blue Note Records.

26/10/2012

"Quand la porte est ouverte"

Toledo, Espanha
Quand la porte est ouverte 

Quand la porte est ouverte
Pour que tu puisse rentrer
Voire tes yeux dans le vert
Ne reste pas en retrait

Avance et puis espère
L'inconnu sans mystère
Peut-être prospère
Ce n'est pas une chimère

Quand ton esprit ouvert
Regarde ton avenir
Tes sens sont à l'envers
Ton bonheur à venir

Tend cette main pour vivre
L'inattendu prospère
Tu ressens bien la fibre
Du charme qui opère

Quand la porte est ouverte
Il faut bien la franchir
Pour prendre cette main offerte
Et puis un jour s'affranchir

Découvre ce nouveau lieu
L'espace que tu partage
Le coeur bien au miieu
Des yeux qui n'ont plus d'âge

Tu apporte une lumière
En rentrant par la porte
Qui éblouie à ta manière
Cet espace qui m'emporte

Quand la porte est ouverte
Il faut savoir un jour
Ouvrir toutes les fenêtres
Pour laisser rentrer l'amour

Tu feras bien de tes rêves
Une histoire pour ta vie
Quand tu feras une trève
Laisse aller tes envies

L'espace que tu occupe
Est suffisant pour deux
Pour voir à quatre yeux
Ton avenir qui se décuple

Quand la porte est ouverte
Ne plus la refermer
Dans tes pensées offertes
Pour un tendre baiser

Michel PRIVAT" ©
Copyright Septembre 2012

24/10/2012

"(grande ternura redonda)"


Odilon Redon, Esqueleto Chifrudo


As árvores sussurram-nos na primavera com a sua fragrância;
no verão com a sua sombra;
no outono com o choro das folhas que caem
e no inverno quando se vestem de branco-festa.

Este foi o meu pensamento ao ler o poema de Juan Ramón Jimenez:

 ÁRVORES HOMENS

Juan Ramón Jimenez, Antologia Poética. Lisboa: Relógio D'Água, 1998, (tradução José Bento) pp. 158-159.

Boa noite a todos!

21/10/2012

"Não voltes a tocar-lhe, pois assim é a rosa!"

Não há nada melhor que a fragrância das rosas!
De Scott Evans, Arranging Pink Roses, 1847

O POEMA

1
Não voltes a tocar-lhe,
pois assim é a rosa!

2
pela raiz arranco o arbusto
cheio ainda do orvalho da alvorada.

Oh que jorro de terra
olorosa e molhada,
que chuva - que cegueira! - de astros
em minha fronte, em meus olhos!

3
Canção minha,
canta, antes de cantar;
dá a quem te olhar antes de ler-te,
tua emoção e tua graça;
evola-te de ti, fresca e fragrante!


Juan Jamón Jimenez, Antologia Poética. Lisboa: Relógio D' Água,1992,  (tradução de José Bento), pp. 97-98.




19/10/2012

"A morte saiu à rua". Homenagem a Manuel António Pina

Perplexa e em estado choque, confesso, foi como recebi a notícia da morte de Manuel António Pina.
Uma morte que saiu à rua  precocemente.

A minha homenagem:

Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.

Manuel António Pina, Livros. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 32.

18/10/2012

"Morria-se aos poucos"

Vivemos tempos de verdadeiro atentado contra a dignidade humana. 

Solidão, fome e a ternura dos amigos, Paris


(...) morria-se aos poucos, sem comer, sem respirar, sem liberdade, sem poder sonhar. 

 Jean-Marie Gustave Le Clézio, A Música da Fome, Dom Quixote, 2009,   (trad. de Isabel St. Aubyn), p. 147.

16/10/2012

Para a Maria João

Para a minha amiga Maria João, do Falcão de Jade, desejo um dia muito feliz.
Parabéns! :)

A inteligência, a generosidade e a alegria com que nos acolhe e pontua a sua vida levou-me a focar as Três Graças de Lucas Cranach, o Velho, que também são do seu agrado.

Lucas Cranach, o Velho, As Três Graças, 1535
Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City, Missouri, USA.


Aglaia [segundo Hesíodo «Esplendorosa»*] simboliza o esplendor, a glória, a inteligência e o poder criativo.
Eufrosine [«Alegre»*] prefigura o prazer (alegria) e a beleza.
Tália, [«Florida»*] representa a comédia e a poesia bucólica (pastoral).

As três Graças eram filhas de Zeus e Hera (ou Eurínome). Os seus encantos eram oferecidos a deuses e  a mortais e consistiam, segundo o arquétipo referido, na alegria, na eloquência, na generosidade e na sabedoria que a minha amiga Maria João possui.
As deusas são representadas a viver no Olimpo e prestam assistência a Vénus (deusa do amor) e a seu filho, Cúpido. Não desempenham um papel central em qualquer dos mitos, mas estão presentes em algumas pinturas, nomeadamente, em cerimónias de casamento e em outras festividades. Neste sentido eram vistas como acompanhantes de Apolo no seu papel de patrono das Artes.
Aparecem referenciadas nas obras dos poetas clássicos: Homero, Ilíada XIV, 263-276; Hesíodo, Teogonia 64-65, 907-911 e Séneca, Sobre os Benefícios I,3.2.

Dados recolhidos no Guia do Apreciador de Pintura, de Marcus Lodwick, Lisboa: Editorial Estampa, 2003, (tradução Marisa Costa) p. 55 e na Wikipédia inglesa.


Eufrosine




Tália

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais; De poeira;

De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga, Diário I. Lisboa: D. Quixote, p. 30. (5 ª edição conjunta)

Aglaia



Gatinhos romanos para a acompanharem na viagem a Roma. 
Postal adquirido naquela cidade

14/10/2012

Canção de Outono


Odilon Redon, Silêncio, 1900,
The Museum of Modern Art, Nova Iorque



38
Canção de Outono

Por um caminho de ouro vão os melros... Aonde?
Por um caminho de ouro vão as rosas... Aonde?
Por u caminho de ouro vou eu... Aonde,
Outono? Aonde, pássaros e flores?


Juan Ramón Jimenez, Antologia Poética. Lisboa: Relógio D'Água, 1992, (tradução e notas de José Bento), p.62.




Obrigada João Menéres pela beleza e por me ter recordado Roma onde ouvi muitas vezes Ave Maria. Interpretação de Kimi Skota

12/10/2012

Chocolate

Pastelaria de Budapeste.
O pecado

Há uns tempos confundi o filme Chocolate (realizado por Lasse Hallström) com A Fantástica Fábrica de Chocolate (realizado por Tim Burton). Tive a oportunidade de rever "Chocolate" e lembrei-me bem da diferença.
Os dois filmes têm em comum:
- O protagonista Johnny Depp, um ator que muito aprecio pela personalidade que incute aos personagens;
- O chocolate, daí a confusão ser legítima. 
Todavia,  do segundo filme citado não guardo especial memória mas do primeiro, guardo: a tolerância, o respeito pela diferença, o vento do Norte que tiveram o condão de me encantar.
Porque adoro chocolate, principalmente, o negro, registo uma viagem ao mundo dos chocolates.



Audrey Hupburn uma das minhas atrizes favoritas afirmou:


Let's face it, a nice creamy chocolate cake does a lot for a lot of people; it does for me. 
(Imagem daqui)

Juliette Binoche no filme

O narrador do filme Chocolate inicia assim a história:

Once upon a time, there was a quiet little village in the French countryside, whose people believed in Tranquilité - Tranquility. If you lived in this village, you understood what was expected of you. You knew your place in the scheme of things. And if you happened to forget, someone would help remind you. In this village, if you saw something you weren't supposed to see, you learned to look the other way. If perchance your hopes had been disappointed, you learned never to ask for more. So through good times and bad, famine and feast, the villagers held fast to their traditions. til, one winter day, a sly wind blew in from theNorth...
Retirei daqui

Quando nos sentimos no deserto o chocolate é terapia!:))



Depois do chocolate vem sempre a culpa...

Detalhe da mesa dos Sete Pecados Capiatais, A Gula, de Hieronymus Bosch, Museu do Prado, Madrid.
A imagem foi retirada do site do museu e o detalhe feito por mim.

10/10/2012

todas as galáxias

Labora
«O teu olhar sustenta o céu imenso

Andas pela casa com passos leves,
pousas as mãos no colo, sorris. E eu
acredito que o mundo te acompanha.
Como eco do que fazes, formam-se
nuvens sobre o mar e cantam pássaros
em países distantes. Sei que é assim.
O teu olhar sustenta o céu imenso,
a luz dos astros, todas as galáxias.»

José Mário Silva

José Mário Silva in A Alma não é pequena, 100 poemas portugueses para SMS. Vila Nova Famalicão: Centro Atlântico, 2009, p. 123.

 Verdi, La Traviata, prelúdio. Homenagem a Verdi que faria hoje anos.

08/10/2012

Duas histórias: uma ficcional outra real

Imagem e citação do livro 
de Marcello Simoni, O Mercador de Livros Malditos. Lisboa:  Clube do Autor, 2012, p. 217.
Estou a terminar a leitura de um livro de mistério e ficção que me está a aliciar sobremaneira. Foca a viagem à procura de um livro de sabedoria divina, na Idade Média: Uter Ventorum, uma cópia de manuscritos persas,  um livro que traz imensos problemas, perseguição e morte.
O protagonista é o mercador Ignazio de Toledo, o enigma para encontrar o livro é o palco da história. 
O livro nas mãos erradas pode ser malicioso, nas mãos certas revela o poder dos anjos.
Sobre o escritor:



Não sei porque relacionei o livro com umas amigas mas aconteceu, talvez pela interpelação delas. Quiçá a chave esteja na sua luta? 
A sua luta resume-se a mover montanhas para encontrar um mundo melhor onde a sabedoria elimina a intolerância e a diferença.
As amigas a que me refiro têm o condão de juntar pessoas na sua Cozinha (dos Vurdóns). Para elas deixo uma informação que tive ao ler o Jornal de Letras, um conto de Sophia de Mello Breyner Andresen.













Não conheço o conto mas a partir do JL  (onde tomei conhecimento)
dedico às minhas Amigas Vurdóns.

06/10/2012

Para a Cláudia!

Para a minha amiga da Livraria Lumière desejo um dia muito feliz. 
Parabéns Cláudia!:)

O girassol está ligado ao símbolo solar por causa da sua configuração. 
Segundo a mitologia grega a jovem Clytia apaixonou-se por Apolo, deus do sol. O seu amor manifestava-se na observação persistente que cruzava o céu à procura do astro-rei. Após nove dias de expectação foi transformada num girassol. 
A semelhança com o sol liga a flor à glória, felicidade, respeito e dignidade. O seu brilho radiante provoca deslumbramento. 

(Dados retirados do Dicionário de Simbologia das Flores).

Vincent Van Gogh, detalhe de uma das telas: "doze girassóis numa jarra", 1889, 
Museu de Arte de Filadélfia



Um girassol do meu vaso de girassóis



05/10/2012

Escadas ou dos dias que correm...

Casa dos Bicos, Fundação Saramago, Lisboa


No último feriado da Implantação da República:

FALA DO VELHO DO RESTELO AO ASTRONAUTA

Aqui, na Terra, a fome continua, 
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

José Saramago, Poemas Possíveis. Lisboa: Caminho, 1998.
O poema todo aqui.


03/10/2012

"los nardos y las rosas"

"Rosas" marítimas, pelo menos como as vejo.

Duermen en mi jardín 
los nardos y las rosas 
las blancas azucenas y mi alma, 
muy triste y persarosa a las flores 
quieren ocultar, su amargo dolor. 

No quiero que las flores sepan, 
los tormentos que me da la vida 
si supiera lo que estoy sufriendo, 
por mis penas, llorarían, también. 

Silencio, que están durmiendo 
los nardos y las azucenas 
no quiero que sepan mi penas, 
porque si me ven llorando, morirán. 

 Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo - Silencio
Com agradecimento a Gilson que me lembrou esta dupla um pouco esquecida.

01/10/2012

Caravaggio, uma retrospetiva

DESPERTAR

É um pássaro, é uma rosa, 
é o mar que me acorda? 
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor. 
Acordar é ser rosa na rosa, 
canto na ave, água no mar

Eugénio de Andrade, Poemas (1945-1965). Lisboa: Portugália, 1966, p. 171




E para louvar o dia da música, Elbow uma banda britânica de rock alternativo.

29/09/2012

Azul, vermelho, amarelo

Aveiro
Post dedicado a Piet de Mondrian que usou excelentemente as cores primárias.

Azul,
vermelho 
e amarelo.


" La composition à la façon de l'apparition naturelle (approche mimétique) devait être quittée pour qu'elle soit une peinture vraiment nouvelle. Un travail continu amenait le groupement à une composition exclusivement basée sur l'équilibre de rapports purs sortant de l'intuition pure par l'union de la sensibilité approfondie et de l'intelligence supérieure. Bien que des rapports se forment dans la nature et dans notre esprit suivant les mêmes lois principales et universelles, de nos jours, l'oeuvre d'art se manifeste d'une autre façon que la nature. Parce que de nos jours, dans l'oeuvre d'art, il faut tâcher d'exprimer seulement ce qui est essentiel de la nature, et, de l'homme, ce qui est universel. "

Piet de Mondrian, retirado daqui

28/09/2012

"Penso che un sogno cosi` non ritorni mai piu"

A sensação que resultou do filme de Woody Allen: Para Roma Com Amor é que tomei  um gelato di cioccolato gostoso.
Saboreei toda a película como se estivesse lá a calcorrear as ruas plenas de flores.

Libretto daqui

Não posso ter a percepção profunda que tem o Manuel Poppe, do blogue Sobre o Risco. Todavia, para além de um passeio que fizera há uns anos a Roma, retornei para viver e conviver com os romanos durante uma temporada breve. Manuel Poppe descreve muito bem a essência do filme, intitulando-o um "Intermezzo". Pelo que me foi dado viver e pelas histórias que recolhi em Roma a sua visão é das melhores que já li.
A cor ocre da cidade, os cheiros por vezes pouco agradáveis, a noite alegre, plena de vida;  o Transtevere tímido e as ruas repletas de pontos de água: fonte da vida marcam sem dúvida uma pessoa. A luz e as sombras são poesia, teatro e encenação constante.

A primeira ópera que conheci, na minha adolescência, foi os Palhaços de Ruggiero Leoncavallo. Apaixonei-me de imediato pela ária Vesti la ggiuba. Depois conheci outras óperas e a eleita passou a ser A Flauta Mágica. No presente há outras tantas que aprecio e me encantam.
Woody Allen não podia deixar de homenagear a ópera que, no filme, ganhou um lugar de destaque através de uma personagem suis generis, um tanto ou quanto felliniana, e mais não digo... Sugiro que vão ver o filme.
Da ópera deixo as duas interpretações que me arrepiam.




A canção Volare é o fio condutor entre as personagens e a cidade e toma um lugar proeminente no final, assumindo forma teatral na Piazza di Spagna.



(...)

Penso che un sogno cosi` non ritorni mai piu`,
mi dipingevo le mani e la faccia di blu.
Poi d'improvviso venivo dal vento rapito,
e incominciavo a volare nel cielo infinito.

Volare, oh oh cantare, oh oh oh oh.
Nel blu degli occhi tuoi blu felice di stare quaggiu`.
E continuo a volare felice piu` in alto del sole
ed ancora piu` su mentre il mondo
pian piano scompare negli occhi tuoi blu
La tua voce e` una musica dolce che suona per me...
(...)

27/09/2012

Música Italiana dos anos 60 II - Bobby Solo

Mais uma canção que se ouvia em casa dos meus pais: Una Lacrima sul viso. 
Bobby Solo (Roberto Satti) estreou-se no Festival de Sanremo com a canção Una Lacrima sul viso. Era conhecido como o Elvis italiano. Roberto Satti nasceu em Roma em 1945.

Bobby Solo daqui

Nunca vi o filme em que a canção é protagonista (1964), apenas sei que foi realizado por Ettore Maria Fizarrote, o mesmo realizador de "Non son degno de ti" (1965).


Letra retirada daqui

Da una lacrima sul viso
Ho capito molte cose
Dopo tanti, tanti mesi ora so
Cosa sono per te

Uno sguardo ed un sorriso
M'han svelato il tuo segreto
Che sei stata innamorata di me
Ed ancora lo sei

Non ho mai capito
Non sapevo che
Che tu, che tu
Tu mi amavi ma
Come me
Non trovavi mai
Il coraggio di dirlo, ma poi...

Quella lacrima sul viso
É un miracolo d'amore
Che si avvera in questo istante per me
E non amo che te

Non ho mai capito
Non sapevo che
Che tu, che tu
Tu mi amavi ma
Come me
Non trovavi mai
Il coraggio di dirlo, ma poi...

Quella lacrima sul viso
È un miracolo d'amore
Che si avvera in questo istante per me
E non amo che te che te che te.

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