19/05/2011

"Querer ser feliz" - Reflexões à Janela II

Abel Manta(1888-1982), José Régio



Colecção particular


Janela do quartel do Carmo, Lisboa





A felicidade é um tema que me interessa.
Saber: onde é que ela mora? O que é? Como atingi-la? São questões intemporais do campo da filosofia e da literatura. A reflexão, neste caso particular, vem do campo literário e, pelo que li, José Régio tem muito de fiilósofo. Assim, começo esta viagem com uma sugestão de Manuel Poppe do blog Sobre o Risco.


Reprodução do desenho de José Régio (capa do livro retirado site da Babel)


Coimbra, 6 de Fevereiro de 1923

- Querer ser feliz é ajuntar probabilidades de desgraça. Resigna-te a ser infeliz, e serás mais feliz que podes ser.
- Por que te ris? Nós só rimos do que não compreendemos.(p. 27)



Continuo, como sempre, a considerar o Amor e a Bondade as duas mais belas forças da Vida, que, de resto, quem diz Amor diz Bondade. Mas não este Amor e esta Bondade que não passam de Literatura, e que tanto se decanta em verso e prosa para tanto se menosprezar nos mínimos actos do nosso dia-a-dia. O que eu quereria,e vós quereis, seria a Bondade e o Amor realizados. Até aqui , estou de acordo convosco. Mas já estou em desacordo sentindo um abismo entre o que sou e o que aspiro ser entre o que os outros são e o que eu desejaria que eles fossem.(p.29)


José Régio, Páginas do Diário Íntimo, Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda,2004 (2ª ed), p. 27 e 29.


Confesso que não quero compreender esta ideia tão sensata e a resignação dela.



14 comentários:

  1. Uma maneira estranha de ver a felicidade. Resignação e conformismo para mim não podem ser felicidade, mas tenho a consciência que a felicidade passa também pela aceitação da realidade.
    Há algures, um meio termo, onde podemos ser felizes, aceitando quem somos mas não nos conformando com aquilo que não queremos ser. Faço-me entender?
    Bj!

    ResponderEliminar
  2. Ai, a felicidade é uma coisa estranha andamos sempre à procura dela e quanto mais procuramos mais ela foge.

    :) Grata

    ResponderEliminar
  3. Régio é um autor cheio de coisas e cada página sua é um mundo profundo.

    Fico muito contente por saber que está a lê-lo.

    O retrato é um óleo de Abel Manta, hoje em colecção privada.

    ResponderEliminar
  4. Pedro Coimbra,
    Sou fã de Chopin, principalmente dos nocturnos. :)

    Margarida,
    foi muito clara na sua análise. Também acho que resignação não pode ser felicidade. contudo, José Régio ao começar o seu Diário desta forma revela a sua enorme profundidade e sensatez, algo que me ultrapassa.
    Beijinhos e muito obrigada pela partilha! :)

    Marizei,
    Compreendo o que diz, mas devemos sempre procurá-la.
    Obrigada pela visita!:)

    Manuel Poppe,
    Duplamente agradecida, por me ter motivado à sua leitura, porque encontro um mar profundo e por me informar da posse da tela. Tenho que me disciplinar porque só apetece ler até acabar!
    Abraço!:)

    Virgínia,
    Precisamos da beleza para irmos em frente, não é?
    Bjs. :)

    ResponderEliminar
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  6. Pra mim também!
    Já pensei que a felicidade tivesse cor, fosse amarela... como pobre mortal gostaria fosse apenas algo tangível, e pelo jeito resignar-se ao contrário dela, segundo JR, pode ser o caminho... adoro Chopin com muita forca!

    ResponderEliminar
  7. Cara Ana,

    Atenção! A tela não me pertence... ainda que já tenha dormido nesta casa...

    Um abraço!

    ResponderEliminar
  8. Não é uma maneira estranha de ver a felicidade....até é muito simples.
    Mas difícil de chegar lá.
    Não vejo conformismo nem resignação.
    Apenas um acto contínuo de ver mais para além de...e aproveitar o que de facto vale a pena. O resto é paisagem, o olhar sobre si próprio, para chegar aos outros, ao que está do lado de fora.
    Muito intenso, muito forte....

    Obrigado Ana por trazeres este pequeno momento de felicidade...

    Um beijinho

    Blue

    ResponderEliminar
  9. Concordo com a Blueangel.
    Nestas palavras de Régio existe talvez uma ideia de despojamento completo em relação à felicidade.
    Só se conseguirmos esse despojamento começaremos a caminhar para ela.
    E há tanta coisa que influencia a nossa vida e que nós não conseguimos controlar.
    Talvez esteja errada...

    Um beijinho Ana

    Isabel

    ResponderEliminar
  10. C,
    Também adoro Chopin e fiquei maravilhada com a ideia de felicidade de Régio que é naturalmente sábia. :)
    Abraço!

    Manuel Poppe,
    Que pena não lhe pertencer! Todavia, exprimi-me mal, com a sua informação posso completar a legenda do quadro.
    Abraço!:)

    Blue,
    Régio é intenso, forte tudo o que tu percebeste está correcto, a resignação é que para mim é de uma sensatez que não consigo partilhar. No entanto, percebo que é uma maneira mais além de ver as coisa.
    Fico contente por teres gostado.
    Bjs. :)

    Isabel,
    Verbalizou tão bem a ideia de Régio ao afirmar: "despojamento completo em relação à felicidade".
    Muito obrigada pela sua visão.
    Bjs.:)

    ResponderEliminar
  11. Olá! Ouvir Chopin dispõe-me bem...
    Régio é uma lembrança que me traz coisas e coisas. Esse retrato vi-o vezes sem conta.
    Enfim, minha querida: obrigada!
    beijinhos

    ResponderEliminar
  12. Querida, MJ Falcão,
    Que bom ter gostado. Imagino quem era a pessoa que tinha este belo retrato.
    Que bom conhecê-la.
    Bjs. :)

    ResponderEliminar

Arquivo