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17/10/2015

Solidão no dia da erradicação da pobreza

Em Portalegre os idosos e as crianças associaram-se na Praça da República para levantar a voz sobre a erradicação da pobreza. Foram entrevistados vários idosos que vivem no limiar da pobreza ou mesmo em pobreza, com o dinheiro contado e com a ajuda da Misericórdia. É este o país em que vivemos, é caso para dizer que este país não é para velhos nem para jovens, para quem é afinal?
Para uma população activa, que desconta os seus impostos a pensar nos mais velhos e no futuro mas ... sem futuro? 

Na Gulbenkian este Senhor mereceu o meu olhar. 
Partilha o que tem e na sua solidão há apenas a harmonia com a Natureza que o rodeia.


O Dia Internacional da Erradicação da Pobreza celebra-se dia 17 de Outubro.

Piano Casta Diva Ária de Norma de Bellini

22/09/2014

Under the Greenwood Tree

Comecei a ler o livro Under the Greenwood Tree que me foi gentilmente oferecido: obrigada. Caiu do céu e fez-me recordar como estou esquecida desta língua tão bonita. A minha mente procurou os locais que recentemente visitei em Sintra. Não pude deixar de pensar:
O destino é tecido por nós mas a casa onde se nasce é importante para o decidir. 

To DEWLLERS in a wood almost every species of tree has its voice as well as is feature. At the passing of the breeze the fir-trees sob and moan no less distinctly than they rock;  the holly whistles as it battles with itself; the ash hisses amid its quiverings; the beech  rustles while its flat bough rise and fall. And winter, which modifies the note of such trees as shed their leaves, does not destroy its individuallity.

Thomas Hardy, Under the Greenwood Tree. Herfordshire: Wordsworth Editions, 1994, p. 3.

Monsanto

imagens de Thomas Hardy e do livro retiradas da Wikipedia


Vi o filme da BBC baseado no livro para mais facilmente me embrenhar nele.


Nunca feri uma árvore para desenhar um coração... acho que é uma acção mais masculina.

10/07/2014

Desordem no jardim

Desordem no jardim



A desordem também tem cor e arte: 
é fruto da queda... quando acordamos do sonho.

A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. «A. de C. (?) ou L. do D. (ou outra coisa qualquer)» 

A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual da emoção, distinta da vida, que é a expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve. 

s.d.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego. Vol.II.  (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1990, p. 500.

 

17/11/2012

A pujança do Outono

A pujança do Outono. 
A paleta é triunfante: o sol atravessa obliquamente o jardim e faz reviver as cores. A sintonia entre a luz e a sombra é convidativa à contemplação. 
Ouve-se a brisa suave e a folha que cai lentamente num bailado perfeito. A paisagem apela à quietude, à ordem e à harmonia.
A beleza majestosa do jardim barroco torna distante o barulho da cidade, o frenesim diário e pára os ponteiros do relógio que chamam para as orações profanas.

Jardim Botânico da Universidade de Coimbra








«Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.»
José  Saramago na contracapa do Provavelmente Alegria.


Bom dia!

21/03/2011

Do Jardim Japonês e ainda o chá

O Jardim Japonês da Quinta das Lágrimas, foi, como já disse, criado pela arquitecta paisagista Doutora Cristina Castel Branco que esteve em Tóquio a fazer uma especialização. Não é de grandes dimensões mas foi criado para receber o povo nipónico que visita Coimbra. As cores das paredes representam as cores de Kyoto. Para ultrapassar alguns problemas que a arquitectura do palácio colocava, a arquitecta utilizou a madeira, pintou as paredes, criou a assimetria que os jardins japoneses requerem fechando uma das janelas com um estore. As colunas foram tapadas e os tubos que transportam a água da chuva foram pintados como se de bambu se tratassem. A Quinta das Lágrimas tem um local no jardim onde foram plantados bambus no século XIX.



Uma sakura ainda sem flor.






Cada pedra e respectiva posição contam uma história e um significado que não sei explicar.




Acer e uma lanterna



O Jardim Japonês requer muito tempo para ser elaborado e muita atenção na sua manutenção. Os elementos que o caracterizam são: a vegetação, as árvores, as flores, a água e as pedras. A distribuição destas não é arbitrária, todas têm um significado, uma simbologia. O jardim retrata a representação do Universo. No entanto há um pormenor que me retém: as ondas do mar imenso que faz parte do quotidiano japonês, o mar que dá e tira, como se pôde ver com a tragédia provocada com o sismo. As ondas são desenhadas no chão e todos os dias podem mudar. A distribuição da água, do musgo, das árvores e das flores é calculada e orientada para que a beleza da natureza seja exaltada. Porém há jardins que são apenas desenhados com pedra, utilizados essencialmente nos templos.



No jardim da Quinta das Lágrimas, onde se respira paz e tranquilidade, qualquer pessoa pode beber um chá japonês. A descrição que se segue da "Arte do Chá" foi realizada excepcionalmente pela Professora Ayano Shinzato.

Sentados no chão, antes de beber o chá, a anfitriã oferece um papel de arroz com o desenho de uma sakura a cada um e coloca o bolo Castella, pão de ló, levado pelos portugueses para o Japão, no século XVI. O bolo deve ser cortado em quatro quadradinhos e comido. Habitualmente, antes de beber o chá come-se um doce ou bolo.

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Pão de Ló do Japão, Castella, feito em Portugal por Paulo Duarte.







Após a degustação do bolo é que a taça do chá é entregue.




O chá foi cuidadosamente preparado com pó de chá verde, matcha, e elaborado com um conjunto de gestos e de regras que atribuem àquele momento um acto simbólico de meditação. Depois de deitar o pó, é cuidadosamente mexido, com um determinado número de voltas.





A Professora Ayano deu a taça do chá aos convidados, rodando a taça três vezes de modo ao desenho mais importante ficar voltado para o convidado. Este recebe a taça e tem que executar os mesmos movimentos e beber o chá com o desenho virado para o anfitrião tudo seguido com um conjunto de códigos e acenos de cabeça. Na pequena taça vem o chá verde, cor mesmo verde, sem açúcar e deve beber-se em três goladas, uma, duas e a terceira deve-se absorver (com ruído) todo o chá. O ritual deve ser feito em silêncio, seguindo-se depois uma palestra ou conversa e meditação a olhar o jardim pleno de simbologia.



Sobre o chá ver em Homeopatas descalços uma excelente explicação.

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