01/12/2015

É possível que todos os livros sejam inúteis...


Leituras e livros  em homenagem ao poeta maior:

80 Anos da morte de Fernando Pessoa, dia  30 de Novembro de 2015

A escultura “Hommage a Pessoa”, de Jean-Michel Folon, foi inaugurada no 120º aniversário de nascimento do poeta, Largo Teatro S. Carlos


É possível que todos os livros sejam inúteis, se lemos para nos esquecermos de nós, para debelarmos a ferida de existir. Se formos previdentes, os livros também nunca nos magoam. Salvem-se de ler Kafka de madrugada, ou Virgínia Woolf se estiverem internados com uma prancreatite. As pesssoas, sim, essas magoam-nos: são uma dádiva mas também agravam a nossa ferida, escarafuncham nela e fazem-na sangrar.


[sublinhado por mim].

João Tordo, O Paraíso Segundo Lars D. Lisboa: Companhia das Letras, 2015, p. 15


Comecei a ler o Paraíso Segundo Lars D. de João Tordo sem ler duas obras que a antecedem: Biografia involuntária dos amantes e Luto de Elias Gro
Talvez fosse importante ter lido os outros livros mas estou a ter um imenso prazer e deleite na leitura deste Paraíso. 
Como primeiro livro que leio não sinto a falta dos outros. A narrativa prende, as palavras tocam-me profundamente porque são cheias de conteúdo. As ideias não são novas mas estão escritas pela primeira vez como súmula categórica.

João Tordo é filho do cantor Fernando Tordo, é licenciado em Filosofia e estudou escrita criativa em Londres e Nova Iorque. Venceu o Prémio Literário José Saramago (2008) com a obra: "Três Vidas".

Vou ler mais livros deste escritor pois estou a gostar da amostra. 





1º de Dezembro - outrora era feriado em nome dos 40 conjurados que restauraram a independência nos idos de 1640.
Recorde-se assim, a data mesmo sem festa. 

28 comentários:

  1. Viva o 1o de Dezembro! Em nome dos 40 e nosso. Em nome de Portugal independente. Afinal somos a nação mais antiga da Europa (ouvi dizer ou li). Em meu nome.

    Ainda não li esse livro. Vai ser a minha próxima leitura, até por estar já comprado. Estou a ler a Biografia Involuntária dos Amantes e já li O Luto de Elias Gro. Gosto deste autor, lê-se bem, tem imaginário qb. Não usa cristais, mas, para já, não creio que os necessite

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    1. Achei graça por dizer que não usa cristais.
      O que é que quererá dizer com isso?
      Será que parte de personagens reais e de vidas que podem ser reais?
      Obrigada pela sua mensagem.:))
      Boa noite. :))

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    2. Queria dizer que existem escritores que escrevem melhor que ele, mas que o imaginário que lhe coube talvez não peça cristais, o vidro basta:)

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  2. Não acho que os livros sejam inúteis. Nem que magoem. E, de certo modo, toda a gente se esquece de si enquanto lê e atenta no que diz o livro. Por isso, ler para esquecer - temporariamente - é uma verdade. Não lemos para perder, mas para pensar noutra coisa durante algum tempo. Porque é necessário não sermos mórbidos. Há também quem leia por não saber fazer outra coisa. Podiam fazer coisa pior:)

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    1. Concordo e por vezes é útil esquecer, nem que seja por momentos.
      Também não acho que sejam inúteis, porém, por vezes podem magoar. Alguns magoam mesmo, por exemplo temas como o holocausto, histórias reais...
      Boa noite.

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  3. O eterno Fernando Pessoa!
    Também nunca ligo ao facto de se o livro é o primeiro ou o segundo...começo por onde quero. Li Biografia Involuntária dos Amantes e gostei e agora estou a ler As Três Vidas... Cheguei a João Tordo por intermédio de uma amiga, cujos conselhos literários são sempre preciosos! Ainda bem que aproveitamos algum do nosso tempo para ler...beijinhos e boas leituras!

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    1. Gracinha,
      Já tinha visto vários títulos de Tordo, e tinha vontade de comprar mas foi a conversa com a nossa amiga que deu o empurrão final.
      Obrigada.
      Beijinhos. :))

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  4. Não sei o que faria sem livros, nem sequer quero imaginar a minha vida dessa forma.
    Quantas vezes dou por mim a assustar-me e a recear amargamente uma era em que a falta de vista me poderá deixar reduzido a um silêncio vazio da palavra escrita. Não quero pensar nisso! Recuso-me!
    Associo-me plenamente à comemoração do 1º de Dezembro, não por chauvinismo, mas porque é uma parte da nossa história, e a história somos nós que a fazemos e dela somos o resultado.
    Uma boa semana
    Manel

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    1. Digo o mesmo Manuel.
      Julgo que se tomarmos os devido cuidados a visão pode ficar cansada mas não nos deixará reduzidos ao silêncio vazio.
      Viva o 1º de Dezembro e que para o ano que vem o possamos gozar.
      Boa semana. :))

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  5. A efeméride (80 anos da morte de Pessoa) passou ao lado das instituições de matriz portuguesa aqui em Macau.
    Beijinhos

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    1. Que pena Pedro.
      Por aqui também não foi muito badalado.
      A SIC focou a efeméride.
      Beijinho. :))

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  6. Que seria da vida sem livros? Um oásis...
    Também não consigo imaginar os meus dias sem eles! Fazem parte de mim!
    A qualquer dia, a qualquer hora, sempre disponíveis!
    Não consegui fazer a homenagem que desejava a F. Pessoa!...:((
    Um beijinho, Ana.:)

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    1. A melhor homenagem a um autor é lê-lo. Relê-lo. Fazê-lo nosso companheiro na vida se o amor for bastante. O resto é conversa.

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    2. A vida sem livros seria uma tristeza.
      Gosto do cheiro, de os passear para poder ler se tiver algum momento disponível.
      Como dia bea,:
      "a melhor homenagem a um autor é lê-lo. Relê-lo. Fazê-lo nosso companheiro na vida se o amor for bastante."
      Gostei desta abordagem/opinião.
      Pode fazê-la em qualquer altura.
      Beijinhos. :))

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    3. Cláudia,
      Ler: como diz bea...

      Beijinhos.:))

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  7. ~~~
    ~ Louvável e interessante homenagem.

    ~~~ Grata pela sugestão de leitura.

    ~~~~~ Beijinhos. ~~~~~~~~~~

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  8. Ana,
    O excerto que escolheu é muito interessante, ideal para uma mesa de bons convivas. E muito haveria a dizer, estou crente.

    Um beijinho :)

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    1. Sim, AC.
      Muito haveria para dizer.
      Um beijinho. :))

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  9. Boa noite, Ana,

    Estou a ler o Luto de Elias Grou, um livro que nos transporta até à alma humana no que tem de mais controverso.
    Gosto de muitos dos escritores desta nova geração. Horizontes abrangentes mas, em quase todos eles a "tentação", mais, a necessidade de entender a alma, alma que escarafuncham sem dó numa descida aos infernos, mas também numa tentativa de encontrar o caminho da salvação.
    O livro é imprescindível na nossa vida. Raramente saio sem levar um comigo. Posso nem sequer ter oportunidade de ler uma página, mas sabê-lo comigo faz-me sentir bem.
    Coisas de quem ama o livro de forma incondicional. Ah, mas tem que ser em suporte papel! Nada de tablets e quejandos. :(
    Beijinho, Ana.

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    1. GL,
      Também concordo, não há nada como o papel. Detesto os tablets e quejandos...:))
      Nas férias levo sempre muitos livros mas às vezes o cansaço das andanças faz ler menos.
      Beijinhos. :))

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  10. Ando numa fase em que não disponho de tempo para ler tranquilamente, Ana.
    E do João Tordo não conheço nada, mas vou tentar não me esquecer de comprar mal possa ir à Bertrand.

    Um beijo amigo.

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  11. Alguns livros são inúteis, claro, para cotrabalançar aqueles que nos dão tudo! Gasta-se inutilmente muito papel, mas VIVAM OS LIVROS!
    Um beijo e bom fim de semana

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