Mostrar mensagens com a etiqueta Nikolaj Rimski-Korsakov.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nikolaj Rimski-Korsakov.. Mostrar todas as mensagens

15/01/2015

"o tamanho ilude"

A escala é real mas também é ilusão. Não precisamos de muito espaço se a nossa mente voar. Comecei a ler "Veneza pode Esperar, Diário I". Nunca estive em Veneza mas sei que ela pode esperar porque tenho em mim que lá irei. Estive "numa" Veneza ou melhor na "Roma" do Oriente: Goa, terra da cor, da seda e das fragrâncias. Rita Ferro levou-me ao quarto/ sala/ cozinha/ escritório onde vivi em Goa. A vida é a ilusão que dela criamos. 

Em especial para um amigo que vai mudar de casa.

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
23:00 h                                                                                                                       Goa, Sedas


Gosto muito desta casa, para onde me mudei há três meses. Sempre vivi em casas grandes, esta é a mais pequena, mas também é a primeira vez que vivo sozinha, universalmente sozinha. Casaram-se todos: o Miguel, a Marta, o Salvador. Em rigor não preciso de mais espaço. Uma sala, um escritório, um quarto - às vezes sinto-me num hotel, e a ideia diverte-me. A casa tem luz, as pinturas são novas, os armários lacados - gosto de estar aqui. A anterior era maior e o acesso à garagem mais cómodo, mas aprendi a tempo que o tamanho ilude e pode ser uma fraude no bem-estar das pessoas. A escala menor dá-nos outra calma, a ilusão de controlo é maior. (...)
Ainda vivo no Estoril. Como troquei o azul do mar pelo verde da folhagem, não me sinto desfalcada. De manhã, oiço o canto dos pássaros e, ao entardecer, os grandes silêncios do campo.

Rita Ferro, Veneza Pode Esperar, Diário 1,  Lisboa: Dom Quixote, 2014, p. 16-17.


Sadko, uma ópera para mim desconhecida.

Arquivo