14/11/2010

La Japonaise

Claude Monet nasceu em Paris a 14 de Novembro, de 1840. Foi a vinheta que distingui para esta semana por gostar da sua pintura tão inovadora.
Entre as suas telas escolhi a mulher do pintor, Camille, que está retratada com um kimono, traje japonês. Na época, a cultura oriental, principalmente a japonesa, estava muito em voga. Como gosto de tudo o que é oriental, desde a comida, aos hábitos e mentalidades - talvez por serem tão diferentes dos nossos - voilà!
x
«Monet a apporté, dans l'histoire, une puissance de vision exceptionnelement originale... »
x
Claude Monet, La Japonaise, (Camille Monet in Japanese costume), 1876

Oil on canvas, 231 x 142 cm, Boston Museum of Fine Arts, Boston

Pierre Francastel, L'Impressionisme, Poitiers: Denöel/Gonthier, 1976, p. 43

13/11/2010

E a Flor é apenas flor. Alberto Caeiro

Nas palavras de Alberto Caeiro cada coisa é aquilo que é, ou seja uma borboleta é apenas uma borboleta e uma flor apenas uma flor. E nesta simplicidade complexa desenrola-se o Universo perante o quotidiano rotineiro em que à mesa apareceram pela primeira vez os dióspiros deste Outono.
x
Adriaen Coorte, Three medlars with a butterfly, 1705


Adriaen Coorte é um pintor do barroco holandês, nasceu c. 1660 e faleceu depois de 1707.

Passa uma borboleta por diante de mim

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move.
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

7-5-1914
x
Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro . (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993), p. 64

GIOVANNI MOSSI, Concerto for four violins and basso continuo in G minor Op. 4 No. 12

12/11/2010

Vergílio Ferreira versus William Blake!

William Blake, Jacob's Ladder to Heaven, c. 1800

Watercolour, Bristish Museum, London

"Sabemos que o céu estava vazio ao terminarmos a sua escalada. Sabemo-lo porque vimos não da luz que vem das coisas, mas da força iluminadora que irrompe de nós próprios e da nossa presença".

Vergílio Ferreira, Carta ao Futuro, Lisboa: Quetzal, 2010, p.52

William Blake retrata o sonho de Jacob, do Livro do Genesis, 28,12

11/11/2010

Se as castanhas trouxessem segredos,


eu escolhia este:

INTERIOR

Havia uma rosa
no vaso. Veio do ocaso
a hora silenciosa.

Guilherme de Almeida, Encantamento, Acaso, Você. Editora UNICAMP, 2002, p.215

Retirei de Dança das Palavras

"A reprodução da cor é a maior dificuldade da arte", El Greco

El Greco, Doménikos Theotokópoulos , é um pintor de minha eleição. A sua estética é, para mim, extraordinariamente inovadora.
Desde Sexta-feira passada que S. Martinho nos acompanha pois, foi a vinheta que escolhi para esta semana.
Hoje, é dia de S. Martinho. Quem foi este homem?
Foi um soldado romano, do século IV que abraçou o cristianismo. O seu amor por Cristo levou-o a aceitar o cargo de Bispo de Tours, em 371.
Nesta tela, aparece trajado como cavaleiro do século XVI. El Greco materializa deste modo, a lenda de São Martinho, nela o santo teria dividido a sua capa com um mendigo dando mostras da sua generosidade.

El Greco, S. Martinho, 1597-99

National Gallery of Art, Washington, D.C.


Detalhe

"Acredito que a reprodução da cor é a maior dificuldade da arte."

El Greco (notas do pintor)

Marias-Bustamante, Las Ideas Artísticas de El Greco, p. 80 (Wikipedia)

10/11/2010

Henry Lee - A little bird lit down on Henry Lee



"Henry Lee"
(feat. PJ Harvey)

Get down, get down, little Henry Lee
And stay all night with me
You won't find a girl in this damn world
That will compare with me
And the wind did howl and the wind did blow
La la la la la
La la la la lee
A little bird lit down on Henry Lee
I can't get down and I won't get down
And stay all night with thee
For the girl I have in that merry green land
I love far better than thee
And the wind did howl and the wind did blow
La la la la la
La la la la lee
A little bird lit down on Henry Lee
She leaned herself against a fence
Just for a kiss or two
And with a little pen-knife held in her hand
She plugged him through and through
And the wind did roar and the wind did moan
La la la la la
La la la la lee
A little bird lit down on Henry Lee
Come take him by his lilly-white hands
Come take him by his feet
And throw him in this deep deep well
Which is more than one hundred feet
And the wind did howl and the wind did blow
La la la la la
La la la la lee
A little bird lit down on Henry Lee
Lie there, lie there, little Henry Lee
Till the flesh drops from your bones
For the girl you have in that merry green land
Can wait forever for you to come home
And the wind did howl and the wind did moan
La la la la la
La la la la lee
A little bird lit down on Henry Lee

09/11/2010

Um auto-retrato com memórias... e Philip Roth

David Bailly nasceu em Leiden, em 1584, e tornou-se famoso pelos seus retratos, naturezas mortas e "vanitas" (vaidades). Faleceu na mesma cidade em 1657.

David Bailly, Auto-Retrato Com os Objectos da Vaidade, 1651


Óleo sobre tela, 65 x 97,5 cm, Stedelijk Museum De Lakenhal, Leiden

Ao ler o livro de Philip Roth, Todo-o-Mundo, lembrei-me deste auto-retrato porque o livro é uma narrativa sobre o indivíduo e o combate contra a mortalidade, ligada à história de uma família judia em Nova Iorque. O autor revela a relação íntima do sujeito com o corpo humano e as limitações da doença ao longo da vida.
Roth toca com alguma leveza e superficialidade temas profundos como, o amor, o casamento, o prazer, a família e a morte. É um livro nostálgico e com a impressão de um tempo que flui rapidamente. Ou seja os ponteiros do relógio andam vertiginosamente entre a infância e a vida adulta, num tempo linear. Li o livro num ápice mas ficou aquém das expectativas.

A associação com a tela apresentada está subjacente no tema da morte, do conhecimento (auto-conhecimento), da vaidade e das memórias que se constroem a partir de um conjunto de objectos.

A ligação com a música está patente na referência à morte e à nostalgia.
Danse Macabre de Camille Saint-Säens; piano: Thierry Huillet, violon: Clara Cernat.

07/11/2010

The Meaning of Life...

A felicidade ou o sentido da vida é o que todos procuramos entre os grãos das areias, no céu estrelado, na maresia, no chilreio de um pássaro ou numa minúscula flor. A dor é-lhe sempre inerente. Porquê?
Foi a Manuel de Góis, um jesuíta que leccionou no Colégio das Artes em Coimbra entre 1574 e 1582, que fui procurar um sentido...

Margarida Cepêda, Urdindo o Universo, 2000


Artigo III

Que a felicidade não consiste especificamente no prazer


«(...) uns disseram que o prazer é um mal, outros que nem é um mal nem um bem, outros que é um bem; e de entre estes últimos, alguns fazem residir nele a felicidade; outros no prazer da alma, que tem origem na contemplação da realidade e na prática das virtudes; outros, ainda, em ambos os prazeres, ou seja no da alma e no do corpo, bem como na apatia, isto é, na ausência de dores e moléstias.»

«(...) a aquisição do sumo bem deve ser estável, para que, deste modo, não tenha como consequência a tristeza.»

(...)
«Todos os prazeres têm esse comportamento
Com estímulos excitam quem deles desfruta.
No entanto, tal como as abelhas que voam,
Logo depois de derramarem o doce mel,
Também eles fogem, ferindo os corações
Já destroçados pela fatal mordedura. »
x
Boécio in, Livro III, Da Consolação, estrofe 7
xx
Manuel de Góis, Tratado da Felicidade (Disputa III do Comentário aos Livros das Éticas de Aristóteles a Nicómano [Lisboa, 1593]), Lisboa: Edições Sílabo, 2009, p.32-33 (Introdução Mário Santiago de Carvalho, trad Filipa Medeiros)

06/11/2010

Do mar que cantava só para mim.

Em memória de Sophia de Mello Breyner Andresen que nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919!
Admiro esta mulher pela poesia que construiu e pela vida plena que as memórias registam.
xSophia
As Ondas

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só na praia com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
x
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Dia da Mar,Lisboa: Edições Ática; 3ª ed. 1974, p. 15

Maria Bethania e Sophia de Mello Breyner Andresen declamam dois poemas.

04/11/2010

"Oiço com o meu corpo"!

VIVALDI: Portrait d’un violoniste vénitien du XVIIIe siècle, par François Morellon de La Cave (1723), généralement considéré comme étant celui de Vivaldi Museo internazionale e biblioteca della musica (Bologna)


A música joga com as sensações, eleva-nos o estado da alma - vibrar ao som da música - é uma expressão que ouço desde pequena.
Susan Sontag escreveu este apontamento no momento em que estava a ouvir um Concerto para piano em Si Menor de Vivaldi. Lamentavelmente não encontrei este concerto para ligar a música ao texto. Vou colocar uma ária de Vivaldi para mim excelsa.

"25/12/48

Neste momento estou fascinada por uma das mais belas peças musicais que alguma vez ouvi - o Concerto para p[iano] em Si Menor de Vivaldi, da [editora] Cetra. Soria, com Mário Salerno. A música é ao mesmo tempo a mais maravilhosa e a mais viva de todas as artes - é a mais abstracta, a mais perfeita, a mais pura - e a mais sensual. Oiço com o meu corpo e é no corpo que se desperta o desejo em resposta ao entusiasmo e à emoção incorporado nesta música. É o eu físico que sente uma dor insuportável - e depois uma ânsia fátua - quando o mundo inteiro da melodia resplandece e depois cai como uma cascata na segunda parte do primeiro andamento - é carne e osso que morre um pouco de cada vez que sou engolida por este anseio do segundo andamento - "
Susan Sontag, Renascer, Diários e Apontamentos 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, p.23

Philippe Jaroussky, Vivaldi


Vedrò con mio diletto
l'alma dell'alma mia
Il core del mio cor pien di contento.
E se dal caro oggetto
lungi convien che sia
Sospirerò penando ogni momento...



[Ária do I acto da ópera Justino de Vivaldi, libretto de Nicolò Beregan. O libretto encontra-se na Biblioteca Nazionale di Torino]

03/11/2010

O cansaço ...

Luis Egidio Meléndez foi um pintor espanhol que viveu no século XVIII e ficou conhecido pelas suas still-life.
Gostei deste auto-retrato porque o seu olhar transmite tranquilidade, ao mesmo tempo que impõe uma postura de pessoa determinada a vencer. Esta ideia partiu da posição do braço que segura a alfaia inerente à profissão. Hoje, (ontem) o meu cansaço chegou ao limite do razoável. Ao olhar o nu que o pintor desenhou... fechei os olhos e comecei a repousar. Há uma certa angústia por não conseguir trazer à luz a beleza das palavras e do sentir.


xLuis Meléndez, Auto-retrato Segurando um Estudo Académico, 1740
x Museu do Louvre, Paris
x
O cansaço adormece a alma...
Caímos num abismo idêntico ao poço da Alice!

Bach - Air on a G String

02/11/2010

O que é?

O que é o amor? É beleza?

Eros (da colecção Farnese), Museu Nacional de Arqueologia de Nápoles


"No reino em que as almas flutuam no meio das flores, caminharemos os dois de mãos dadas".

Shakespeare, António e Cleópatra

Retirado daqui

01/11/2010

Memórias...

Anna Netrebko - Puccini -Quando Me'n Vo, La Boheme


A beleza da voz, da ária... memórias que chegaram e julgava esquecidas.

Ainda a chuva... leituras

Ao sabor da chuva veio-me à memória um livro que li em 2001, quando foi publicado pela D. Quixote, As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sandór Marái. Estive para o levar para a Hungria para reler durante a minha estadia naquelas paragens. Não o levei. A chuva, a melancolia, as constantes perguntas sobre o que é a vida levaram-me ontem, ao seu encontro, numa tarde de Domingo.
Qual é o significado da vida?
x
Claude Monet, Cliffs at Pourville, Rain, 1896


A chuva bate oblíqua na minha janela...
x
Cry Me a River. [Nota - a vida é como um rio que corre]
x
«Eros está no fundo de todos os afectos, de todas as relações humanas. (...) Li e reli Platão também várias vezes, porque na escola ainda não o tinha percebido. A amizade, pensava eu - e tu, que andaste mais perto pelo mundo fora, certamente sabes mais e melhor que eu, aqui na minha solidão campestre - , é a relação humana mais nobre que pode haver entre os seres humanos. É curioso, os animais conhecem-na também. Existe amizade, altruismo, solidariedade entre os animais».
p.81
x
«Pensas também que o significado da vida não seja outro senão a paixão, que um dia invade o nosso coração, a nossa alma e o nosso corpo, e depois arde para sempre até à morte? Aconteça o que acontecer? E que se nós vivemos essa paixão, talvez não tenhamos vivido em vão? É assim tão profunda, tão maldosa, tão grandiosa e desumana a paixão?... E talvez não se dirija a uma pessoa em concreto, mas apenas ao desejo do mesmo? ... Essa é a pergunta. Ou dirige-se a uma pessoa em concreto, desde sempre e para sempre à única e mesma pessoa misteriosa, que pode ser boa ou má, mas cujas acções e qualidades não influenciam a intensidade da paixão que nos une a ela?»
p.152
ee as velas arderam até ao fim...
Sándor Márai, As Velas Ardem Até Ao Fim, Lisboa: D. Quixote, 2001, p.81 e 152.

31/10/2010

A Ilusão

Conheci a obra de Margarida Cepêda há uns tempos. Lembrei-me desta pintora por ter encontrado no blogue Interioridades uma das suas telas. A pintura que AC escolheu é para mim a mais deslumbrante. E porquê?
Por causa da fantasia, da cor, dos pássaros e do desequilíbrio na varanda desprotegida.
x
A vinheta desta semana vai contemplar a palavra ilusão.
A tela "A Ilusão" oferece um conjunto de cores constrastantes, um certo orientalismo no traje, a tranquilidade de um ambiente feminino e a brincadeira de uma ilusão. Margarida Cepêda nasceu em Lisboa, em 1959.
x
Margarida Cepêda, A Ilusão, 1998
x
Óleo sobre tela, 115 x 130 cm


A ilusão é o outro lado do sonho...
esfuma-se com o estalar dos dedos.

30/10/2010

Chuva...

René Magritte, La Victoire

A chuva é a melancolia do céu.
É o choro do pássaro,
a lamúria de um piano!



29/10/2010

...Como defender uma experiência estética?

"15/9/49
(Eu leio respeitosamente, obedientemente, plasticamente!...)
Pacificadores:
x
Cézanne:
Vaso de Túlipas - 1890-4
(Verdes)
x
Monte Saint-Victoire -1900
(azul, branco, amarelo, rosa)

Ainda este fascínio infantil com a minha caligrafia... E pensar que tenho sempre este potencial de sexualidade ardente entre os meus dedos!
27/9/49
... Como defender a experiência estética? Mais do que prazer, porque não se podem avaliar obras de arte pela quantidade de prazer que dão - mas isso mesmo é melhor - Não, isto é ilógico...

... Como ocorrem as operações mentais?

... Qarteto de Beethoven versus teorema de Euclides
necessidade de ordem "
x
Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, p. 68-69.
No Diário apenas estão as indicações dos quadros de Cézanne. Ainda pensei jogar só com as palavras ... mas é tão bom entrarmos em simbiose com as cores

27/10/2010

As ideias perturbam o equilíbrio da vida


"1947

23/11/47

Acredito:

a) Que não há um Deus pessoal ou vida depois da morte
b)Que a coisa mais desejável do mundo é a liberdade de ser verdadeiro consigo próprio, por ex., Honestidade
c) Que a única diferença entre os seres humanos é a inteligência
d) Que o único critério de uma acção é o seu efeito último em fazer o indivíduo feliz ou infeliz
e) Que é errado tirar a vida a qualquer pessoa

[Faltam as alíneas «f» e «g»]

h) Acredito, além disso, que um Estado ideal (além de «g») deverá ser forte e centralizado com controlo estatal dos serviços da água e electricidade, bancos, minas, + transportes e subsídos às artes, um salário mínimo confortável, apoio aos deficientes e idosos.
Cuidados garantidos pelo Estado a mulheres grávidas, sem distinções tais como as de filhos legítimos + ilegítimos.

1948

13/07/48

As ideias perturbam o equilíbrio da vida

Começa assim o livro Renascer (Diários e Apontamentos 1947-1963) de Susan Sontag. Conheci esta escritora no blogue Etnografia de Circunstância(s), com um excerto de O Amante do Vulcão. Normalmente, começo por ler a obra dos escritores e só depois enveredo por uma autobiografia (Diário). Os livros levam-nos a descobrir o autor mas, desta vez, fiz o contrário.
Obrigada a E. que me ofereceu o livro.
Quanto à alínea a) não sei se será tanto assim... No que diz respeito às restantes, estou inteiramente de acordo.

Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, p. 15 e 17

Ode to the Nightingale!

Uma tela à volta de um poema. John Keats escreveu a Ode a um Rouxinol em Maio de 1819. Joseph Severn foi um pintor inglês amigo de Keats e Shelley. Esta tela é um dos vários retratos de Keats abordados por Severn. Gosto da luz e da atmosfera do quadro que tem um tom outonal. A contemplação da natureza e o som nocturno do rouxinol oferecem uma doce melancolia.
O Outono traz a melancolia que contrasta com o renascer primaveril do rouxinol.
x
Joseph Severn, Portrait of Keats, listening to a nightingale on Hampstead Heath, c.1845
x

John Keats

My heart aches, and a drowsy numbness pains
My sense, as though of hemlock I had drunk,
Or emptied some dull opiate to the drains
One minute past, and Lethe-wards had sunk:
'Tis not through envy of thy happy lot,
But being too happy in thine happiness, -
That thou, light-winged Dryad of the trees,
In some melodious plot
Of beechen green and shadows numberless,
Singest of summer in full-throated ease.
x
O, for a draught of vintage! that hath been
Cool'd a long age in the deep-delved earth,
Tasting of Flora and the country green,
Dance, and Provençal song, and sunburnt mirth!
O for a beaker full of the warm South,
Full of the true, the blushful Hippocrene,
With beaded bubbles winking at the brim,
And purple-stained mouth;
That I might drink, and leave the world unseen,
And with thee fade away into the forest dim:
x
Fade far away, dissolve, and quite forget
What thou among the leaves hast never known,
The weariness, the fever, and the fret
Here, where men sit and hear each other groan;
Where palsy shakes a few, sad, last gray hairs,
Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies;
Where but to think is to be full of sorrow
And leaden-eyed despairs,
Where Beauty cannot keep her lustrous eyes,
Or new Love pine at them beyond to-morrow.
x
Away! away! for I will fly to thee,
Not charioted by Bacchus and his pards,
But on the viewless wings of Poesy,
Though the dull brain perplexes and retards:
Already with thee! tender is the night,
And haply the Queen-Moon is on her throne,
Cluster'd around by all her starry Fays;
But here there is no light,
Save what from heaven is with the breezes blown
Through verdurous glooms and winding mossy ways.
x
I cannot see what flowers are at my feet,
Nor what soft incense hangs upon the boughs,
But, in embalmed darkness, guess each sweet
Wherewith the seasonable month endows
The grass, the thicket, and the fruit-tree wild;
White hawthorn, and the pastoral eglantine;
Fast fading violets cover'd up in leaves;
And mid-May's eldest child,
The coming musk-rose, full of dewy wine,
The murmurous haunt of flies on summer eves.
x
Darkling I listen; and, for many a time
I have been half in love with easeful Death,
Call'd him soft names in many a mused rhyme,
To take into the air my quiet breath;
Now more than ever seems it rich to die,
To cease upon the midnight with no pain,
While thou art pouring forth thy soul abroad
In such an ecstasy!
Still wouldst thou sing, and I have ears in vain -
To thy high requiem become a sod.
x
Thou wast not born for death, immortal Bird!
No hungry generations tread thee down;
The voice I hear this passing night was heard
In ancient days by emperor and clown:
Perhaps the self-same song that found a path
Through the sad heart of Ruth, when, sick for home,
She stood in tears amid the alien corn;
The same that oft-times hath
Charm'd magic casements, opening on the foam
Of perilous seas, in faery lands forlorn.
x
Forlorn! the very word is like a bell
To toll me back from thee to my sole self!
Adieu! the fancy cannot cheat so well
As she is fam'd to do, deceiving elf.
Adieu! adieu! thy plaintive anthem fades
Past the near meadows, over the still stream,
Up the hill-side; and now 'tis buried deep
In the next valley-glades:
Was it a vision, or a waking dream?
Fled is that music: - Do I wake or sleep

26/10/2010

So Melancholy!

Albrecht Dürer, Melancholy
x

«Seriousness in play. At sunset in Genoa, I heard from a tower a long chiming of bells: it kept on and on, and over the noise of the back streets, as if insatiable for itself, it rang out in evening sky and the sea air, so terrible and so childisch at the some time, so melancholy. Then I thought of Plato's words and felt them suddenly in my heart: all in all, nothing human worth taking very seriously, nevertlhess...»x

Friederich Nietzshe, Man Alone with Himself, London:Penguin Books, 2008 p. 38

25/10/2010

La pintura es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo...

Homenagem a Picasso que hoje faria anos. Picasso em tons de cinza, preto e branco no grito que constituiu a sua tela Guernica!
x
"No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo".
Picasso
(retirada da wikipedia)
)x
Pablo Picasso, Guernica, 1937. Pintado para a Exposição Internacional de Paris. Representa o bombardeamento da cidade de Guernica em 26 de Abril , de 1937, pela Luftwaffe,

Óleo sobre tela, 349 x 776 cm, Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, Madrid

Detalhe, a flor da esperança!


Se pudéssemos entrar numa tela... talvez fosse assim...



x
Como amante de gatos escolhi este de Picasso...

xPablo Picasso, Gato, 1942


Aguarela, 33.5 x 27.5 cm, dedicado a Henri Flammarion

24/10/2010

Vinheta 19 - Picasso

A vinheta desta semana contempla Pablo Picasso que nasceu a 25 de Outubro de 1881, em Málaga.
Gosto de todas as suas fases na pintura e da imensa obra que deixou.
Guernica foi um dos quadros que vi ao vivo no Centro Nacional de Arte da Rainha Sofia, em Madrid. Não pude conter a emoção quando entrei na sala dedicada só a essa grande tela. À volta dela estão os estudos e fotografias da sua construção - passo a passo.
Picasso, Auto-retrato, 1907
x

Óleo sobre tela 60 x 46 cm, Galeria Narodni, Praga

x
"Um quadro só vive para quem o olha".
Picasso


Andres Segovia - Villa-Lobos Prelude no. 1 in e minor


23/10/2010

algures por detrás da estrela...

Maurits Cornelis Escher, Estrelas, 1948


In mathematical quarters, the regular division of the plane has been considered theoretically... Does this mean that it is an exclusively mathematical question? In my opinion, it does not. [Mathematicians] have opened the gate leading to an extensive domain, but they have not entered this domain themselves. By their very nature thay are more interested in the way in which the gate is opened than in the garden lying behind it.

Escher

“...não podemos imaginar que algures por detrás da estrela mais longínqua do céu nocturno, o espaço possa ter um fim, um limite para além do qual nada mais existe. O conceito de vácuo diz-nos ainda alguma coisa, pois um espaço pode estar vazio (...), mas a nossa força de imaginação é incapaz de apreender o conceito de nada no sentido de ausência de espaço...”

(cit. in Ernest), 1978, p.102
Escher

21/10/2010

cala la notte ... Antonio Vivaldi "La notte"

Gosto mais da noite porque o tempo é só meu.

Da escrita e da fotografia...

Ainda da exposição da Gulbenkian Res Publica Face a Face, 1910-2010
x
Nelson Aires, Filho meu que estás na Terra.
x

André Romão, Modelo para Escultura Retórica
O Estado a partilha de Hyperion, 2009 (nota- o texto está riscado deixando só ver o que está a vermelho, observe a imagem)

PARA CONDUZIR O MEU POVO
AO OLIMPO DO BELO DIVINO, ONDE
DE FONTES PERENEMENTE JOVENS
BROTA O VERDADEIRO COMO TUDO
O QUE É BOM, AINDA NÃO TENHO HABILIDADE
SUFICIENTE. MAS APRENDI A USAR
A ESPADA
E PARA JÁ DE NADA MAIS
PRECISO. A NOVA ALIANÇA DOS ESPÍRITOS
NÃO PODE VIVER NO AR. A SAGRADA
TEOCRACIA DO BELO TEM DE HABITAR
NUM ESTADO LIVRE E ESSE PRECISA DE
ESPAÇO NA TERRA E NÓS CONQUISTAREMOS
ESSE ESPAÇO
COM CERTEZA

A escrita profunda sobre o Estado e os homens... para deglutir com Satie

Erik Satie Gymnopédie nº 1.

Arquivo