26/11/2015

O dia declina

Há muito tempo que ando para partilhar um livro de poesia escrito por uma amiga. Tive o feliz acaso de transportar para o lançamento do livro duas pessoas que lhe eram muito queridas. É uma Mulher com M grande, tomou o caminho e foi "para além da curva da estrada" como o belo poema de Alberto Caeiro. Equacionou a sua existência e para ser coerente consigo própria teve que fazer escolhas muito difíceis. É destemida, mas não sem temor, decidida, mas não sem dúvidas, forte, mas não sem fragilidades, ela avança hoje, devagar, devagarinho, amanhã, mais depressa, mas neste corre-corre do dia-a-dia publicou o seu primeiro livro de poesia: um objectivo que tinha na vida.
Parabéns Gracinha!



O dia declina

O dia declina
A selva escurece pouco a pouco
Os contornos das árvores
Assemelham-se a monstros
Os gritos selvagens dos bichos
Ecoam por toda a parte
Luta-se pela sobrevivência
e no fundo do coração da terra
Abre-se uma caverna inimaginável
Onde reina o silêncio
Vem de lá o mistério insondável
Que nos sústém o alento
A sorte é haver nevoeiro
No meio dos bichos
A ponte interminável para chegar à caverna
É a imaginação.

Graça Alves, Cores do Silêncio. Coimbra: Palimage, 2015, p. 57.




29 comentários:

  1. Despertaste a minha curiosidade, Ana !
    Logo que possa, vou à Bertrand...

    Um beijo grato ( que 5ª feira, durante o dia, não vou ter tempo ).

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  2. Gostei da divulgação, sou fã incondicional do Rodrigo Leão.
    Bjs

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    1. Também sou, Pedro.
      Se recebe o Diário de Coimbra, a Graça publica de vez quando alguns poemas no jornal.
      Beijinho.:))

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  3. Qualquer coisa de português telúrico ondeia na música de Rodrigo Leão. Qualquer coisa muito nossa que a faz o mais bonito do post. Sem hiato entre a voz e ela. Uma seda.

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  4. Parabéns à Graça Alves pelo poema. Afigura-se-me promissor e um belo início para a concretização do seu sonho.
    Rodrigo Leão é um dos meus eleitos, logo...:)

    Beijinho, Ana.

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    1. Obrigada, GL.
      Ela bem precisa de vencer.
      Beijinho. :))

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Belo poema. Gostei muito da fotografia também. Beijinhos, Ana!

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  7. ~ ~ ~
    ~~ Parabéns à talentosa Graça Alves.

    Gosto da sua poesia coerente e deliciosamente imagética.

    ~~~ Lindo 'post', Ana.~~~

    ~~~~~~ Beijinho. ~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Obrigada, Majo.
      Ela vai ficar contente.
      Beijinho. :))

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  8. Todos somos poetas

    alguns ousam escrever
    Bj

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    1. Julgo que os portugueses têm todos um pouco de poetas.
      Bjs. :))

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  9. Gostei muito do poema da sua amiga Graça, Ana, tal como gostei da descrição sucinta que fez da matéria de que ela é feita, ou seja, do que implicitamente a faz mover. Espero que publique mais coisas, o que li deixou-me água na boca.

    Um beijinho :)

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  10. Obrigada, AC.
    Sim, voltarei a colocar.
    Um beijinho.:))

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  11. Oh, Ana!
    Estou sem palavras! Só tu para ma fazeres esta surpresa boa!
    Muito obrigado a todos!
    Um infinito obrigado para ti, a menina do "chocolate quente!
    Beijinhos e mais um poema sem pretensões;

    eu sei que tu existes
    embora vivas oculto
    nas correntes macias e confortáveis
    do veludo diário das manhãs
    que te vestem
    eu sei que tu existes
    porque vejo o teu olhar livre como o vento
    a devorar horizontes de luz
    e a transportar paraísos platónicos
    que colheste nos sonhos da noite
    brincas às escondidas
    fora de ti mas eu vejo-te
    porque não sou lúcida
    e a minha demência
    vê para além dos meus olhos
    quando deixares de te esconder
    no silêncio da tua voz
    renascerás
    e verás de novo reinventar-se
    o dia da primavera eterna

    Graça Alves

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    1. Tão bonito Graça. :))
      Obrigada. :))
      Não te esqueceste do chocolate, um gesto tão pequenino.
      Beijinho.:))

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    2. Por inteiro se dizem as coisas, por inteiro as queremos alcançar...
      Obrigado pela partilha, Graça.

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    3. Obrigado AC! Bem-haja!

      http://poesiaassim.blogspot.pt/

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    4. Jamais me esquecerei do chocolate, Ana!
      Como esquecer? Tiveste o dom de me adoçar as lágrimas que eram tristes e agora, por vezes, fazes-me chorar de alegria.
      Beijinhos

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    5. Ainda, bem Graça. :))
      Beijinho e vou espreitar as "Cores do Silêncio".

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  12. A ponte, a caverna, a imaginação!
    A caverna vai sendo habitada
    paulatinamente pela imaginação
    da poeta que nos vai dando pistas
    de leitura muito interessantes que
    se adensamento no segundo poema
    (no comentário.
    A Ana não será ponte?
    Gostei da poesia e da apresentação.

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    1. Agostinho,
      Aqui talvez tenha sido.
      A poesia da Graça tocou-me bem como a sua vida e as suas escolhas.
      Se puder visite-a. Acho que vai gostar.
      Bom Domingo. :))

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