O Natal chegou mais cedo para seis mulheres de pescadores de Caxinas (Vila do Conde) que viram resgatar do mar revolto os seus homens perdidos há três dias.
Há alegrias que nos fazem esquecer os dias nefastos e pensar que aquele Menino Jesus (Guardador de Rebanhos) de Alberto Caeiro afinal vai aparecendo.
Quando regresso do mar venho sempre estonteado e cheio
de luz que me trespassa. Tomo então apontamentos rápidos – seis
linhas – um tipo – uma paisagem. Foi assim que coligi este livro,
juntando-lhe algumas páginas de memórias. Meia dúzia de
esboços afinal, que, como certos quadrinhos do ar livre, são
melhores quando ficam por acabar. Estas linhas de saudade
aquecem-me e reanimam-me nos dias de Inverno friorento. Torno
a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco
prolongado... Basta pegar num velho búzio para se perceber distintamente
a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a
para sempre. – Eu também nunca mais a esqueci...
Há alegrias que nos fazem esquecer os dias nefastos e pensar que aquele Menino Jesus (Guardador de Rebanhos) de Alberto Caeiro afinal vai aparecendo.
Júlio Resende, Mulheres de Pescadores, 1951
Quando regresso do mar venho sempre estonteado e cheio
de luz que me trespassa. Tomo então apontamentos rápidos – seis
linhas – um tipo – uma paisagem. Foi assim que coligi este livro,
juntando-lhe algumas páginas de memórias. Meia dúzia de
esboços afinal, que, como certos quadrinhos do ar livre, são
melhores quando ficam por acabar. Estas linhas de saudade
aquecem-me e reanimam-me nos dias de Inverno friorento. Torno
a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco
prolongado... Basta pegar num velho búzio para se perceber distintamente
a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a
para sempre. – Eu também nunca mais a esqueci...
Nazaré, filme realizado por Manuel Guimarães, 1952.