07/11/2014

Bach, uma estrela no céu

Azulejo português
Bach começou a improvisar prelúdios brevíssimos, que acabavam logo depois de começar, sendo outra vez repreendido pelo Consistório, se leio estas pequenas acusações e defesas, perdidas entre arquivos, com os meus olhos do século XXI, vejo surgirem dessa página, inteiras, Arnstadt e Lübeck, o Consistório e o organista, os tubos de órgão na igreja e as partituras manuscritas, os gestos irascíveis e as paixões contidas, tudo quanto aconteceu e se perdeu nesses dias do início de 1706, vivo e doloroso outra vez, num livro entre as minhas mãos.
Não se pode ressuscitar o passado, mas pode-se escrever sobre o passado, no presente; e misturar os tempos.
(...)
E vou na rua, com o leitor de mp3 no bolso, auscultadores encaixados nas orelhas. Ouço uma cantata de 1724, BWV 8. Vou, e ouço trezentos anos depois as vozes. Cantam: Liebster Gott, wenn werd ich sterben? 

Esther Meynell, 1925, BWV 8, [Esther Meynell, The Little Chronicle of Magdalena Bach, 1925]

Pedro Eiras, Bach. Lisboa: Assírio e Alvim, 2014,  p. 28 e 29.

Pedro Eiras é professor de Literatura Portguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Estou a gostar bastante do livro.


18 comentários:

  1. Gosto muito da Bach, ana.
    Beijinhos e votos de bfds

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    1. Obrigada, Pedro,
      Bom fim de semana, também.
      Beijinho. :))

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  2. Gosto do azulejo com a estrela. Onde o encontrou? Há um conjunto lindíssimo no Palácio das Necessidades, mais precisamente na cozinha. Beijinhos!

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    1. Margarida,
      Encontrei este azulejo num prédio próximo da Escola Superior de Arquitectura em Lisboa.
      A parede até ao cimo da porta estava com uma painel de estrelas com uma bordadura. Um dia destes coloco-o.
      Beijinho. :))

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  3. A Cantata é linda! Como sempre, suave... Belo azulejo também. Um beijo amigo e uma estrela daqui...

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  4. Bach no céu por fazer a música maravilhosa que tem elevado gerações por todo o mundo.
    Quanto ao livro ainda não li mas tive o gosto de ouvir o Luís Caetano a fazer a sua apresentação com a presença do autor. O trecho lido pelo Pedro Eiras é fantástico.
    Bom fds, Ana.

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    1. Bach ... ter feito...
      Apresentação em programa da Antena 2.

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    2. Obrigada, Agostinho.
      Ainda não tive o prazer de conhecer o autor mas estou a gostar do livro e como adoro Bach, estou a deliciar-me.
      Bom fim-de-semana!:))

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    3. Tenho pena de não ter ouvido a apresentação na Antena 2.:))
      Boa noite!

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  5. Ana, o livro deve ser interessante. É biográfico ou ficção?
    Bonito o azulejo e boa escolha musical.

    Um beijinho.:))

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    1. Cláudia,
      É baseado em 14 retratos de pessoas onde Bach está presente.

      "cada capítulo parte de uma obra de Bach específica, mas também de uma pessoa real: um organista, um filósofo, uma mulher enviada para um campo de concentração... Parte dos modos como outras pessoas ouviram Bach, do que esta música significou para elas. São 14 retratos imaginários do compositor, às vezes contraditórios.

      Ler mais: http://visao.sapo.pt/pedro-eiras-a-impossibilidade-de-bach=f797174#ixzz3IWou86cr"

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  6. Tudo excelente

    Já vi belas estrelas no chão da azinhaga

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    1. :))
      Então o céu desceu à terra. Muito bonito.
      Obrigada.

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  7. Gosto imenso de ouvir Bach... leveza, harmonia, paz... só o que me ocorre, quando ouço as suas obras, apesar de não entender muito de música clássica...
    Excelente imagem para o desafio!
    Beijinhos
    Ana

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