Após Myra referir O Livro de San Michele como um dos melhores livros que leu. Peguei no livro, que retirei da estante do escritório, e levei-o na bagagem para férias. Recomecei a lê-lo pois há uns anitos, sem explicação plausível, não passei das primeiras páginas.
Há momentos para tudo...
San Michele é um lugar paradisíaco que fica situado em Anacapri, na ilha de Capri. Revivi a viagem outrora efetuada. Quando fui a Capri ainda não havia máquinas digitais. Fotografias, sim, existem, mas em papel, guardadas nas caixas de memórias, à espera de melhores dias para serem organizadas...
Como vivemos sob a égide de governantes que espoliam os bolsos, a coragem e os sonhos viáveis, foi numa "Capri portuguesa", a possível, que recomecei a leitura do O Livro de San Michele.
Olhos de Água, Algarve
Captei uma imagem que poderia ser tirada em Capri. Assim, o achei quando passei pela flor e pela sombra improvisada. Transcrevo uma passagem do livro em que coloca dois mundos em presença:
Moritz von Schwind (1804 – 1871), Erlkonig, 1917
Mas se algum dia chego a saber cavalgar este turbulento Pégaso [máquina de escrever*], hei-de cantar uma humilde canção ao meu bem amado Schubert, o maior cantor de todos os tempos, para lhe agradecer quanto lhe devo. Devo-lhe tudo. Quando estive deitado, semanas e semanas, na obscuridade, com poucas esperanças de sair dela um dia, trauteava para mim só as suas melodias, uma após outra, como a criança que vai assobiando ao atravessar escura selva, para crer que não tem medo. Schubert tinha dezanove anos quando compôs a música para o Erlkoenig, de Goethe, e enviou-lha com uma humilde dedicatória. Nunca perdoarei ao maior poeta dos tempos modernos o não ter dirigido uma palavra de agradecimento ao homem que imortalizou o seu poema.
Axel Munthe, O Livro de San Michele. Lisboa: Edição Livros do Brasil, XII edição, s.d. (tradução de Jaime Cortesão), p. 313.
* Máquina de escrever, Corona Typewriter Company.
Durante alguns dias pude admirar o mar e elogiar o sol, nosso astro-rei. Desfrutar a Natureza sabe bem, enche a alma.
Axel Munthe, O Livro de San Michele. Lisboa: Edição Livros do Brasil, XII edição, s.d. (tradução de Jaime Cortesão), p. 313.
* Máquina de escrever, Corona Typewriter Company.
Durante alguns dias pude admirar o mar e elogiar o sol, nosso astro-rei. Desfrutar a Natureza sabe bem, enche a alma.
Philipe Sly, barítono e Maria Fuller, pianista


