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08/12/2014

A Imaculada e a coroa

Após um comentário de um anónimo, que acabei por tirar devido à descortesia do mesmo, aqui fica alguma explicação/introdução com os títulos a bold.

O rei e a padroeira de Portugal
D. João IV coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Trecho de um sermão sobre a Imaculada Conceição e a Universidade de Coimbra.

Na Historia Seráfica Chronologica da Ordem de S. Francisco na Província de Portugal, Fr. Fernando da Soledade dá conta do muito que “trabalharão e conseguirão [os filhos de S. Francisco] em applauso da Conceyção puríssima da Senhora”, de modo que, como diz, “não houve Bispado, Cabido ou Congregação aonde os nossos Frades não procurassem que se fizesse à Mãy de Deus semelhante obsequio” (p. 619). Nessa sequência, “intentarão mover a el Rey D. João IV que era devotíssimo deste Santo mysterio, a que o jurasse e fizesse jurar pellos Estados do Reyno. E para disporem melhor esta notável empreza, diligenciarão com o próprio Monarca ordenasse à universidade de Coimbra não desse grão a sugeyto algum sem o tal juramento". 
Prof. Doutor Fernando Taveira da Fonseca, A Imaculada Conceição e a Universidade de Coimbra Link

Francisco de Zurbarán, Imaculada Conceição, 1630-1635 
Museu do Prado Madrid

Um sermão onde se verifica a devoção pela futura padroeira.
(...), Verdade, mansidão e justiça vos hão de levar adiante, Vossas armas serão victoriosas, e vosso Reyno eterno. Que tudo vos está prometendo a soberana Raynha do Ceo, ó mãy de Deos com a assistência que faz a vossa mão direita, que se com essa mão aveis de mover a espada, que esta divina Senhora ajudarvo la a mover. Seja assi, Senhora, seja assi, e eu vos prometo em nome de todo este Reyno, que elle agradecido levante hum tropheo a Vossa Imaculada Conceição, que vencendo os séculos, seja eterno monumento da Restauração de Portugal.
 In BNP- Digital - do seguinte Sermão:



05/05/2012

"As Suplicantes", Ésquilo revisitado

Ontem fui ver a peça: As Suplicantes, de Ésquilo, realizada pelo grupo de teatro Thíasos, do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 
A peça estreou no Museu Machado de Castro. 
Entre o  público havia muitos jovens, deu-me imenso prazer saber que se preserva o gosto pelo teatro clássico.  

Elenco: José Ribeiro Ferreira (Dânao), Rodolfo Lopes (Pelasgo), Pedro Sobral (Arauto), Ana Seiça, Andrea Seiça, Carla Coimbra, Cátia Gouveia, Carina Fernandes, Cláudia Sousa, Daniela Pereira, Elisabete Cação, Iolanda Mendes, Marta Bizarro, Margarida Cardoso, Tânia Mendes (Suplicantes)

"Apresentadas pela primeira vez em data insegura, mas por certo na década de 60 do século V a.C., As Suplicantes são a primeira de três tragédias que Ésquilo dedicou à saga das Danaides, trilogia da qual fariam parte os dramas perdidos Egípcios e Danaides. As cinquenta filhas de Dânao, posto que as desejam para casar os cinquenta primos, filhos de Egito, fogem do Nilo onde habitam para pedir asilo político e religioso em Argos. Perante o rei dessa terra, portanto, suplicam por proteção, apresentando como argumento maior a descendência de ambos de uma mesma mulher, Io, num passado mitológico ainda mais remoto. Chegadas à Grécia por mar, estas mulheres são o paradigma antigo de um grupo de exiladas – auto-exiladas, no seu caso – que reclama a proteção de outro povo, de outra cultura. A viagem é um motivo marcante em toda a peça, porquanto as Danaides estão ainda em trânsito entre dois países, entre duas nações. Recusam uma pátria que era a sua, de cuja linhagem real eram descendentes, e advogam a ancestralidade da sua origem grega para aí serem recebidas e protegidas dos primos que as perseguem, prometendo, mais do que um casamento nobre, a violência de umas bodas que lhes retirará os privilégios da sua nobreza e a autonomia de decisão. Estão em causa, como é natural, diversos condicionalismos políticos. Mas o drama destas mulheres – que, nas peças seguintes, seriam as assassinas dos primos, por ordem do pai – é facilmente identificável com o de tantas outras mulheres que, na linha do tempo que no essencial não muda, fogem a qualquer espécie de violência que lhes é imposta. Bárbaras, chegam a uma terra que dizem ser a sua, mas quem as vê não consegue identificá-las como gregas. Apátridas, apavoradas pela hoste masculina de inimigos que sabe vir no seu encalce, este grupo procura nos altares dos deuses da nova cidade um refúgio que grego algum pode recusar. E os primos, “falcões no encalce das pombas de semelhante plumagem”, chegam ávidos de sangue e vingança. No ar fica, para Gregos e Egípcios, a promessa de uma guerra pela posse das jovens. O sangue derramado, no campo de batalha e nos leitos nupciais nos quais havia de consumar-se o himeneu, fica desde cedo tragicamente indiciado". 
  Carlos Jesus, tradutor

Do espectáculo destaco a frase que era qualquer coisa como:

Demora um certo tempo para se apreciar um estranho!

02/01/2012

A Torre

Abro este ano com a Torre da Universidade de Coimbra. Um local muito especial para mim. Tenho revisitado muitas vezes este Paço das Escolas.
Não sei se este ano novo poderei vir ao blogue com regularidade. Sei de antemão que vou ter saudades de quem me tem acompanhado. Sei que terei o impulso de escrever alguma nota, colocar algum poema, música, arte ou algo que me toque para partilhar com todos. Mas esta torre com história, que podem ver no link assinalado, vai ter que organizar o meu tempo. Assim, o primeiro foco de intenções para este ano é que as horas se tornem mais organizadas.




Em especial para o Pedro, "o bar do Direito", um pouco renovado.




A Torre é uma peça maior do xadrez por ganhar importância estratégica, principalmente na fase final do jogo. O desenho abaixo retrata ao que parece a primeira torre do jogo de xadrez.



Desenho retirado de um relevo egípcio - Hittite Chariot







«Uma das lendas que acompanham a criação do jogo conta que o brâmane Sissa criou o chaturanga, predecessor mais antigo do xadrez, tomando por base as figuras do exército indiano e incluiu a Biga, um carro de guerra movido por cavalos muito comum na época*. O movimento desta peça era idêntico ao da atual torre, o seu nome em sânscrito era Ratha. De acordo com relatos gregos, esta era a composição do exército indiano desde o Séc. IV a.C.»

Ler mais aqui wikipédia , *Lasker (1999), pp.29, 30.

A segunda intenção é fazer um retiro e cavalgar para vencer o jogo em que se torna a nossa vida. A terceira que todos estejam presentes mesmo na minha ausência.

Recebi um livro no Natal, para juntar à coleção de mini-livros, do qual transcrevo:
(...) dêem-me um amigo, no meu retiro, a quem possa murmurar: A solidão é doce!


William Cowper (1731-1800) in Um Amigo, Helen Exley, Editorial Estampa

24/09/2011

inteira

Aprendi com as Primaveras
a me deixar cortar
para poder voltar sempre inteira.

Cecília Meireles


Obrigada por este presente, Cozinha dos Vurdóns, foi tão bonito reler depois da noite passada entre investigadores e cientistas que comemoraram Noite Europeia dos Investigadores, 2001 - 23 de Setembro. Um encontro em que se falou de ciência, religião e filosofia. Talvez um dia me sinta inteira!



Desenho não identificado de Rómulo de Carvalho no Centro de Ciência Viva do Departamento de Física da Universidade de Coimbra.

Arquivo