22/08/2016

Cubo de Rubik                                                                                          Solar de Serrade, Monção


Como um cubo de Rubik
desdobro o pensamento,
as cores misturam-se numa multiplicidade
de vida confusa: o caos.

A ratio procura de novo a ordem
Arrumando cor, a cor, os quadrados iguais entre si.
Lucidez?
Sempre ela à procura de criar o axioma

que dê sentido ao universo,
o descreva,
o articule com o interior
acabando com o abismo

entre o que o homem sente e faz
entre o que quer e o que espera
entre o que o tempo lhe reserva
e o que a acção cria.

A mão… afaga devagar o cubo, vira-o,
revira-o, vira-o, revira-o, vãmente…
as cores não se iterseccionam,
ausentam-se do equilíbrio.

O arco-íris teima em não surgir
estável no céu com nuvens de algodão.
A acção é trocada pelo impasse
do tempo que tudo resolve, ou nada…

12-08-16


14 comentários:

  1. No caos que é a vida, é preciso procurar dias com sentido.

    Li e reli o teu poema...gostei! E gostei da foto!

    Um beijinho e uma boa semana:)

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    1. É Isabel, é isso mesmo.
      Temos encontrar a razão, o sentido, ou procurá-lo. :))
      Obrigada.
      Beijinho e boa semana para ti.:))

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  2. O post é sublime, ana.
    Nas palavras e na melodia.
    Beijinhos, boa semana

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    1. Obrigada, Pedro.
      Beijinhos, boa semana para si. :))

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    1. Obrigada, Margarida.
      Beijinhos, boa semana.:))

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  4. O tempo esse grande escultor, navega de forma serena nas palavras deste belo poema, meditando, na passagem das horas, sobre o caminho a seguir.

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    1. O tempo multifacetado à procura do sentido. :))
      Obrigada.
      Boa semana. :))

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  5. Ana, gostei do teu poema e da tua música!

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  6. Na fotografia a claridade dum momento onde, num lapso de tempo, a ordem parece harmonia. Mas, se lhe dermos espaço, de repente, o turbilhão inrrompe num desconcerto selvagem de ideias e cores a exigir mais cliques. Mais instantes.
    A nossa geometria redonda passa pelo cubo.
    Gostei, Ana. Como sempre há um fio intacto. Manuseado com tacto.
    Obrigado. Vou dar uma volta ao cubo e, amanhã, digo.
    Bj.

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  7. Um poema belíssimo, Ana, maravilhoso!
    A cortina também a tentar lobrigar o além, o que interior não alberga...
    beijinhos

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