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30/10/2014

ir sempre mais além

Urbano Tavares Rodrigues escolheu  Marte e Vénus com Cúpido e um cão, de Veronese para a capa do seu livro: Os Cadernos Secretos do Prior do Crato.
Eis uma passagem que me tocou e que registei como um bom mote de vida:
- ir sempre mais além -

Nesta pequena casa voltada ao Tejo e onde se vê, de cima, o Paço da Ribeira, há uma janela manuelina e um balcão de pedra com vista para os galeões e caravelas que chegam de longes terras ou a elas voltam.
Às vezes penso que tenho um destino à minha espera, muito maior do que eu.
Agora por exemplo, que é noite e observo o sonho lívido da lua, vêm-me à memória os desafios aos limites da minha resistência que me faziam, sozinho ou com outros companheiros, saltar obstáculos, cansar cavalos por brejos e campos verdes, descendo colinas à carga, lá no Crato, em Alter, em Flor da Rosa, cruzando espadas e risos, até se acabar o fôlego e essa vontade de ir sempre mais além. 

Urbano Tavares Rodrigues, Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Lisboa: Dom Quixote, 2007, p. 17.

- Para ir mais além precisamos: 
de um bom elmo e um bom escudo, 
da busca do amor e da beleza -

Paolo Veronese,  Mars and Venus with Cupid and a Dog, c. 1580, 
National Gallery of Scotland, Edinburgh.
Imagem da Wikipédia




11/08/2013

Silêncio Intacto e A Caixa Dourada (La Cage Dorée)


RoseAnn Hayes,Dente de Leão
Silêncio intacto

Sobe até ao cimo da manhã.
É lá que deves esperar-me,
grande intervalo de silêncio
musicado e fresco,
até que eu me liberte
do terror das palavras sedentárias
e aprenda, irmão mais novo dos insectos,
a linguagem, perfumada das flores.

 Albano Martins,(1967), Coração de Bússola, p. 31. retirado da Livraria Lumière
[Obrigada Cláudia].

Aproveito para homenagear com este poema um Senhor da literatura portuguesa que partiu recentemente, Urbano Tavares Rodrigues. [Entrou no grande silêncio]

A vida é como o dente-de-leão: passa breve e fugidia. 
Sopra-se na flor e evapora-se a sua essência nos montes, vales, rios e mar.
(Alterado às 11:10 h)

O poema de Albano Martins liga muito bem com outro momento que vivi: o do fado cantado num bar em Paris. Estou a falar do filme: A Caixa Dourada (La Cage Dorée) de Rúben Alves. Recomendo-o vivamente. Intitulado comédia... há momentos de riso e momentos de profundo olhar sobre a arte de ser português (parafraseando o nosso Teixeira de Pascoaes). 
Da película guardo:
- Inteligência;
- Sensibilidade,
- Surpresa, num brevíssimo momento de um jantar;
- Clarividência;
- Superioridade lusa, pró-italiana, e superioridade xenófoba mas tudo com ligeireza e bom gosto;
- Amor em duas frases sucintas: "Morra em Portugal" (fado) e "A meus pais" (dedicatória final de Rúben Alves).
Penitencio-me pela crítica efetuada a casas com azulejos e telhados nada condizentes com os do nosso país.




Dente-de-leão anos 80

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