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26/01/2016

A estrela

Celebram-se os 100 anos do nascimento de Virgílio Ferreira no próximo dia 28 de Janeiro.
Antecipo-me na homenagem porque comecei a ler um conto do escritor para crianças, comprado na Bertrand neste Domingo de eleições.

Detalhe da ilustração de Júlio Resende 
(fotografia minha)


O conto intitula-se A Estrela e é ilustrado por Júlio Resende. É uma publicação bonita em tons de
azul. Do conto, disseram-me que era triste. Não sei, pois apenas li o princípio enquanto esperava pelo transporte, e começa assim...

Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu, muito viva, e a essa hora passava mesmo por cima da torre. Como é que não a tinham roubado? Ele próprio, Pedro, que era um miúdo, se a quisesse empalmar, era só deitar-lhe a mão. Na realidade, não sabia bem para quê. Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto, talvez a trouxesse ao peito. E daí, se calhar, talvez a viesse dar à mãe para enfeitar o cabelo.Devia-lhe ficar bem no cabelo.

Vergílio Ferreira, A Estrela. Lisboa: Quetzal, 2009, p. 9.



03/12/2011

Um Natal antecipado - Mulheres de Pescadores!

O Natal chegou mais cedo para seis mulheres de pescadores de Caxinas (Vila do Conde) que viram resgatar do mar revolto os seus homens perdidos há três dias.
Há alegrias que nos fazem esquecer os dias nefastos e pensar que aquele Menino Jesus (Guardador de Rebanhos) de Alberto Caeiro afinal vai aparecendo.


Júlio Resende, Mulheres de Pescadores, 1951


Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Lisboa



Quando regresso do mar venho sempre estonteado e cheio
de luz que me trespassa. Tomo então apontamentos rápidos – seis
linhas – um tipo – uma paisagem. Foi assim que coligi este livro,
juntando-lhe algumas páginas de memórias. Meia dúzia de
esboços afinal, que, como certos quadrinhos do ar livre, são
melhores quando ficam por acabar. Estas linhas de saudade
aquecem-me e reanimam-me nos dias de Inverno friorento. Torno
a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco
prolongado... Basta pegar num velho búzio para se perceber distintamente
a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a
para sempre. – Eu também nunca mais a esqueci...


Raul Brandão, Os Pescadores, 1923, p. 2


Nazaré, filme realizado por Manuel Guimarães, 1952.

21/09/2011

Homenagem a Júlio Resende

Júlio Resende nasceu no Porto a 23 de Outubro de 1917 e faleceu hoje em Gondomar. Uma grande perda. Tirou o curso na Faculdade de Belas Artes do Porto. Gosto da simplicidade do homem e da pintura que fez ao longo da vida. Bem haja!


Júlio Resende, Uma casa em Korntal



«Sendo inquestionável a função da cor na pintura reconhecemos que nem sempre os pintores sentiram nela uma forte motivação temperamental. Para que a cor viesse a constituir a génese de um conteúdo assumido como tal, teríamos de aguardar os finais do séc. XIX e o dealbar do século XX».
Júlio Resende, retirado daqui.

Jim Moray

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