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04/05/2015

O horizonte e o mar, diálogo entre Modiano e Neruda

Pela primeira vez, acudia-lhe à ideia uma palavra: futuro, e outra palavra: horizonte. Naquelas noites, as ruas desertas e silenciosas do bairro eram linhas de fuga que, todas elas, conduziam ao futuro e ao HORIZONTE.

Patrick Modiano, O Horizonte, Porto: Porto Editora, 2011, p. 54.


Modiano vagueia na cidade, entre edifícios de betão, em ruas e encruzilhadas, numa atmosfera de regresso ao passado, As memórias revelam sempre a solidão, os passeios sem rumo, à procura do horizonte. Pablo Neruda faz o mesmo trajecto, porém, nele, o mar é a substância maior. Quando não temos o mar, a cidade pode preencher esse espaço mas o horizonte fica sempre mais longe.


El mar

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé si aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,
incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frío del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra en lo profundo,
substituyó el recinto en que crecían
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento


Pablo Neruda
Homenagem a Maya Plisetskaya que o dia 2 de Maio deixou o nosso horizonte.


Com 61 anos dançava assim:

13/01/2015

Afectos que (en)cantam a alma

CANTOR DA ALMA

Chamou-me cantor da alma
Por ser poeta
Por cantar e contar
O que o outro chora
E sente

Que razão terei
Que não esta natureza
Que me embala
E nos envolve?

E chamou-me poeta...

Odete  Semedo

Odete Costa Semedo, Entre o Ser e o Amar. Odete Semedo e INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, República da Guiné-Bissau, 1996, p.43. Edição bilingue em português e kriol, 
Livros fac-similados do Público.

Diálogos: poesia e prosa, um tudo nada que faz percorrer o pensamento. Por vezes recebemos tanto e damos tão pouco. Obrigada. 

Myra Landau, Jarro vermelho [intitulado por mim]                 
    
Nesta vida que se nos afigura por vezes como um vasto terreno deserto sem marcos de informação, no meio de  linhas de fuga e dos horizontes perdidos, gostaríamos de encontrar pontos de referência, de estabelecer uma espécie de cadastro para iludir a impressão de navegar ao acaso. Então, tecemos laços, procuramos tornar mais estáveis encontros ocasionais. Calei-me de olhos fixos na pilha das revistas. No meio da mesa de centro, um grande cinzeiro amarelo que continha a inscrição: Cinzano.   (...) urgia descobrir um sentido para tudo isto.

Patrick Modiano, No Café da Juventude Perdida. Lisboa: Asa, 2014 (2ª edição), p. 36


07/01/2015

O poder dos livros...

Comecei a ler o livro: No Café da Juventude Perdida de Patrick Modiano. Dá vontade de encontrar um café assim...
Causa, no entanto, alguma nostalgia juntamente com o Inverno. Apetece dizer: Carpe Diem, pega na mochila e parte.
Janelas de Paris


O ano começa no mês de Outubro. É o início das aulas e julgo ser a estação dos projectos. Portanto, se Louki entrou no Condé pela primeira vez em Outubro, foi por ter rompido com uma parte da sua vida  e querer COMEÇAR DE NOVO, como se lê nos romances.

Patrick Modiano, No Café da Juventude Perdida. Lisboa: Asa, 2014 (2ª edição), p. 17.




Três vozes incontornáveis

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