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11/01/2020

Al ...

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu em Coimbra a 11 de Janeiro de 1948. Notabilizou-se como poeta, pintor, editor e animador cultural português. Morreu em 1997.

Al Berto, dois auto-retratos, Centro de Arte de Sines


HOJE É DIA DE COISAS SIMPLES

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje




25/07/2014

"Abstractio" - black and white

Bombardeamento na Faixa de Gaza

 ABSTRACTO, do latim ABSTRACTIO, significa algo que não é concreto. O que prevalece é a ideia e o conceito.

Acerca da arte abstracta Kandinsky evidencia que,

Se o artista é sacerdote da «beleza», esta deve ser procurada, segundo o principio do valor interior... A «beleza» só pode ser medida pela escala da Grandeza e da Necessidade Interior... É o belo que procede de uma necessidade interior da alma. É o belo que é belo interiormente. 

Wassily Kandinsky, Do espiritual na arte. Lisboa: D. Quixote,  2010, p. 114-116.

Sendo os bombardeamentos concretos, serão abstractas as pessoas que morreram? 
Israel bombardeou uma escola das Nações Unidas, na Faixa de Gaza, morreram muitos civis entre eles crianças... 
Como explicar o inexplicável? 
Como entender este fenómeno?
A comunidade judaica sofreu, no passado, horrores como é que agora responde com mais horror?

04/08/2013

Leituras de Verão - Axel Munthe

Após Myra referir O Livro de San Michele como um dos melhores livros que leu. Peguei no livro, que retirei da estante do escritório, e levei-o na bagagem para férias. Recomecei a lê-lo pois há uns anitos, sem explicação plausível, não passei das primeiras páginas.
Há momentos para tudo...
San Michele é um lugar paradisíaco que fica situado em Anacapri, na ilha de Capri. Revivi a viagem outrora efetuada. Quando fui a Capri ainda não havia máquinas digitais. Fotografias, sim, existem, mas em papel, guardadas nas caixas de memórias, à espera de melhores dias para serem organizadas... 
Como vivemos sob a égide de governantes que espoliam os bolsos, a coragem e os sonhos viáveis, foi numa "Capri portuguesa", a possível, que recomecei a leitura do O Livro de San Michele.

Olhos de Água, Algarve

Captei uma imagem que poderia ser tirada em Capri. Assim, o achei quando passei pela flor e pela sombra improvisada. Transcrevo uma passagem do livro em que coloca dois mundos em presença:

Moritz von Schwind (1804 – 1871), Erlkonig, 1917


Mas se algum dia chego a saber cavalgar este turbulento Pégaso [máquina de escrever*], hei-de cantar uma humilde canção ao meu bem amado Schubert, o maior cantor de todos os tempos, para lhe agradecer quanto lhe devo. Devo-lhe tudo. Quando estive deitado, semanas e semanas, na obscuridade, com poucas esperanças de sair dela um dia, trauteava para mim só as suas melodias, uma após outra, como a criança que vai assobiando ao atravessar escura selva, para crer que não tem medo. Schubert tinha dezanove anos quando compôs a música para o Erlkoenig, de Goethe, e enviou-lha com uma humilde dedicatória. Nunca perdoarei ao maior poeta dos tempos modernos o não ter dirigido uma palavra de agradecimento ao homem que imortalizou o seu poema.

Axel Munthe, O Livro de San Michele. Lisboa: Edição Livros do Brasil, XII edição, s.d. (tradução de Jaime Cortesão), p. 313.

* Máquina de escrever, Corona Typewriter Company.

Durante alguns dias pude admirar o mar e elogiar o sol, nosso astro-rei. Desfrutar a Natureza sabe bem, enche a alma.




Philipe Sly, barítono e Maria Fuller, pianista

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