O Savini não é apenas um grande restaurante. (...). Não poderia haver, portanto, uma moldura mais adequada para a rainha do Scala e dos salões milaneses, à época dos seus triunfos naquele teatro. A seguir a Marinetti e a Toscanini, era a convidada mais esperada e apreciada no famoso restaurante (que fica a poucos metros do Duomo, a Catedral de Milão), em tantas noites inesquecíveis, depois dos espectáculos, em que tinha em seu redor a nata da sociedade e cultura italianas e internacionais. A seu lado Luchino Visconti, António Ghiringhelli (director do Scala), os príncipes do Mónaco e da Bélgica, festejando as suas apresentações mais aclamadas. No Savini, Maria gostava em particular de algumas especialidades tipicamente lombardas que o restaurante propunha de maneira mais refinada, como o arroz dourado, (...). 07/12/2013
Rosé para acompanhar Callas
O Savini não é apenas um grande restaurante. (...). Não poderia haver, portanto, uma moldura mais adequada para a rainha do Scala e dos salões milaneses, à época dos seus triunfos naquele teatro. A seguir a Marinetti e a Toscanini, era a convidada mais esperada e apreciada no famoso restaurante (que fica a poucos metros do Duomo, a Catedral de Milão), em tantas noites inesquecíveis, depois dos espectáculos, em que tinha em seu redor a nata da sociedade e cultura italianas e internacionais. A seu lado Luchino Visconti, António Ghiringhelli (director do Scala), os príncipes do Mónaco e da Bélgica, festejando as suas apresentações mais aclamadas. No Savini, Maria gostava em particular de algumas especialidades tipicamente lombardas que o restaurante propunha de maneira mais refinada, como o arroz dourado, (...). 06/02/2013
"...A beleza na forma"
I - BUSCO A BELEZA NA FORMA
— Busco a beleza na forma;
E jamais
Na beleza da intenção
A beleza que perdura.
Só porque o bronze é de boa qualidade
Não se deve
Consagrar uma escultura.
in Canções de António Botto - Primeiro volume das obras completa (1941).
18/06/2011
José Saramago

A vontade do escritor era ser sepultado junto à velha oliveira em Azinhaga do Ribatejo. Porém, gente da cultura e do poder político quiseram homenagear José Saramago na cidade onde viveu a maior parte da sua vida. Assim, jaz em frente à Fundação Saramago que fica na Casa dos Bicos onde todos os portugueses poderão visitar parte do espólio da sua biblioteca.
O último livro que li de Saramago, após a sua morte, intitula-se: O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Dele retiro este trecho porque hoje julgo pertinente lembrar:
Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, não se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo. Começará por aqueles títulos que a ninguém deveriam escapar, os livros de estudo, assim vulgarmente chamados, como se todos o não fossem, e esse catálogo será variável consoante a fonte de conhecimento aonde se vai beber e a autoridade que lhe vigia o caudal, neste caso de Ricardo Reis, aluno que foi dos jesuítas, podemos fazer uma ideia aproximada, mesmo sendo os nossos mestres tão diferentes, os de ontem e os de hoje. Depois virão as inclinações da mocidade, os autores de cabeceira, os apaixonamentos temporários, os Werther para o suicídio ou para fugir dele, as graves leituras de adultidade, chegando a uma certa altura da vida já todos, mais ou menos, lemos as mesmas coisas, embora o primeiro ponto de partida nunca venha a perder a sua influência, com aquela importantíssima e geral vantagem que têm os vivos, vivos por enquanto, de poderem ler o que os outros, por antes do tempo mortos, não chegaram a conhecer.
José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Lisboa: Caminho, 2007, p. 137
Dueto das Flores Lakmé