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10/01/2016

Regresso (s)

Regresso, em pleno Inverno, ao centro dos Templários, lugar mágico, espiritual, onde o silêncio apazigua apesar da chuva bater ininterruptamente na calçada.
Sem sol, a andorinha acompanha o café com o seu voo eterno, no Paraíso: infinita Primavera.

Café Paraíso, Tomar

Igreja de Santa Maria do Olival, Tomar


Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde".


08/03/2014

Mulher

Às mulheres portugueses que hoje sentem dor 
por haver menos pão para alimentar os filhos.

Tricana, detalhe, Mestre Alves André, Quebra Costas, Coimbra

Aos filhos

Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós roubaremos.

Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?

Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôramos ao menos infames.

Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa?

Manuel António Pina (daqui)

20/12/2012

"Não É o Fim nem o Princípio", neste nosso Portugal

Após as últimas notícias sobre o orçamento e a não surpreendente resposta do Presidente da República (fiscalização do orçamento), das vendas da TAP e da RTP só me resta colocar as palavras de Manuel Pina:


“Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde”.

Manuel António Pina numa entrevista.




Agnolo Bronzino, Detalhe do retrato de Maria di Medici




19/10/2012

"A morte saiu à rua". Homenagem a Manuel António Pina

Perplexa e em estado choque, confesso, foi como recebi a notícia da morte de Manuel António Pina.
Uma morte que saiu à rua  precocemente.

A minha homenagem:

Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.

Manuel António Pina, Livros. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 32.

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