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08/03/2016

Dia Internacional da Mulher

Maria Bashkirtseva, In the Studio, 1881,
  Dnipropetrovsk State Art Museum


À mulher, 
em particular pela sua coragem, força e espírito,
nas horas mais amargas...

migrações
guerras
violência
perda...

08/03/2015

Motivo - As Rosas

No dia Internacional da Mulher - 3 poetizas

A sepal, petal, and a thorn                                   Sépala, pétala, espinho.
Upon a common summer's morn –                       
Na vulgar manhã de Verão –
A flash of Dew – A Bee or two –                          
Brilho de orvalho – uma abelha ou duas –
A Breeze – a caper in the trees –                         
Brisa saltando nas árvores –
And I'm a Rose
!                                                    – E sou uma Rosa!

Emily Dickinson (1830-1886)

(Tradução de) Jorge de Sena, 80 poemas de Emily Dickinson. Lisboa: Guimarães/Babel, 2010*


Para Emily 



Para Sophia

Para Cecília

Sophia de Mello Breyner Andresen- retirado da BNP

Para todas as amigas que por aqui passam: não é uma rosa mas é rosa.

4º. Motivo da rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1472 © Luso-Poemas

*Nenhuma poesia do tempo se parecia com a sua, tão insólita, tão abrupta, tão tensa e tão concisa. […] a "liberdade" de Emily Dickinson é extremamente complexa, só entendível em pessoalíssimos termos. Mas, na história da poesia norte-americana, em que as figuras dolorosas ou tragicamente isoladas são tantas, ela avulta esplêndida, igualmente distante dos "profissionais" da poesia ou dos fabricantes dela para consumo doméstico ou público.
Jorge de Sena introdução na antologia: 80 poemas de Emily Dickinson.

Paris Opera Ballet, Agnès Letestu e Stéphane Bullion, Coreografia - John Neumeier

08/03/2013

"Onde mora a plenitude"


No dia da mulher  deixo a rosa para todas as mulheres que por aqui passam.
Zayasaikhan Sambuu, Sem título

AS FONTES

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia I              

[O sublinhado é meu].

08/03/2012

De mulheres para a mulher

Myra Landau, Écoute (la vie)



CATARINA EUFÉMIA

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

Sophia de Mello Breyner Anderson, Dual, Lisboa: Salamandra, 1986


Paula Rêgo, Festa, 2002


Retrato de Mulher Triste

Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

Cecília Meireles, in Poemas (1942-1959)


Graça Morais, sem título,
[segredos]
Maria das Quimeras

Maria das Quimeras me chamou
Alguém. Pelos castelos que eu ergui
P'las flores d'oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.

Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh'alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi
Que da minh'alma, Alguém, tudo levou!

Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores d'oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos tresloucados que fizeste?

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?...

Florbela Espanca, Livro de Sóror Saudade, Lisboa: Tipografia A Americana, 1923.




Um filme delicioso: 8 Mulheres de François Ozon, 2002

08/03/2011

Mulher

No Metropolitan Museum of Art, New York, duas perspectivas da mulher.
A minha homenagem a todas as mulheres e, em particular, às mulheres que morreram por lutar pelos seus direitos, num incêndio, numa fábrica em Nova Iorque, em 1857.
x
Manet, Mulher com Papagaio, 1866
Gustave Courbet, Mulher com Papagaio, 1866

A Mulher Inspiradora

Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera", tradução de Manuel Simões. (retirado do citador)

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