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07/12/2013

Rosé para acompanhar Callas

O Savini não é apenas um grande restaurante. (...). Não poderia haver, portanto, uma moldura mais adequada para a rainha do Scala e dos salões milaneses, à época dos seus triunfos naquele teatro. A seguir a Marinetti e a Toscanini, era a convidada mais esperada e apreciada no famoso restaurante (que fica a poucos metros do Duomo, a Catedral de Milão), em tantas noites inesquecíveis, depois dos espectáculos, em que tinha em seu redor a nata da sociedade e cultura italianas e internacionais. A seu lado Luchino Visconti, António Ghiringhelli (director do Scala), os príncipes do Mónaco e da Bélgica, festejando as suas apresentações mais aclamadas. No Savini, Maria gostava em particular de algumas especialidades tipicamente lombardas que o restaurante propunha de maneira mais refinada, como o arroz dourado, (...).                                     
Bruno Tosi, Segredos Culinários de Maria Callas, Histórias, Receitas e Sabores (prefácio de José Bento dos Santos). Lisboa: Assírio e Alvim, 2008, p. 27.

«Arroz Dourado
[receita do restaurante Savini]

arroz à milanesa
manteiga,
queijo parmesão

Refogue um pouco de manteiga numa frigideira pequena e disponha o arroz à milanesa numa camada de 2 cm de altura. Alise com uma colher de pau e deixe alourar. Vire o preparado na frigideira, eventualmente com a ajuda de um prato. Deixe alourar do outro lado também. Sirva muito quente com parmesão ralado à parte.» 
p. 57 do livro acima citado.

A minha sugestão é que acompanhe com um Rosé - Vinha da Defesa (2012), Herdade do Esporão, Alentejo - a belíssima voz de Maria Callas.

Um agradecimento a MR que me deu a conhecer este livro.

06/02/2013

"...A beleza na forma"


I - BUSCO A BELEZA NA FORMA

— Busco a beleza na forma;
E jamais
Na beleza da intenção
A beleza que perdura.

Só porque o bronze é de boa qualidade
Não se deve
Consagrar uma escultura.

 in Canções de António Botto - Primeiro volume das obras completa (1941).


18/06/2011

José Saramago

Pilar coloca as cinzas de Saramago em frente à casa dos Bicos, ou casa D. Brás de Albuquerque, debaixo da oliveira centenária que veio da terra natal do escritor para esse propósito.







A vontade do escritor era ser sepultado junto à velha oliveira em Azinhaga do Ribatejo. Porém, gente da cultura e do poder político quiseram homenagear José Saramago na cidade onde viveu a maior parte da sua vida. Assim, jaz em frente à Fundação Saramago que fica na Casa dos Bicos onde todos os portugueses poderão visitar parte do espólio da sua biblioteca.

O último livro que li de Saramago, após a sua morte, intitula-se: O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Dele retiro este trecho porque hoje julgo pertinente lembrar:



Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, não se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo. Começará por aqueles títulos que a ninguém deveriam escapar, os livros de estudo, assim vulgarmente chamados, como se todos o não fossem, e esse catálogo será variável consoante a fonte de conhecimento aonde se vai beber e a autoridade que lhe vigia o caudal, neste caso de Ricardo Reis, aluno que foi dos jesuítas, podemos fazer uma ideia aproximada, mesmo sendo os nossos mestres tão diferentes, os de ontem e os de hoje. Depois virão as inclinações da mocidade, os autores de cabeceira, os apaixonamentos temporários, os Werther para o suicídio ou para fugir dele, as graves leituras de adultidade, chegando a uma certa altura da vida já todos, mais ou menos, lemos as mesmas coisas, embora o primeiro ponto de partida nunca venha a perder a sua influência, com aquela importantíssima e geral vantagem que têm os vivos, vivos por enquanto, de poderem ler o que os outros, por antes do tempo mortos, não chegaram a conhecer.



José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Lisboa: Caminho, 2007, p. 137



Dueto das Flores Lakmé

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